Uma doença e o diagnóstico de nova vida

Sandra decidiu enfrentar a doença, sentindo-se curada. E com autoestima elevada, dando recado às outras mulheres, para que assumam suas carecas.

 

Para muitos, descobrir que algo não está bem em seu corpo é sinônimo de entrega e tristeza. Para outros, pode ser motivo para viver a vida intensamente, superação, fé, renovação, ressurreição. Como seria com você?

A Páscoa, aquela do calendário, acabou de ocorrer. Foi no final de semana passado… O seu significado, porém, de renovação, ressurreição, pode (e deveria) ser relembrado dia a dia, na vida de todos. Mas, talvez quem leve esse pensamento mais a sério seja aquela pessoa que se vê diante de uma situação temerosa, a perda da saúde, por exemplo.

Pode-se dizer que a busca pela “nova vida” aconteceu recentemente para a Soldado Sandra Caroline Nardin, integrante da 1ª Companhia Independente de Polícia Militar. Ela trabalha na corporação há nove anos. Para ser aprovada no concurso, precisou passar por três testes físicos. Obteve resultados satisfatórios em todos. Ou seja, estava saudável e apta para atuar como policial.

Mas, aqueles resultados de saúde satisfatórios não podiam prever o que ocorreria no ano de 2016. No final de novembro, Sandra foi arrumar sua cama e deu mau jeito na coluna. No dia seguinte começou a sentir dores e muita cólica no lado esquerdo da barriga. “Era domingo e estava muito mal. Na segunda-feira voltava das férias. Voltei a trabalhar e foram quase três semanas de dores intensas”, relata. Em consulta com um médico, foi encaminhada para exames.

“Você nunca acha que vai acontecer com você”, afirma. Com o resultado dos exames, o médico esperou o marido de Sandra entrar na sala para dar a notícia. “Olha, Sra. Sandra, a senhora está com um tumor bem agressivo que já obstruiu todo o seu intestino. A senhora tem que procurar um especialista com urgência para avaliar e ver o melhor a fazer”. Destas palavras, só se destacava na mente de Sandra “o tumor”. Passado o susto, a Policial diz ter enxugado suas lágrimas: “Havia pessoas que precisavam saber. Meu marido passando mal ao meu lado, minha filha aguardando no carro e minha mãe em casa, orando por notícias boas. Eu só pensava que tinha que ser mais forte do que a notícia que acabara de ouvir. Aí foi contar, enfrentar e correr pela minha vida”.

Após este momento, Sandra consultou o especialista, que lhe explicou todos os riscos e procedimentos que teria que fazer a partir daquele momento. Dois dias depois foi internada para, dois dias após, em 16 de dezembro, ser operada para retirada do tumor. “Tudo ocorreu dentro do esperado. Não necessitei da bolsa de colostomia e ao sair da UTI minhas incisões já estavam em processo de cicatrização. Graças a Deus, família e amigos que estavam em oração, deu tudo certo”, conta.

Sandra iniciou o tratamento em fevereiro, com ciclos de uma semana de quimioterapia e 21 dias de descanso, porém a medicação mexeu demais com seu organismo, causando muitos efeitos indesejados, como a alopecia (queda do cabelo). “Mas isso foi insignificante perto da busca pela minha cura. Terminando o tratamento que será perto de agosto, será vida que segue, com uma nova visão do mundo”, desabafa.

NOVA VIDA

Após a descoberta e enfrentamento da doença, a policial conta que sua vida mudou totalmente. “Sei que Deus tem um propósito para todos e para mim não foi diferente. A doença veio, mais virei o jogo e superei através da força que Deus me deu. Me sinto curada, ou melhor, já estou curada, agora só enfrentar as adversidades da quimioterapia e passar por essa como mais um aprendizado de vida”, diz.

Ela relata que a primeira coisa que pensou e pediu quando descobriu a doença foi pedir sabedoria e força a Deus para enfrentar e buscar a cura. “Ele me deu a cura em menos de uma semana, pois em menos de uma semana eu já não tinha mais o tumor em meu corpo. Nós temos que acreditar, ter fé, esperança e acima de tudo alegria, buscar tudo que nos faz bem, e Ele fará o resto”, relata.

Sobre a fé em Deus e a importância do apoio de amigos, familiares e conhecidos nesta situação, Sandra conta que teve apoio de pessoas de várias religiões e crenças. “Me fizeram sorrir mesmo não tendo muitos motivos. Mas sei que foi Ele que colocou em minha vida esses anjos. Agradeço a todos!”.

Essas pessoas, segundo ela, foram vitais em sua recuperação. “Tive muito apoio, até de pessoas que não faziam parte do meio em que vivia, que fizeram muita diferença no modo como via a doença e no que estava por vir”, relata. Um desses apoios veio do fotógrafo Gustavo Mafra, que possui um projeto de autoestima para mostrar que o que realmente importa é o querer estar bem. “É o que vejo todo dia no espelho, uma pessoa apesar do obstáculo, pois não vejo a doença e sim um obstáculo a mais que me foi dado e tenho que superar. E é isso que farei, com garra, fé, amor e a autoestima lá em cima”, afirma.

AOS DEMAIS

Sabendo que não são poucos os que enfrentam essa doença, e tantas outras que também abatem o paciente, familiares e amigos, Sandra deixa uma mensagem. “Não se deixe abater, a doença vem e só depende de você se entregar ou superá-la. Conheça sua doença, seu diagnóstico, para saber o que é melhor para você, e lembre-se que você está no comando de sua vida”.

Hoje Sandra dedica seu tempo a prolongar sua vida, faz o que tem vontade. “Tenho uma filha de 15 anos que quero ver se tornar adulta, um marido que quero envelhecer ao lado, uma mãe que amo e não merece ver mais um filho partir, além da família e amigos que merecem a minha atenção e amor. E acima de tudo quero fazer a diferença que gosto de pensar que vim ao mundo fazer!”, comenta.

“Enfrentem de cabeça erguida, sorriso no rosto, pensamento positivo que tudo se encaminhará. Deus é mais. Ah! E mulheres guerreiras, assumam suas carecas! Somos perfeitos aos olhos de Deus e isso é o que realmente importa!”, finaliza.