Entre fios e tecidos, a qualidade da alfaiataria

O casal Leonardo e Tereza trabalha junto no conserto e ajustes dos trajes. Ele com a máquina e ela na costura manual.

Uma das profissões mais antigas do mundo, que de forma artesanal e manual cria, costura e reforma roupas sob medida, é pouco encontrada atualmente.

Uma roupa com caimento perfeito, confeccionada com bom corte e em tecido de qualidade… Quem não gosta? Afinal, estar bem vestido, para muitos, não é frescura, é questão de apresentação pessoal, de bom gosto, de cuidado consigo mesmo.

Atualmente, o mais comum é o cliente buscar por roupas diretamente em lojas. Lá, encontra vestuário de qualidade. Mas, nunca encontrará um modelo igual aos que poderia encomendar diretamente com um profissional do mundo da costura. Atualmente, raros são os profissionais que trabalham desta forma, confeccionando peças sob medida, ao gosto do cliente. As costureiras estão cada vez mais raras… E, se elas não são vistas com tanta frequência como antigamente, o que dizer dos alfaiates?

A alfaiataria (masculina ou feminina) tem como traço marcante a busca contínua pela perfeição, respeitando sempre as particularidades e medidas de cada cliente. Cada peça é confeccionada exclusivamente de acordo com as preferências de cada um, assim, a qualidade fica em primeiro lugar para satisfazer as exigências de clientes que fazem questão de peças sob medida.

Muito mais voltados à moda masculina, os alfaiates criam ternos, calças, paletós e outras peças exclusivas para homens. A profissão é lembrada na data de 6 de setembro.

Na Lapa, quem busca roupas de qualidade, sob medida, com certeza conhece Leonardo Bubniaki, 84 anos de idade.

Seu Leonardo começou cedo a trabalhar como alfaiate. Desde os 17 anos se dedicou a aprender o ofício com seu irmão e passou a confeccionar os trajes na cidade vizinha de Campo do Tenente, onde morava, e depois no município de Rio Negro, onde concluiu o seu aprendizado. Há 46 anos, Leonardo e a esposa Tereza chegaram a Lapa. Ele passou a confeccionar os ternos e comercializar os trajes da Loja Renner, ali no centro histórico do município.

Hoje, Leonardo não atua mais como alfaiate, mas pratica o que aprendeu, fazendo ajustes e arremates nos trajes, para os clientes da loja. Seu Leonardo trabalha com a máquina, enquanto a esposa faz a costura manual das peças. O casal conta que ainda há grande procura pelo serviço.

“As confecções em série e exportações tomaram conta do mercado e a profissão de alfaiate está sendo deixada de lado pelas novas gerações, ninguém mais procura aprender a alfaiataria. Para fazer um terno hoje, o valor sai quase o dobro de uma confecção pronta, por conta da mão de obra”, conta o casal.

Dona Tereza explica que a entretela (um aviamento essencial para quem trabalha com moda sob medida, utilizada para encorpar e estruturar peças como cós de saias, camisas, casacos e blazers) na alfaiataria é costurada a mão, já nos ternos feitos em fábricas elas são coladas.

Por conta desta mudança no mercado de trabalho, no mercado de produção e busca pela diminuição de custos, os alfaiates acabam sendo encontrados mais costumeiramente em lojas de departamento, fazendo consertos em roupas. Há quem diga que a tecnologia é uma grande inimiga da profissão, pois sinaliza a extinção da arte de fazer roupas manualmente.

Tempos outros. Mas, para quem tem possibilidade de arcar com os custos superiores de um traje feito pelo alfaiate, esta ainda é a melhor escolha para estar bem vestido!