Comunidade do Capão Bonito comemora 90 anos

História de fé e união. A Capela da região tem como Padroeira Nossa Senhora da Luz, fazendo parte da Paróquia de Santo Antônio da Lapa, Diocese de São José dos Pinhais. O dia 1º de novembro marca o início das atividades religiosas na comunidade.

Embora não existam registros exatos, acredita-se que desde o século XIX já houvessem moradores na região de Capão Bonito, na Lapa, que fica a aproximadamente 15 quilômetros de distância do centro do município. Sabe-se que a comunidade passou a existir a partir do desmembramento do quarteirão, assim chamado no passado por agregar diversas regiões. Com a separação, passou a se chamar Capão Bonito, pois ao centro do local havia um capão de mato muito bonito.

No ano de 1928 foi construída ali a primeira capela católica, de madeira e medindo 20m2. Naquele ano aconteceu a primeira celebração: um terço rezado em 1º de novembro. A primeira missa aconteceu um mês após, em 8 dezembro, celebrada por Monsenhor Lamartine Correia de Miranda. Desta data em diante a comunidade católica da região passou a se reunir na pequena igreja do Capão Bonito. Com o apoio dos padres da época e com a união e boa vontade dos moradores, a localidade foi crescendo. Dez anos mais tarde, no ano de 1938, uma igreja maior foi construída no lugar da primeira, com 63m2, também de madeira, oferecendo mais conforto aos fiéis. A igreja recebeu doações de terrenos no entorno. E os trabalhos pastorais tiveram inicio em 1942, quando foi escolhida a 1ª comissão da capela. Segundo o morador José Hamilton Krainski Pinto, o terreno onde está a igreja foi adquirido através de uma doação do falecido Frederico Pinto e, mais tarde, foi adquirido mais um pedaço de terra, sendo que há projetos de aumentar a área ao entorno para melhor atender as pessoas que visitam a comunidade.

No mês de novembro de 1945 a comunidade recebeu a visita de missionários, época em que foi feito o Cruzeiro que existe até hoje à margem da estrada principal, na PR 433. “Eles (os missionários) visitaram a comunidade e colocaram o cruzeiro. Na oportunidade recebi o sacramento da primeira comunhão”, relata Maria Sass Krainski, moradora da comunidade.

No ano de 1948, a Capelinha com a imagem de Nossa Senhora passou a visitar as famílias. A comunidade crescia e uma nova capela foi planejada e construída no ano de 1955, com 112m2 e uma torre de 14m de altura. No ano seguinte foram adquiridos o sino, o crucifixo, castiçais e os quadros da via-sacra, que pertenceram a Capela onde hoje está o Santuário de São Benedito da Lapa. Verdadeiras relíquias, muito bem conservadas e utilizados até hoje na comunidade do Capão Bonito.

Percebe-se, então, que se trata de um povo fervoroso. Eles iniciaram a catequese no ano de 1955. As moradoras Maria Sass e sua irmã Amélia Sass fazem parte de uma das famílias mais tradicionais na região e foram as primeiras catequistas a preparar a primeira turma da catequese na época.

Até o ano de 1966 veio a construção de um barracão e a fundação do Apostolado da oração até o ano de 1966.

NOSSA SENHORA DA LUZ

Em 4 de novembro de 1968, uma fatalidade marcou a caminhada da comunidade. Um furacão comprometeu toda a estrutura da capela e, no dia 13 de setembro de 1970, uma nova igreja foi inaugurada. A nova capela recebeu o nome de Nossa Senhora da Luz, padroeira da comunidade. Monsenhor Henrique Falarz foi o idealizador do projeto e fiscalizou toda a obra, que tem sua fundação feita toda de pedra. “O Monsenhor vinha fiscalizar, se tivesse alguma coisa errada chamava a atenção para que se fizesse da maneira correta”, comentou Paulo Pacheco, que deste os sete anos de idade atua na comunidade.

Em 8 de setembro de 1990 ocorreu a benção e a introdução do Sacrário, pelas mãos de Dom Ladislau Biernaski. As atividades pastorais continuaram, obras e benfeitorias foram realizadas tanto na Capela, assim como a construção de um novo salão de eventos, propiciando receber mais pessoas.

