MANSIDÃO SINCERA

Deus não quer que um mate ao outro ou uma à outra. O Seu Unigênito Filho doutrinou dizendo: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” – Mt 5.22. Se chamando outro irmão e outra irmã de estúpido/a ou cabeça vazia já estamos sujeitos ao inferno de fogo porque somos tão ‘levianos/as’ na prática das boas obras que são depreendidas do quinto mandamento de Deus – Não matarás? Isto não se deve à ausência da fé que Deus quer que em nós exista? Ainda que não haja pecadinho e ‘pecadão’ o que será dos impropérios, maldições, blasfêmias, calúnias de quem as torna realidade nas inter-relações já que o fato de chamar uma pessoa de tola já a faz estar sujeita ao inferno de fogo? O que dizer, então, do ato perpetrado com a mão, tais como: bater, matar, causar dano se já os pensamentos e as palavras de ira são tão severamente condenadas por Deus entre nós?

A mansidão sincera, inclusive, lamenta todo o mal que sucede a seu inimigo e à sua inimiga. Tal gente que assim procede são os/as verdadeiros/as filhos/as de Deus e irmãos/ãs de Jesus Cristo, que em benefício e em lugar de todos/as nós morreu na cruz do Calvário. Assim se constata que quando uma pessoa crente ao modo da Palavra de Deus pronuncia uma sentença sobre uma pessoa culpada isto lhe dói, pois ela lamenta o pecado em que uma pessoa caiu. A mansidão que o Espírito Santo gera é tão, corporeamente, benigna que permanece também sob tais obras da ira. Sim. Ela brota com maior profusão no coração, mente e espírito quando precisa usar de semelhante ira e severidade, com justiça.

Temos que cuidar, no entanto, para não sermos mansos contra a honra e o mandamento de Deus desobedecidos e desrespeitados com leviandade e insolência. Pois está escrito acerca de Moisés que ele era o mais manso dos seres humanos sobre a face da terra – Êx 32.1-13., 25ss., ainda assim, quando os seus contemporâneos adoraram o bezerro de ouro e enfureceram a Deus, a sua ação mudou. Neste contexto, a idolatria provocou Moisés à ira de modo que matou muitas das pessoas idólatras. E, com isto, levou Deus, novamente, à conciliação. Assim, fica a pergunta; é cabível que fiquemos calados/as quando a autoridade responsável por nos ensinar a andar de modo agradável a Deus via pregação tira folga e deixa o pecado reinar em e entre nós sem resistência? Quem entre nós, hoje, defende a honra e o mandamento de Deus, por amor a Ele e a toda gente, pregando com pureza? Quem, hoje, de verdade, se compadece do pobre povo seduzido de modo tal que não sofra as consequências da vida que contraria a Vontade de Deus? Melhor. Será que o povo já não está tão seduzido por tantas e tantas palavras ditas e escritas em nome de Deus que está farto de ouvir?

Esta obra sublime, excelente e suave depreendida do quinto mandamento será facilmente aprendida se a praticarmos e exercitarmos a fé obediente. Pois se a fé não duvidar do favor de Deus e que ela tem um Deus gracioso, não lhe será difícil ser gracioso/a e favorável também para com o/a próximo/a, por mais que este/a tiver incorrido em culpa, pois nós incorremos em culpa muito maior via incredulidade. Vê, este é um mandamento muito breve, mas nele se nos indica um grande e prolongado exercício de boas obras, ensinando o povo a obedecer a Deus de boa vontade. Pois Moisés não mudou o coração das pessoas mantando.

 

*Pastor Airton Hermann Loeve- Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB)- Lapa/PR.

Pastor Airton Hermann Loeve

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