Prevenção ao suicídio deve começar dentro da escola

Por ano, cerca de 11 mil pessoas entre 15 e 25 anos tiram a própria vida no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde.

Desde 2015 Setembro é considerado o mês de prevenção do suicídio. O assunto ainda é tabu, por isso é urgente conscientizar as pessoas deste problema tão grave. É um mês que busca criar conversas sobre o assunto, deixar as pessoas que sofrem com pensamentos suicidas saberem que elas não estão sozinhas e que a morte não é solução.

Insultos sobre cor de pele, peso, trejeitos, condição social. Na adolescência, essas são algumas das características usadas para a prática de bullying no ambiente escolar. Contudo, por trás desses atos, especialistas acreditam estar um índice preocupante: o suicídio entre jovens.

Por ano, cerca de 11 mil pessoas entre 15 e 25 anos tiram a própria vida no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. O autoextermínio é a quarta causa mais comum de mortes na faixa etária. Quem trabalha na prevenção do problema defende a necessidade de debate aberto nas escolas sobre o tema.

A ideia foi defendida na sexta-feira, durante o 8° Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio, realizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), em Belo Horizonte. Voluntários e profissionais trocaram experiências baseadas nos atendimentos feitos a pessoas que procuraram o serviço em busca de ajuda neste momento delicado.

PEDIDO DE SOCORRO

Uma das histórias era de um jovem do Paraná que já havia contatado o CVV 17 vezes pedindo socorro, pois pensava em tirar a vida devido aos ataques que sofria por ser homossexual.

Para Adriana Rizzo, voluntária do programa, é preciso que gestores da educação e profissionais da área pensem em formas de trabalhar o tema nas escolas, sem tratá-lo como tabu, já que faz parte dos problemas juvenis.

“Esse é o ambiente em que temos mais incidência do bullying. Isso vai gerar no indivíduo adulto uma série de coisas. Porque quem comete o suicídio tem uma história, não é algo que surge do nada”, opinou Adriana.

OUVIR E ACEITAR

A psicóloga Andrea Monteiro é uma das coordenadoras, em rede nacional, do Amigos do Zippy, projeto que já atendeu 283 mil crianças em 101 municípios brasileiros.

O programa é aplicado nas séries iniciais do ensino fundamental e compreende contação de histórias sobre um bicho-pau chamado Zippy que enfrenta problemas da adolescência. Exemplos são amizade, comunicação, solidão e bullying.

“Estamos falando com crianças e adolescentes de um processo de aceitação. Afinal, nessa fase é comum que os alunos tenham dúvidas, comecem a se descobrir como pessoas. E, muitas vezes, eles não têm com quem falar sobre os problemas”, afirmou Andrea.

A assistente social Kátia Dalmaz, da Lapa, viu de perto o impacto de ações como essa em escolas do município. “Em algumas aulas, professores dedicaram tempo para que os estudantes falassem sobre o que quisessem da vida. E dali surgiram histórias maravilhosas, nas quais muitos deles compartilhavam os medos e tudo o que sofriam, muitas vezes, por atitudes de colegas da própria sala”, contou.

CVV

O centro de valorização da vida é reconhecido como Utilidade Pública Federal desde a década de 1970. É uma organização sem fins lucrativos e filantrópica que busca dar apoio emocional e prevenção do suicídio para quem precisa. Desde 2015, é possível entrar em contato através do telefone, de maneira gratuita. Basta ligar para o número 188 ou 141 (no caso dos estados do Maranhão, Paraná, Pará e Bahia). O atendimento é anônimo e realizado por voluntários que guardam sigilo. O Setembro Amarelo foi idealizado pelo CVV em 2015 e o mês escolhido é setembro pois é o mesmo mês do Dia Mundial para Prevenção do Suicídio, realizado no dia 10 de setembro.

COMO FALAR COM SEU FILHO

Buscando prevenir o suicídio e promover o diálogo, confira os onze passos possíveis para falar com seu filho sobre o assunto:

1) Pergunte o que seu filho sabe e o que pensa sobre suicídio, sem julgar ou dar sua opinião pessoal;

2) Lembre-o que o suicídio é algo permanente, não há volta, e que sempre há uma outra maneira de resolver uma dificuldade pela qual passamos;

3) Mostre disposição para ajudá-lo a lidar com suas dificuldades focando em soluções, ao invés de sermões;

4) Mostre que você o ama incondicionalmente. Diga que você pode não concordar com alguns de seus comportamentos ou ideias, mas que isso não altera o seu amor por ele;

5) Pergunte, com calma, se ele tem tido pensamentos de morte. “Muitas pessoas que estão deprimidas ou tendo dificuldades podem pensar em tirar suas próprias vidas. Isso tem passado pela sua cabeça?”;

6) Fale por que você está preocupado. “Sei que você está dizendo que está bem, mas estou preocupado. Você está passando menos tempo com seus amigos, e não está querendo praticar seu esporte favorito. Você não parece estar bem ultimamente, então eu só queria verificar com você. Como você está?;

7) Não tente resolver o problema do seu filho dizendo o que ele deve fazer, ouça-o atentamente. Às vezes, eles precisam apenas ser escutados de forma ativa e não que você resolva tudo naquele momento;

8) Repita de volta o que você está ouvindo e, em seguida, pergunte se ele se sentiu ouvido da maneira que ele gostaria. Quando os filhos sabem que não estão apenas sendo ouvidos, mas também escutados ativamente e que a mensagem foi compreendida, é mais provável que compartilhem mais. Evite a tentação de resolver o problema de forma imediata. “Então você está me dizendo que está triste porque terminou o namoro com a garota que gosta, é isso?”;

9) Lembre-o de que ele não está sozinho, apesar de se sentir assim;

10) Dê exemplo de algum momento em que você também passou por algo parecido, mas conseguiu encontrar uma solução;

11) Ofereça a ajuda de um profissional psicólogo para auxiliá-lo a superar momentos difíceis e a encontrar possíveis soluções para o problema.

Lembre-se: Quando os filhos estão passando por dificuldades, eles precisam mais do nunca de seus pais.