Cenoura: alta produtividade evita prejuízos ao agricultor

Hoje, Dranka planta em média um alqueire no ano, com expectativa de colher 7 mil caixas de 30 quilos de cenoura, o que ele considera ser um recorde na região.

Baixo preço na hora da venda, no entanto, desestimula o produtor a continuar a plantar. Rever políticas relacionadas à agricultura poderia ser um caminho para melhorar o cenário.

Você sabia que uma das maiores produções de cenoura no Estado do Paraná é cultivada na região da Lapa? Sim! Na localidade do Núcleo Leiteiro! Um dos produtores da hortaliça na região é o agricultor João Dranka, que está há de 30 anos no ramo.

Ele conta que o investimento para plantar em um alqueire é de aproximadamente R$ 70 mil. Sua produção é encaminhada para a Central de Abastecimento do Paraná – CEASA, em Curitiba, e comercializada em diversos mercados, tanto no Paraná quanto em Santa Catarina e em Mato Grosso.

Hoje, Dranka planta em média um alqueire no ano, com expectativa de colher 7 mil caixas de 30 quilos de cenoura, o que ele considera ser um recorde na região.

Por um lado, o produtor diz se sentir satisfeito pela alta produtividade que está tendo na colheita. Mas, revela sua insatisfação com o baixo preço na hora da venda. Segundo ele, é necessário refletir mais sobre as políticas relacionadas a agricultura. “Não existe, hoje, política agrícola eficaz para a agricultura, para ver qual é o problema do agricultor. O agricultor tem o custo de produção, nós corremos contra o tempo, clima, aumento do preço do diesel e o nosso produto não é remunerado”, desabafa.

Ele mesmo cuida de todo o processo, desde o plantio até a colheita. O custo para produzir 30 quilos de cenoura é de R$13, sendo que está sendo vendido a R$10. Esse valor é praticado há quase um ano. “Não tem mais o que fazer na agricultura, por conta do alto custo de produção e da desvalorização do produto no mercado”, relata João.

O produtor ainda ressalta que quem planta batata e soja passa pelo mesmo problema, em função do custo alto de produção e dos prejuízos na hora de comercializar o produto.

João é produtor de hortaliças deste 1984. Na região da Lapa trabalha desde 2004 e, mesmo com a boa produção em sua lavoura nesta plantação, relata que pensa em parar de plantar. A solução, segundo ele, seria a prática de preço mínimo e preço máximo. “O mínimo que cubra o custo de produção nossa e que sobre para a gente sobreviver, e o máximo para que o consumidor não seja penalizado”, explica.

Outro motivo destacado pelo produtor foi que questões relacionadas ao clima, como o tempo seco, favoreceram o desequilíbrio do plantio há mais de dois anos em Minas Gerais, estado considerado o centro de produção de cenoura no Brasil. Isso fez aumentar o preço, pela pouca oferta do produto no mercado. Com o aumento da procura, consequentemente cresceram os investimentos de outros produtores para também cultivar a hortaliça, pois viram no setor possibilidades de crescimento econômico. Hoje a produção já se espalhou por diversos outros Estados.

LUCROS

João Dranka conta que, na produção de cenouras, não há lucros significativos. A hortaliça sai da lavoura custando R$10 a caixa de 30 quilos, deixando um prejuízo de R$3 por caixa, pois o custo na produção é de R$13. “Há pouco mais de dois anos a caixa de cenoura, com o mesmo peso, custava R$70”, ressaltou. Mas, mesmo assim o agricultor afirma ter um prejuízo menor do que outros produtores, pela quantidade de cenoura colhida em sua plantação.

COLHEITA

Para colher a safra, usa-se um equipamento no trator que afrouxa as raízes na terra e empreiteiros fazem a colheita, a limpeza e classificação das cenouras, depositam nas caixas que logo são carregadas nos caminhões e levadas para a CEASA.

O que chama a atenção é a quantidade de hortaliças que ficam na lavoura na hora da classificação. Uma pequena falha, seja na formação, no tamanho ou por corte na hora em que o trator passa, não permitem a comercialização. O controle de qualidade é acompanhado por João, e quem colhe recebe um treinamento para realizar o trabalho.

Sérgio Mendes, motorista do micro ônibus que leva os trabalhadores para a colheita, aproveita as sobras de cenouras que acabariam se perdendo para alimentar as vacas que possui na propriedade em que vive no Passa Dois. Toda semana chega a juntar até 10 caixas das hortaliças fora do padrão para comercialização.

CONSUMIDOR

Já para o consumidor, é a hora de aproveitar comprar cenoura com preço mais em conta. A hortaliça hoje custa em média R$1,69 nos supermercados da Lapa

Questões relacionadas ao clima, como o tempo seco, favoreceram o desequilíbrio do plantio há mais de 2 anos em Minas Gerais, estado considerado o centro de produção de cenoura no Brasil.