Atividade leiteira exige dedicação e trabalho em família

Serviço é feito em família - tem que trabalhar em conjunto e todo dia.

Região Sul é a maior produtora de leite do país e agora busca melhoria na cadeia produtiva, na sanidade dos rebanhos e na qualidade do leite ofertado aos consumidores. Produtores de São Mateus do Sul contam como é a rotina e as exigências do trabalho.

Fonte de renda chega todo mês, mas o resultado depende do trabalho – é preciso instalações adequadas e boas pastagens, planejamento e dedicação.
Fonte de renda chega todo mês, mas o resultado depende do trabalho – é preciso instalações adequadas e boas pastagens, planejamento e dedicação.

O casal Angelo e Eliana Chagas há 17 anos trabalha na atividade leiteira em Divisa, interior de São Mateus do Sul. Quando a filha nasceu, decidiram ingressar nesse ramo e ficaram sabendo que em Três Barras-SC havia gado para venda. “No início a gente tinha dois animais e adquirimos algumas novilhas, nosso plantel começou dessa maneira. Enquanto meu marido trabalhava empregado eu cuidava da leiteria. Naquela época o litro do leite era R$ 0,14. Muitas vezes pensamos em desistir, era outro tipo de manejo, outra realidade e as dificuldades eram muitas. Mais tarde, o Angelo também se dedicou a esse trabalho, que hoje é a nossa principal fonte de renda. Também plantamos milho, mas é para a alimentação do rebanho, que é tratado com silagem, pastagens em forma de piqueteamento e com a Ração Fibra”, diz Eliana.

A produção de leite diária na propriedade chega a 170 litros, com dez animais em lactação. “Com o tempo nos informamos e aprimoramos as técnicas de trabalho. Em 2015, conversando com outros produtores que entregavam leite para a Bom Jesus, decidimos trabalhar com a cooperativa. Fizemos uma reunião na comunidade com outras pessoas interessadas no assunto e a partir daí a Bom Jesus abriu uma linha do leite na região”, explica Angelo.

Para quem inicia a atividade, o casal adianta sobre o trabalho e dedicação. “É um serviço para ser feito em família, tem que trabalhar em conjunto e todo dia. É uma fonte de renda que chega todo mês, mas o resultado depende do seu trabalho, você que faz o seu salário. Tem gente que pensa que é só ordenhar o gado pela manhã e final da tarde e acabou o trabalho. Não é bem assim, tem que levar o gado para o campo, alimentar, limpar as instalações. Quem pretende ir para essa área deve ter a consciência de que não adianta ter o melhor plantel se não há instalações adequadas e boas pastagens. É preciso planejamento e dedicação”, comenta Eliana.

“No último ano plantamos milho, em outros feijão e soja. Mas estamos planejando aumentar a produção de leite e futuramente dedicar nosso trabalho nesse segmento. Para isso estamos construindo a sala de ordenha, adquirimos um silo, formamos nosso plantel só com gado jersey e também sempre participamos de palestras e cursos sobre o assunto. Também incentivamos nossos filhos a ficar no campo e dar continuidade ao trabalho, pois o leite é para trabalhar em família, é uma parceria. Caminhamos com passos curtos mas bem pisados”, diz o casal.

REGIÃO SUL
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul se preparam para ser referência na produção de leite do país. A região Sul já é a maior produtora de leite do Brasil e agora busca estruturar a cadeia produtiva, melhorando a sanidade dos rebanhos e a qualidade do leite que chega à mesa dos consumidores.
A intenção é fazer do leite o principal produto do agronegócio do Sul do país. E a chave para esse sucesso é aumentar a produtividade e a qualidade. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a perspectiva é de que o consumo de leite no país chegue a 220 litros/pessoa/ano em 2023 – 46,1 litros a mais do que é consumido hoje. O consumo total projetado para 2023 no Brasil é de 47,2 bilhões de litros de leite/ano e a produção estimada é de 52,7 bilhões de litros/ano.