Agosto Dourado: mãe, seu peito vale ouro!

O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber nos seus primeiros anos de vida.

Amamentar salva cerca de 13% das crianças menores de 5 anos em todo o mundo. Mas, para que a mães tenham sucesso na empreitada, é extremamente importante contar com uma rede de apoio.

A amamentação ganhou um mês para chamar de seu: o Agosto Dourado. Serão 31 dias para intensificar o que precisa ser trabalhado durante todos o ano: a importância do aleitamento materno. Desde o dia 1º de agosto, várias ações espalhadas pelo País tratarão sobre o assunto mais importante da maternidade seguindo o lema da campanha “Todos Juntos Pela Amamentação”, demonstrando a importância de toda uma rede de apoio à mãe neste momento tão especial de sua vida e de seu bebê. No dia 1º de agosto também se iniciou a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que segue até o próximo dia 7.

MÊS DA AMAMENTAÇÃO

A mãe carrega ouro em forma de leite. A metáfora cabe perfeitamente neste caso. O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber nos seus primeiros anos de vida, sendo indicado até dois anos ou mais. “Sua superioridade orgânica o torna de melhor digestibilidade, sendo o alimento mais completo para promover o crescimento e desenvolvimento infantil. Crianças amamentadas também estão mais protegidas contra doenças infecciosas”, explica o nutricionista Anderson Carlos dos Santos, que trabalha na Maternidade Municipal Humberto Carrano e na Clínica da Mulher. Ou seja, a conversa de que existe leite fraco é puro mito!

O nutricionista também explica que a amamentação tem importância por salvar vidas e, ainda, pelo aspecto econômico. Amamentar salva cerca de 13% das crianças menores de 5 anos em todo o mundo. Economicamente falando, a mãe que tem sucesso na amamentação não precisa se preocupar em adquirir fórmulas infantis, aliviando o orçamento mensal da família.

Em todo o mundo, apenas 38% das crianças são amamentadas exclusivamente conforme as recomendações de entidades como a Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e Academia Americana de Pediatria: aleitamento materno exclusivo e em livre demanda até o sexto mês de vida. Até 2025, existe uma meta global para que, pelo menos, 50% dos lactentes recebam o aleitamento materno. Para atingir o objetivo, é necessário alinhar esforços que englobem equidade de gênero, direitos trabalhistas, nutrição e saúde, meio ambiente e desenvolvimento econômico. Depende de cada um o esforço para trabalhar juntos e promover a amamentação.

Ou seja: é preciso orientação, boas informações, apoio de todos os que convivem com a mãe e com o bebê. Amamentar não é fácil para a maioria das mulheres. Não acontece por simples instinto. É preciso aprender, ter paciência e receber informações de qualidade.

Na Lapa, a orientação e o apoio necessários podem ser facilmente encontrados na Maternidade Municipal, que tem uma equipe bastante capacitada para orientar as mães – mesmo as que não tiveram os seus bebês no local.

Aquelas que têm seus partos no local recebem atendimento todo voltado ao incentivo da amamentação. Desde o momento do parto, em que a criança é colocada em contato pele a pele com a mãe, estimulando a busca pelo peito, até os dias e meses seguintes, em que a puérpera pode enfrentar dificuldades em casa – como fissuras nos mamilos, seios empedrados e outras dificuldades. As mães que tiveram seus bebês em outras maternidades também podem buscar atendimento na Humberto Carrano. Segundo Thaís Cangussu Druss, enfermeira chefe da Maternidade Municipal, o local está de portas abertas para orientar qualquer mulher, independente de onde tenha tido o filho. A profissional explica que a equipe está treinada para orientar não só sobre a importância da amamentação, mas também para prestar auxílio àquelas que desejam amamentar e estão encontrando dificuldades.

DIFICULDADES

As mães que desejem amamentar e estejam enfrentando dificuldades podem e e devem procurar ajuda. Alguns dos problemas enfrentados, muitas vezes, são:

– Rachaduras no bico do peito: “Algo simples como a posição errada na hora da amamentação pode fazer com que a mulher apresente algum tipo de lesão ou inflamação no mamilo. Por isso, a melhor maneira de prevenir fissuras é levando o bico do peito à boca do nenê da maneira adequada”, explica a enfermeira Thaís. O bebê que consegue abocanhar grande parte da auréola materna tem condições de realizar uma sucção nutritiva, extraindo o leite com facilidade. Isso deixa o mamilo livre de lesões, ao mesmo tempo em que o bebê se mostra saciado, dorme melhor, fica mais calmo e ganha peso corretamente.

– Mamas empedradas: Nesse caso, é preciso esvaziar bem as mamas e não deixar de amamentar, pelo contrário, até mesmo aumentar a frequência das mamadas, inclusive à noite. “É importante retirar um pouco de leite antes da mamada para amolecer a mama e facilitar que o bebê pegue o peito. Porém, se o quadro piorar, é necessário procurar um médico”, recomenda Thaís, reforçando que na Maternidade Municipal a mãe é encaminhada ao profissional correto de acordo com a necessidade de cada caso.

– Pouco leite: Para manter uma boa quantidade de leite, é importante que a mãe amamente com frequência, pois a sucção é o melhor estímulo à produção do leite — quanto mais o bebê suga, mais leite a mãe produz. “Deve-se dar tempo ao bebê para que ele esvazie bem o peito em cada mamada. Se ele dorme bem e ganha peso normalmente, é sinal de que a quantidade de leite está sendo suficiente”, salienta a enfermeira.