Uma artesanal dali, do Santo Amaro!

Rafael como bom consumidor, afirma saber apreciar e identificar a qualidade de cada uma das cervejas, com seu paladar apurado.

Visando fabricar cerveja com o que é produzido em sua propriedade, Rafael França, junto de seu sócio Frederico Virmond, iniciou o caminho da produção artesanal do líquido tão apreciado pelos brasileiros.

Existem aqueles que bebem cerveja, com frequência ou esporadicamente. E há os que se dedicam a fabricar o líquido, de forma industrializada ou de forma artesanal.

Na Lapa, Rafael França (natural de Curitiba) é proprietário de uma fazenda na localidade de Santo Amaro. Lá, há aproximadamente um ano, decidiu iniciar a produção de cerveja artesanal, junto de seu sócio Frederico Virmond.

No local, por enquanto, fabricam a cerveja da forma mais simples, com o cozimento dos ingredientes em panelas. O trabalho manual exige paciência e controle de todo o processo para garantir o sabor e a cor esperada.

“Dos vários tipos de cerveja, além do malte, lúpulo, levedura e água, existem outros que, no preparo, recebem ingredientes diferenciados, como frutas ou temperos. Estávamos com a ideia de produzir no campo, com as coisas que plantamos lá. Sempre plantei cevada, tentando produzir malte, mas não temos ainda como precisa ser. E meu irmão tem plantado lúpulo. Estamos tentando desenvolver este lado e tentado produzir com as coisas que temos na fazenda, ou ao menos aproveitando o que temos. São vários os tipos de malte, vários os tipos de lúpulo e diferentes estilos de cerveja. Então, a variedade de gosto é quase infinita e depende de como ocorre o processo de fabricação”, explica Rafael.

PROCESSO

França explicou como é o processo da fabricação. “Pega-se o malte – sendo que o principal malte é o feito da cevada. Com a diferença na torra da cevada se obtém um determinado tipo de malte. Quando você mistura o malte na água e deixa na temperatura certa, começa a surgir o amido na água e uma bebida muito açucarada. O lúpulo tem a função de dar o amargor da cerveja e, conforme a hora que for aplicado, pode se ter um aroma e sabor diferente naquela bebida. Depois que acaba a fervura, se aplica a levedura e ela vai transformar o açúcar em álcool. Dependendo da cerveja, pode se ter um nível de 3% de álcool ou 16 a 17% de álcool, como cervejas que são guardadas e descansadas”, ensina.

A cerveja artesanal chama a atenção por geralmente ficar muito saborosa, encorpada. Isso atiça a curiosidade de muitos para conhecer o processo e a importância de cada etapa, saber mais sobre as receitas, os ingredientes utilizados, a forma de cozimento, o descanso… Enfim, todo o processo até que se possa apreciar a bebida, curtindo todo seu sabor.

Rafael contou que, para produzir a bebida, buscou estudar a cerveja. E, como bom consumidor, afirma saber apreciar e identificar a qualidade de cada uma, com seu paladar apurado.

Segundo ele, a intenção é expandir o negócio, com as receitas formuladas a partir de todos os estudos e o conhecimento adquirido. Pretende levar suas receitas para uma estrutura de cervejaria produzi-la, como muitas outras marcas já fazem, e futuramente comercializar tanto em barris como em garrafas.

Atualmente, o trabalho na fabricação é basicamente manual. Ele explica aos interessados que, para uma pessoa começar a fazer a cerveja em casa, o investimento é considerado pequeno. Com a prática, pode ir melhorando os resultados, em sabores e tipos.

E por falar em sabores e tipos, França pode ser considerado um “descobridor” de sabores de cerveja. Neste ano viajou para a Bélgica e Inglaterra, especialmente para experimentar as cervejas produzidas lá. Já realizou inúmeras viagens para degustar as bebidas produzidas artesanalmente. Para ele, muitas pessoas podem ainda sentir-se inseguros em beber cerveja artesanal, mas a cada dia as cervejarias pequenas estão ganhando espaço e caindo no gosto de quem sabe o que é bom apreciar!

O trabalho manual exige paciência e controle de todo o processo para garantir o sabor e a cor esperada.