BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

Jesus Cristo, logo de pronto, com a sua doutrina, enfrenta oposição por parte de quem tem fé, ensino e confissão que adversa de Sua doutrina e pregação. O que não deveria, porquanto, não há necessidade de lei que proíba a assertiva consoladora dEle: “bem-aventurados os misericordiosos!”. Mas a convocação às obras boas e às obras de misericórdia – Mt 25.35-37, é um artigo que a gente santa de modo arrogante de sua época não conhecem – e nem queriam reconhecer. Em relação há elas há, somente, ‘gelo e frieza’, um coração ‘duro como pedra’ e não há um ‘pingo de sangue’ em suas veias que tivesse prazer ou amor para fazer o bem à pessoa próxima. Na gente sem misericórdia não há nenhuma clemência para perdoar pecados. Elas se preocupam, unicamente, com a sua ‘barriga’ e sua auto justificação. Por vezes na gente santa ao modo da busca da auto justificação, que são pecadoras notórias, há mais misericórdia do que nelas. Aliás, nem poderia ser diferente, porque elas enaltecem, somente, a si mesmas e se consideram a únicas verdadeiramente justas e misericordiosas. E, em virtude disso, elas desprezam ‘todo mundo’ como se nada valessem, e pensam que o mundo inteiro deveria servir, somente, a elas e lhes dar o suficiente, enquanto elas não teriam a obrigação de dar alguma coisa a alguém ou de lhes prestar algum serviço corpóreo, de graça.
É evidente e notório que a pregação e o ensino de Jesus Cristo geraram e suscitam reação dupla: aceitação e rejeição. A prédica e a admoestação dEle são desprezadas e ajuizadas com inúteis entre as pessoas cuja santidade é auto produzida. Razão pela qual, somente, se encontram e podem ser ajuizadas pessoas discípulas de Jesus Cristo aquelas que estão ligadas a Ele pela fé em Sua prédica e doutrina. Elas não têm e nem reconhecem nenhuma santidade própria, mas são pobres, miseráveis, mansas, verdadeiramente famintas e sedentas, conforme os versículos anteriores ao presente versículo de Mateus capítulo cinco.
As pessoas bem-aventuradas segundo e conforme a doutrina de Jesus Cristo socorrem a qualquer pessoa em sua necessidade e são compassivas, por graça e fé. E, em razão disso, como consequência concreta do doutrinado por Ele – ‘bem-aventurados os misericordiosos’ – vale a consoladora promessa: ‘alcançarão misericórdia.’ Aliás, felizes, ditosas, dignas de serem honradas são as pessoas verdadeiramente misericordiosas. Elas têm e encontram junto a Deus, por meio de Jesus Cristo, pura misericórdia, cá e lá, apesar da rejeição e cruz. E, a misericórdia que elas têm e encontrarão excede, indizivelmente, em muito, a toda a boa obra e misericórdia humanas. Porquanto, ainda que seja muito importante, a nossa misericórdia não é comparável à misericórdia de Deus em relação a nós em e por causa de Jesus Cristo. E, os nossos bens terrenos e terrenais não são comparáveis aos bens no Reino dos céus. Certo.
É agradável a Jesus Cristo que as pessoas que O ouvem com fé tenham certeza de que Ele se compraz tanto com nossa obra de misericórdia em benefício da pessoa próxima que por um centavo investido em amor a quem nos cerca não ficará sem ser notado por Deus. Ainda que, obviamente, as obras de misericórdia realizadas não conquistem a misericórdia divina que nos perdoa por graça mediante a fé em Jesus Cristo. Um gole de água dado a uma pessoa sedenta, em amor e misericórdia, não garante o Reino dos Céus, mas, não deixa de ser visto e notado pelo Deus eterno que quer que cada um de nós seja misericordioso/a, de verdade.

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
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