Soja 2017/18 tem potencial comprometido por problemas climáticos

No Centro-Sul paranaense, os municípios de Lapa e Guarapuava contam com lavouras recém plantadas.

No Paraná, são registradas situações de replantio, morte de reboleiras, doenças em função do excesso de umidade no solo e nova safra exige atenção e acompanhamento. Atraso nos trabalhos com a oleaginosa já acarretam atraso e preocupação com o milho safrinha.

O presidente da Aprosoja/PR, José Eduardo Sismeiro, destaca que safra 2017/18 da soja preocupa os produtores desde o início da temporada. A semeadura poderia estar bem adiantada não fosse a escassez e o atraso das chuvas no começo dos trabalhos de campo. O plantio começou entre os dias 20 a 25 de setembro, porém, alguns produtores da região oeste optaram por plantar mais cedo e tiveram que fazer replantio.

No Centro-Sul paranaense, os municípios de Lapa e Guarapuava contam com lavouras recém plantadas, já que iniciaram a semeadura mais tarde em relação aos demais. Em compensação, no noroeste do oeste do estado, tem regiões em que já foram aplicados até mesmo os fungicidas. Segundo Sismeiro, cada localização do Paraná é de um jeito. “É como uma onça pintada. Cada região é uma cor de terra, é uma maneira de plantar, uma época de plantio. Então, temos de tudo no Paraná,” comenta.

A falta de chuva foi um dos fatores que acarretou no replantio da soja de algumas lavouras. Além disso, a umidade no solo favoreceu a proliferação de bactérias e fungos, em que ocorreu a morte de reboleiras, as quais não compensavam ser replantadas. Ao mesmo tempo, tem lavouras que apresentam bom desenvolvimento, mas que agora precisam de alguns dias de sol – com chuvas intercaladas – para continuar avançando.

De acordo com o Deral (Departamento de Economia Rural), a previsão de produção da soja foi elevada para 19,508 milhões de toneladas. Para o presidente, porém, essa foi uma projeção equivocada. “É uma conta matemática, calculam o que vamos plantar pela a média do ano passado, sendo que na safra anterior foi uma média espetacular”, explica, acreditando em uma colheita de 16 a 16,5 milhões de toneladas no estado.

Neste ano, o Paraná que já plantou 5,5 milhões de hectares destinado à oleaginosa, se preocupa agora com o tempo para o cultivo da safrinha de milho, que contará, certamente, com uma janela mais curta. Assim, o potencial da safra pode ficar comprometido, além de poder apresentar uma redução de área.

Ainda na conta dos produtores, está a preocupação da possibilidade de ocorrência de um La Niña, o qual, ao se confirmar, pode acarretar em algumas adversidades climáticas para a safra paranaense, como costumeiramente acontece nos anos do fenômeno.

PREÇO

No mercado disponível, os preços para a soja giram em torno de R$ 62,00 a R$ 63,00 por saca. Já para o milho, a média tem se mostrado nos R$ 25,00 a R$ 26,00, e estes são patamares que não remuneram o produtor e, por isso, mantêm os negócios travados no estado.  “Se houver algum problema climático, a tendência será disparar o preço”, diz Sismeiro. “Hoje em dia, a ponta que compra e que produz estão correndo risco”, completa.