Falso Testemunho

O oitavo mandamento – não dirás falso testemunho contra o teu próximo – parece pequeno e insignificante em seu significado e desdobramentos. Mas ele é tão grande que quem quiser observá-lo corretamente precisará arriscar e pôr em jogo o corpo e a vida, os bens e o prestígio, os/as amigos/as e tudo o que tem. Não obstante, este mandamento não abrange mais do que a obra do pequeno membro do corpo que é a língua. E, reza, em linguagem objetiva: dizer a verdade e contradizer a mentira onde for necessário. Por um lado, ele condena, rejeita e reprova as obras más que se dão via silêncio da língua.

Transgride o oitavo Mandamento com a fala quem tem uma causa má perante as autoridades e procura defendê-la e promovê-la com argumentos e provas mentirosas e dolosas. Peca contra Deus a pessoa que enleia, habilmente, o próximo, alegando tudo o que embeleza e favorece a sua própria causa nas inter-relações e no tribunal. Igualmente, quem omite e diminui tudo o que contribua para a boa causa do seu próximo. Deus, o criador do/a próximo/a, não quer que nós tiremos proveito das causas levadas ao tribunal, por exemplo, sendo injustos/as. Sem dúvida é uma praga para a vida e o convívio humano quando as pessoas não são determinadas pela verdade, ainda que ela nos prejudique, por vezes, muito.

A vida humana e os inter -relacionamentos se tornam difíceis – para usar uma palavra amena – quando, uma pessoa é testemunha falsa, com o intuito e a vontade de fazer sucumbir a causa justa do próximo, lesando-o. Deus não quer que o mal e a pessoa má sejam aduladas, favorecidas e bajuladas por que são amigas, vizinhas, parentes ou em troca de benefícios os mais diversos possíveis. A verdade não deve ser silenciada, omitida ou desconsiderada, mesmo que isto prejudique pessoas que nos são amigas, por exemplo. Jamais uma pessoa deveria se ‘vender’ em troca de favores quaisquer que sejam. A pessoa que responde ao mandamento de Deus da forma como o SENHOR se dirige a nós tem muitas boas obras possíveis de realizar. E, não ser uma testemunha falsa é, sem dúvida, uma obra elevada, grande e rara. Ou não?

Além do nosso próprio corpo, do/a cônjuge e dos bens temporais, temos outro tesouro que também não podemos dispensar, a saber, honra e boa reputação do/a próximo/a! Pois importa não viver entre os/as semelhantes em pública desgraça, desprezado/a por todos/as. Porque Deus não quer que se tirem ou diminuam a reputação, o bom nome e a retidão do/a próximo/a, exatamente assim como não quer que lhe/a tiremos ou diminuamos dinheiro e bens, a fim de que esteja em honra diante de sua mulher, esposo, filhos/as, empregados/as e vizinhos/as. O sentido mais imediato deste mandamento, segundo a letra, refere-se ao foro público, onde um/a pobre inocente é acusado/a e oprimido/a por falsas testemunhas, para ser castigado no corpo, nos bens ou na honra, injustamente.

Deus mira, pois, em primeiro lugar, a que cada qual ajude o/a próximo/a no sentido de lhe garantir o seu direito. Não permitindo que seja obstaculizado ou torcido, mas há de promover-lhe o direito e sobre ele vigiar com firmeza, quer seja ele/a juiz/juíza, quer testemunha. Pelo oitavo mandamento fica, especialmente, fixada uma meta: que tenhamos o cuidado de tratar das coisas reta e sinceramente, deixando ser justo o que justo é, e, por outro lado, não torcendo, nem encobrindo ou silenciando a verdade, por levar em consideração dinheiro, bens, honra, poder.

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
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