Base Nacional Comum Curricular – bem ou mal, teremos que engolir

Na última semana comentei sobre a evolução do ensino e comparei esta evolução com a substituição da máquina de escrever pelos computadores. Para quem não leu, basicamente a situação na década de 90 era que todos os escritórios eram equipados com máquinas de escrever, e existia toda uma cadeia de peças e suprimentos para elas. Até mesmo um curso de datilografia, bastante considerado. Mas já começava a aparecer no mercado os primeiros computadores, que na época eram ainda uma promessa, pois sempre davam problemas, eram complicados, caros, e assim por diante. Mas o uso dos computadores prevaleceu, por vários motivos que hoje parecem lógicos – mas na época não convenciam todo mundo.
Penso que estamos na mesma fase da educação. Temos um sistema antigo instalado, com toda uma estrutura baseada no mesmo, e por outro lado temos a visualização de algo novo e bastante mais avançado. É de se esperar que a exemplo da máquina de escrever e computador, teremos alguns problemas na transição, e os primeiros momentos de um eventual novo sistema tenha mais problemas que soluções – talvez até estimulando saudosistas a voltar no sistema antigo.
Mas faltou algo na comparação. Na década de 90, existiu uma outra inovação, que para alguns escritórios foi ótima, apesar de temporária, e para outros só gerou problemas: a máquina de escrever elétrica. Ela surgiu junto com o computador, e pretendia melhorar a tecnologia antiga. Mas já era uma tecnologia ultrapassada.
Bem… desde 2014 (ou 2015, não tenho muita certeza) tem sido discutido um novo modelo de educação para o Brasil, que começa a ser implantado no ano que vem. Sim… alunos que entrarem na sexta série em 2019 já irão ser guiados pelas novas regras.
Por um lado, sabemos que é realmente necessária uma mudança drástica na educação. Só que o foco, como falei na semana passada, deveria ser no autodidatismo e na compreensão de textos, pois conhecimentos estão cada vez mais acessíveis, mas falta entendimento por parte de quem lê o conteúdo.
A mudança proposta pelo governo contempla isso? Não.
Mas a intenção é melhorar o sistema atual? Sim, mas a mudança está tão nebulosa que pelo que pude compreender do assunto, nem mesmo as secretarias estaduais de educação sabem como será o novo sistema – e isso faltando cerca de meio ano para começar.
Esse novo sistema teve um certo debate entre a população (mas confesso que com pouca divulgação), e foi elaborado em etapas. A última etapa, que trata das questões de ensino regionais, ainda está em discussão, e pode ser acessada por qualquer cidadão.
Pessoalmente acredito pelo pouco que pude levantar que terá alguns benefícios e alguns prejuízos. Em outras palavras, o Governo tenta nos vender uma máquina de escrever elétrica. Esperemos que pelo menos em nosso município isso seja um avanço.

 

Dartagnan Gorniski

Dartagnan Gorniski

*Dartagnan Gorniski é empresário e professor, e nas horas vagas dá palpites sobre tudo o que vê pela frente.
Entre em contato com Dartagnan Gorniski: floramonteclaro@gmail.com