ESPECIFICIDADE

Quando a autoridade espiritual é combatida e jaz em ruínas, o povo sofre, do governo ao lar. Em contrapartida, se e quando ela é exercida de forma condigna o adultério, a incastidade, a usura, a injustiça, a mentira, a luxúria, a má-fé e todo o pecado e vergonha públicos são, rigorosamente, punidos e denunciados. Aliás, como fica a situação se Deus e Seus Mandamentos nada nos representam? Se na sociedade e na Igreja a autoridade espiritual é desleixada não se promovem: a iniquidade, a justificação do pecado, o abuso de poder?  Não havendo quem cuide do povo seduzido no sentido de que Deus o líder e pastoreie, o pai da mentira fará ‘festa e história’ entre nós. Aliás, quem ainda detém a liderança do diabo, hoje?

Como haveremos de ter um mundo e dias melhores ao modo de Deus se a autoridade espiritual é mundana e carnal? Por um acaso, não resulta daí que pessoas se auto intitulam liderança? Acaso o diabo não é o autor e o agente das blasfêmias, iniquidades e transgressões, as mais repugnantes possíveis? A autoridade espiritual e o poder secular, cada um deles cumprindo o seu ofício e sua incumbência, não tornam o mundo um paraíso, mas, sim, contribuem, objetivamente, para que a justiça e a verdade reinem entre nós. A história bíblica revela o quão perigoso é quando o poder secular e, sobretudo, a autoridade espiritual pratica injustiça. Se ela não prega a fé que Deus quer que inspire a nossa vida, o homicida e pai da mentira o fazem. E, o preço que cobram por seus ‘benefícios’ são mais amargos que o puro fel.

A obra do poder secular é proteger os súditos, punir o furto, o roubo, o adultério. Em Romanos 13.4 lemos: “Não é sem motivo que ela porta a espada. Nisto ela serve a Deus, para o temor dos maus e para o bem das pessoas retas.” O poder da autoridade secular, aja ela justa ou injustamente, não pode prejudicar a alma, mas unicamente os bens e a honra, a não ser que queira instituir, publicamente, que se pratique injustiça contra Deus ou contra pessoas, como antigamente, fez. Sofrer injustiça não arruína a alma de ninguém, mas, sim, a melhora, mesmo que cause prejuízo ao corpo e aos bens materiais. Praticar injustiça, porém, corrompe a alma, ainda que nos acumulasse todos os bens da terra. Esta é a razão por que não há tanto perigo no poder secular como na autoridade espiritual quando ela pratica injustiça ou a encobre por causa de benefícios e proveitos a curto e longo prazo.

O poder secular não tem nada haver com a doutrina de Jesus Cristo, a pregação e a fé ao modo dos três primeiros mandamentos. A autoridade espiritual, entretanto, causa prejuízo não só ao proceder injustamente, mas, também, quando negligencia o seu ministério e faz outras coisas, ainda que sejam melhores do que as mais excelentes obras do poder secular. Por isso mesmo devemos oferecer-lhe resistência quando não procede em conformidade com o seu ministério, porém não ao poder secular, mesmo que proceda mal. Porque o último não se opõe à liderança e ao senhorio de Deus na nossa vida, mas o primeiro sim.

Pouca gente se conscientiza acerca da praga que é quando a autoridade espiritual bajula o poder secular em busca de favores – Is 3.1ss.; Ez 14.13ss. Terrível é quando o poder secular combate a Palavra de Deus. A autoridade espiritual, sempre, tem em vista a honra, a disciplina, as virtudes divinas e a bem-aventurança das almas, quer o creiamos ou não.

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
Entre em contato com Pastor Airton Hermann Loeve: pastor.air.ton@hotmail.com