O que ela tem que eu não tenho?

A imagem que você tem de você mesma é formada pelas suas próprias referências e pelas referências que as pessoas que são importantes para você lhe dão. (Imagem da internet)

Você já se pegou pensando nesta frase? Eu já! Principalmente quando via mulheres não exatamente bonitas, mas mulheres “poderosas”!

O que será que elas faziam para ser deste jeito? Ah! As roupas! Sempre lindas… Os cabelos? Sempre arrumados… Ou não! Não era isso. Elas tinham alguma coisa por dentro que tornavam as outras coisas externas muito melhores do que elas eram na verdade! Não importava a cor do cabelo, as roupas, se eram gordas ou magras. O que importava era a maneira como essas mulheres olhavam para si mesmas e como elas se relacionavam com o mundo que estava em volta delas. Isto era autoestima! Autoestima… Todo mundo sabe quando não tem, mas poucos realmente sabem o que significa. Autoestima é o julgamento que fazemos de nós mesmos. Isto dito por nós hoje adultos e conscientes do que somos. Mas eu não pensava nisso quando criança, isso não me importava! Uma criança não tem noção de si mesma. Você se lembra, ao longo de sua vivência, como foi sendo construída a sua? Você se sentia amada? Você se sentia querida? Suas idéias eram aceitas e respeitadas? Você era corrigida com amor? Você tem a noção de si mesma como sendo merecedora do melhor que se possa ter? São perguntas difíceis de serem respondidas. Principalmente se não sabemos muito sobre nós mesmas e como chegamos a ser como somos. Não é fácil estar na idade adulta e se sentir com uma boa auto-estima! Aquela mulher no início do texto, ela existe de verdade. E você também pode ser assim. Mas como? Se eu lhe disser para procurar a melhor boutique, ir ao melhor salão de beleza, entrar no SPA mais requisitado do Brasil e não trabalhar seu interior, tudo isso será dinheiro e tempo jogados fora! Tudo isso é externo. Auto-estima vem de dentro. Acontece ao longo do tempo e é formada em você pelos seus sentimentos na infância e por pessoas que foram e são importantes para você. Geralmente começa com a família, principalmente com seus pais. A forma como eles lhe demonstravam amor, a maneira como acolhia suas descobertas, a escolha das palavras quando lhe chamavam a atenção! Tudo isso, faz parte da construção da sua auto-imagem. A imagem que você tem de você mesma é formada pelas suas próprias referências e pelas referências que as pessoas que são importantes para você lhe dão. A referência de si é construída inicialmente através das sensações internas que a criança vai aprendendo ao longo da vida. Ela aprende a identificar e nomear as sensações como sendo boas ou más para si. Essas sensações que mais tarde vão ser transformadas em sentimentos sobre o que é certo ou errado serão confirmadas principalmente pelas pessoas que são mais importantes para você. Ao longo do desenvolvimento infantil essas referências também vão mudando. A professora passa a ser importante, o melhor amigo, o primeiro namorado, até as escolhas mais significativas no futuro como casamento e trabalho. Mas é interessante ficarmos atentas, pois à medida que nossa auto-imagem vai sendo formada na infância, vão sendo criados registros de assertividade ou de inadequações. Se a criança chora por ter sido perseguida pelo coleguinha da escola e a mãe lhe diz para não chorar porque isso não é nada, a mãe na tentativa de fortalecer o filho o enfraquece. Ela confirma que o sentimento que ele tem sobre aquela situação é inadequado, portanto, ele não sabe o que é sentir certo. Assim, se repetidas forem as situações de inadequação, a criança constrói de si mesmo uma auto-imagem distorcida. De imagem a imagem distorcida de si mesma é formada a baixa auto-estima. Se for assim, como então posso modificar a minha? Deve-se sempre começar pelo desejo. Desejo de ser melhor, de ser compreendida de verdade, de se conhecer, de ser realmente o que se é, por dentro e por fora, de amar-se para se fazer amada! Há um caminho a ser trilhado nesta descoberta, há um caminho às vezes doloroso, onde o olhar para trás será um impulso para se trilhar bem os próximos anos que virão… mas vale a pena! Vale muito a pena pensar que também terei a oportunidade de ser de verdade, como aquela mulher do início do texto! Você quer?

*Maria Rita Lima Gertner – Psicologia Adulto Clínica Adulto e Infantil (CRP 08:IS/297) – Telefone 41.9.9715.8343.