HONRAR

Deus ensina e ordena que nós filhos e filhas devemos honrar o nosso pai e a nossa mãe, representantes dEle no mundo. Na verdade, a primeira boa obra da segunda tábua dos Mandamentos de Deus é que devemos honrar pai e mãe físicos. Esta honra não consiste apenas na demonstração através de gestos e de afetos fraternos, mas em que lhes obedeçamos e observemos as suas palavras e obras, os tenhamos em alta consideração e os valorizemos na sua função e incumbência, os deixemos ter razão nas coisas que dizem ao modo de Deus e que fiquemos quietos e acolhemos a disciplina, quando e toda vez que for necessário, indiferente a nossa idade cronológica, contanto que ele/a não contrariem os três primeiros Mandamentos.

Existe quem signifique honra sob o viés humano e desta forma tira consequências em relação ao seu pai e sua mãe. Porém, quando o assunto é ser filho e filha que honra ao modo de Deus pai e mãe a perspectiva muda. Um/a filho/a honra ao pai e a sua mãe quando provê alimento, roupa e abrigo, caso tenham necessidade. O filho ou a filha que o fez ao modo do significado de honrar no quarto Mandamento terá certeza de que a sua ação foi algo que agradou a Deus, mesmo que somente ele e ela saibam o que fizeram. Deus não diz por dizer: “honrarás”. Por conseguinte, Ele, igualmente, não disse: “amarás a teu pai e a tua mãe”, se bem que isto também é preciso e não deixa de ser verdade no que diz respeito à abrangência do honrar.

Honrar ao modo do quarto Mandamento de Deus é algo mais nobre e elevado do que meramente amar – que também se verifica fora da fé cristã. Ele inclui temor que se une ao amor ao modo de Deus e faz com que a pessoa tenha mais receio de ofender pai e mãe do que de ser fustigada com a vara, quando necessário. Quando somos zeloso-temerosos em relação a uma relíquia nós não fugimos dela. Bem pelo contrário, nos sentimos atraídos por ela. Existe temor, destituído de amor, que faz com que se despreze ou faz fugir de uma relíquia. Pai e mãe não devem proceder em relação aos seus filhos e às suas filhas como um carrasco e tirano de quem toda gente tem medo por causa da punição que executam. Aí não há honra, pois se trata de temor sem qualquer amor, sim, temor aliado ao ódio e à hostilidade. Sobre isto existe um aforismo de São Jerônimo: “aquilo que tememos também odiamos.” Não é com este temor que Deus quer ser temido e honrado, e não é com este temor que Ele quer que seja honrado o pai e a mãe, mas com aquele temor, mesclado de amor e confiança.

Honrar o pai e a mãe ao modo de Deus é uma boa obra. Esta parece fácil, porém, não é e nem sequer é comum. Atentamos a ela, de verdade. O significado de honrar, antes de mais nada, chama o nosso pai e a nossa mãe à reflexão no sentido de que se questionem acerca do que é ser um/a representante de Deus junto aos filhos e às filhas. Um mero genitor ou uma mera genitora ainda não se caracteriza como tal.

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
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