Em 30 de novembro de 2013, após uma importante reforma, a Capela foi reinaugurada. Houve a ampliação do interior da igreja, mantendo as características originais do projeto feito por Monsenhor Henrique.

José Hamilton Pinto Krainski, Ministro extraordinário da comunidade (MAC), comenta que com o crescimento sentiu-se a necessidade de melhorar a estrutura para as famílias se reunirem. Destaca o apoio recebido de todos e a união das pessoas. “Todos são aceitos e se ajudam, o que enriquece e enobrece o trabalho e os resultados. Estamos todos contentes com as diversas pastorais, o número grande de catequistas, ministros, animadores. Temos a juventude ativa participando e ajudando. A nossa estrutura, o barracão de eventos para as nossas festas e também onde se realizam festas de casamento”, explica.

“Um fator importante que contribuiu e ainda contribui no desenvolvimento do lugar é o estádio de futebol Santa Cruz, que há quase 50 anos foi fundado. O esporte ajudou na integração e na participação da juventude nos serviços na comunidade e também da igreja, pelo trabalho conjunto que realizam”, revela José Hamilton.

LIVRO DA COMUNIDADE

Uma grande parte da história do Capão Bonito está registrada em um livro que começou a ser escrito há muitos anos. Paulo Pacheco conta que seu pai, José Maria Pacheco, teve a ideia de registrar os momentos importantes da comunidade junto ao amigo Antônio Gol. “Com o passar dos anos e por questão de saúde meu pai passou para a filha Lenira, minha irmã, para   continuar a registrar os fatos e no futuro outra pessoa assumirá o compromisso”, explica Paulo. Ele atuou como ministro da eucaristia, no grupo de jovens, liturgia, pastoral do batismo e continua firme na caminhada.

MORADORES

Estas são algumas das pessoas que viram o Capão Bonito crescer. Já outras chegaram e foram bem acolhidos, fazendo morada. É o caso de Casemiro Krupa, natural do munícipio de Contenda e morador na localidade desde 1980. Foi na igreja que iniciou boas amizades, exerceu atividades pastorais e continua contribuindo também nos eventos. “Gosto de trabalhar aqui, pois todos se ajudam. Enquanto puder não desisto, é muito bom ajudar na comunidade”, conta Casemiro, que é muito requisitado quando se trata do assado de costela para as festas e na receita do quentão, bebida típica das festas juninas que a comunidade realiza todos os anos.

Claudio Silva Soares mora na região desde o ano de 1999 e relatou que foi muito bem acolhido e assumiu a comissão da igreja no ano de 2002. “Por cinco anos trabalhei junto aos demais integrantes da comunidade, buscamos o crescimento através de muita união, fortalecendo ainda mais os serviços na igreja. Neste período foi construído um novo barracão. As novas comissões finalizaram o salão de eventos. A comunidade está de parabéns, a luta foi muito grande por todos e é uma satisfação muito grande estar nesta comunidade, pelo acolhimento que tive aqui”, destacou.

O Coordenador da Catequese, Davi Cachimarque Pinto, participante assíduo do grupo de jovens e incentivador nos serviços da igreja relata o seu orgulho em vivenciar este momento tão especial que é a comemoração dos 90 anos da comunidade. “O aniversário em 1º de novembro coincide com o aniversário de 30 anos de morte de Monsenhor Henrique, celebrado no mês de outubro. Isso marca a nossa comunidade, pois ele foi muito importante para nossa igreja.  Vivemos sempre uma evolução, buscamos melhorar, trabalhamos unidos, buscamos a participação de todos, desde os mais novos até os mais velhos, a experiência é a herança deixada. É um motivo de muita alegria para todos nós celebrar estes 90 anos de história e queremos ajudar para que venham mais 90 anos pela frente. O Capão Bonito é a nossa casa, temos orgulho de morar e viver aqui. É uma satisfação atuar nesta comunidade. Hoje temos duas festas anuais, aqui acontecem retiros pastorais, formações, grupos de jovens, buscamos estar atuantes, chamar os jovens para a igreja, pois são futuro da nossa comunidade”, explica.

Todo domingo, às 9h, acontece a celebração da palavra. As missas acontecem conforme o cronograma da Paróquia de Santo Antônio da Lapa.

Há muito o que contar sobre a comunidade, tudo sempre envolvendo muita fé, trabalho e união dos moradores.