DESCANSO E LIBERDADE

O resgate positivo do que deve ser realizado no dia de descanso tem consequências positivas e reais para o convívio das pessoas, ainda que não seja possível dimensionar as graças espirituais. Pois, quando o relacionamento com Deus é valorizado, o individualismo é enfrentado. Nós, na verdade, passamos a ter dificuldades com o dia de descanso, quando tudo o que somos e temos é medido pela eficiência, rendimento financeiro, prestígio, fama, prazeres objetivos. Aí ser criativo e dinâmico passam a estar, estreitamente, ligados ao corpo e à corporalidade. Na compreensão real do dia de descanso está em jogo o próprio ser humano com toda a sua dignidade e valor que Deus lhe concedeu. E, quando esquecemos o cuidado com a alma e a espiritualidade, estamos na imanência de nos tornar escravos de nós mesmos e dos demais semelhantes. Pois, a vida é mais do que ter e possuir o que é transitório e terreno.

O terceiro Mandamento contribui para a reflexão acerca da necessidade de proclamar libertação, pois ele nos questiona: até que ponto o ser humano é liberto ou escravo? É um assunto que exige muita paciência e criatividade reflexiva. Infelizmente a nossa tendência puramente terrenal deixar de significar os Mandamentos de Deus ao modo dEle. Eles, na verdade, quando obedecidos, marcam história, como diz Dt 10.13, “para o teu bem.” Eles incluem e envolvem, quando cridos, gente na história da salvação e na grandeza da ação de Deus em nosso favor. A observância do terceiro Mandamento, por exemplo, quando correta, convoca ao amor, à esperança e à gratidão pelo que Deus é e faz por nós, mas não só. Ela nos desinstala quando analisamos os resultados reais do existir alienando de Deus.

A obediência da fé ao modo do ensino de Deus em Seus Mandamentos é uma dádiva que enriquecia a vida da gente, como algo agradável e aprazível. O dia de descanso nos chama, portanto, à benevolência e faz perguntar acerca do lugar e espaço da Palavra de Deus no nosso viver e interagir com o todo da criação. Deixar de trabalhar por um dia significa uma confissão: tudo pertence a Deus e nós somos transitórios. Urge perguntar pelo sentido que Deus dá e quer dar à nossa vida, hoje e aqui. Mais. O que subsiste sem a bênção de Deus?

Durante o exílio, Israel, fez do guardar ou santificar o dia de descanso um sinal de sua identidade (Ez 20.12). E, a cristandade confessa, fundamentado na doutrina da justificação por graça mediante a fé em Jesus Cristo, lembrando da ressurreição de Jesus Cristo dos mortos, no domingo, em nosso favor, o conteúdo cristológico: é o dia da libertação do pecado, da morte, do diabo e de todo o mal. Melhor. Haverá recompensa pelas boas obras, ajuizadas por Deus como tais, cá e lá. Contudo, já que não podemos dimensionar, objetivamente, os benefícios presentes de Deus na alma e no espírito, tendemos a nos concentrar no imanente. Pena.

O dia de descanso torna-se, portanto, uma tarefa para nós: a de agirmos criativamente para fazermos sentir a beleza e experimentar a misericórdia de Deus em nosso favor por graça e fé em Jesus Cristo. Pois, é Deus quem quer encontrar-se, constantemente, com as pessoas por Ele criadas, a fim de ensinar e estar em comunhão com elas. O dia do Senhor revela o valor que Deus nos dá e com que dignidade Ele nos agracia, cedendo espaço livre para confiar e aceitarmo-nos mutuamente. Devemos, em verdade, considerar santo este dia e gostar de celebrá-lo com alegria e amor. Deus quer ter espaço no nosso coração com a Sua Palavra.

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
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