NÃO COBIÇARÁS

Deus ensina no nono mandamento: “Não cobiçarás a casa de teu próximo.” Isto significa: que nós devemos, quer o queiramos ou não, temer e amar a Deus e, portanto, não pretender adquirir, com astúcia, a herança ou casa do próximo, nem nos apoderar delas sob aparência de direito. Mas devemos ajudar-lhe e servi-lo para conservá-las. Deus ensina no décimo mandamento: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem os seus empregados, nem o seu gado, nem coisa alguma que lhe pertença.” Isto significa: que nós devemos temer e amar a Deus e, portanto, não apartar, desviar ou aliciar a mulher do próximo, os/as seus/suas empregados/as ou o seu gado. Mas devemos aconselhá-los/as para que fiquem e cumpram o seu dever. Assertivo é que Deus diz que não devemos cobiçar o que é do/a próximo/a. As consequências da obediência e da desobediência são concretas e reais, na época e hoje.
Os dois últimos mandamentos de Deus são alvos e marcos que foram colocados por Ele para os atingirmos. E, diariamente, por penitência, labutarmos nessa direção com a ajuda e a graça de Deus. Porquanto a má inclinação da carne não morrerá por completo antes que a carne se torne pó e seja criada de novo. Aliás, registre-se, que ninguém vence a má inclinação por força de lei dos homens. A cobiça somente Deus é capaz de vencer e derrotar!
Os cinco sentidos são incluídos no quinto e no sexto mandamentos. As seis obras da misericórdia, no quinto e no sétimo. Os sete pecados mortais e a soberba no primeiro e segundo. A incastidade no sexto. A preguiça no terceiro e, possivelmente, em todos os demais. Os pecados alheios se acham em todos os mandamentos, já que com ordens, aconselhamento e ajuda se pode pecar contra todos eles. Há os pecados que clamam por justiça junto a Deus – Gn 4.10; 18.20; Tg 5.4 – e os mudos que são cometidos contra o quinto ao oitavo.
Em toda forma objetiva de concupiscência nada mais se vê senão amor próprio que procura o que é seu; tira de Deus o que é dEle e das pessoas o que é delas; e não dá, nem a Deus nem às pessoas, algo do que possui, é e pode. É, pois, com razão que Agostinho diz: “o princípio de todo pecado é o amor próprio.”
A pessoa crente e batizada conclui via estudo que os mandamentos de Deus nada mais ordenam senão amor. E, nada mais proíbem senão amor, e é só o amor que cumpre os mandamentos, assim como é só o amor que os transgride. O amor mau faz com que a pessoa cogite e tome o propósito de se assenhorear daquilo que é do próximo e da próxima.
O apóstolo Paulo crê, ensina e confessa que o amor é o cumprimento de todos os mandamentos de Deus – Rm 13.10. Assim como o amor mau é a transgressão de todos eles. Logo, é oportuna a intercessão: que quem lê seja abençoado/a com amor e fé verdadeira. Quem lê entenda que Deus nos chamou à existência para o louvor da Sua glória. Amém.
O nono e o décimo mandamentos de Deus não se enderençam às pessoas que são malfeitoras aos olhos do mundo, mas, sim, exatamente, às mais probas, que querem ser louvadas e chamadas de pessoas honestas e sinceras, já que não transgridem os precedentes. Aliás, quem de nós pode excogitar todas as coisas que o homem e a mulher governado/a pela cobiça pode se apossar sob o pretexto sutil, sem que o mundo o considere injustiça?

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
Entre em contato com Pastor Airton Hermann Loeve: pastor.air.ton@hotmail.com