O carnaval e a remissão dos pecados

Logo na sexta feira anterior ao carnaval recebi uma mensagem no whatsapp, com o seguinte conteúdo: “Informamos aos senhores que sexta feira, dia 09/02, às 17:30 se encerra a crise no Brasil! Retornaremos com ela na quarta feira, ao meio dia”.

Achei engraçado por refletir realmente a mentalidade do brasileiro: vamos festar e esquecer os problemas. E assim foi, até a exibição dos desfiles das escolas de samba, e do fiasco da tal escola “Paraíso do Tuiutí”.

A escola entrou mostrando uma fantasia de um Presidente Temer como “vampiro neoliberal”. Eu ri… ri muito, pois associar Temer a algum movimento liberal é dizer que Lula e Dilma eram também “neoliberais”, uma vez que apoiaram com todas as suas forças a inclusão dele como vice presidente. Mas qualquer um que tenha um mínimo de noção sabe que Temer está longe de ser “neoliberal”.

O pior de tudo não foi isso: a escola destila veneno contra o governo federal (nada contra isso), mas foi a terceira maior beneficiada do desfile, recebendo meio milhão de reais para montar seu desfile, através da Lei Rouanet. Para quem não conhece, a Lei Rouanet permite que empresas financiem atividades artísticas e culturais, e o valor investido elas deixam de pagar ao governo, na forma de impostos. O governo fica sem o dinheiro, e a empresa faz propaganda de boazinha. E quem foi essa empresa? UBER… a empresa que mais representa os preceitos neoliberais no Brasil.

Continuando o desfile, a escola colocou os manifestantes pró-impeachment como manipulados pela FIESP, vestindo camisas da seleção e embarcados em patos de borracha. Essa é uma tentativa já consagrada do pessoal da esquerda tentando reescrever a história. Sim, porque não conheço ninguém que lutou contra a Dilma que tenha ido às ruas respondendo ao chamado da FIESP. O pato estava em todas? Sim, e por que não, uma vez que naquele momento os interesses eram os mesmos. Mas dizer que FIESP influenciou algo, é tentar refletir naquele movimento a estrutura esquerdista, que necessita de entidades financiadas com dinheiro público para funcionar. No mínimo é uma miopia esquerdista. Mas pode ser também uma tentativa tosca de fazer os manifestantes ficarem com vergonha, mas alguém tem vergonha de ter feito o que era certo, correto e moral?

Finalmente, faz uma crítica ao trabalho escravo e às regulamentações recentes. Mas a escola inteira teve apenas três funcionários registrados com carteira assinada, em 2017. Provavelmente ela usou mão de obra voluntária ou terceirizada para montar o desfile. Nada contra… mas é justamente esse tipo de vinculo trabalhista que ela ataca, no melhor estilo “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”. Hipocrisia é pouco. Aliás, já vi empresário ser acusado de usar “mão de obra análoga à escravidão” por menos que isso.

Finalmente, a escola que defende os direitos dos trabalhadores sofreu um desastre ano passado, cuja origem foi diagnosticada pelas péssimas condições de trabalho. Foram mais de vinte feridos e um morto. Até hoje não houve nenhuma assistência aos atingidos. Bom exemplo, né? Dai você vai tentar descobrir quem é o responsável por um desfile destes, e descobre que o cara é filiado ao PSOL do RJ… precisa dizer mais?

Graças a Deus já passamos da quarta feira e podemos nos focar em sair da crise que o PT nos deixou.

Em tempo: menos comentado, justamente porque muitos concordaram, foi o desfile da Beija Flor, que focou a destruição da Petrobrás e o peso dos impostos. Essa sim teve uma visão séria do momento.

Dartagnan Gorniski

Dartagnan Gorniski

*Dartagnan Gorniski é empresário e professor, e nas horas vagas dá palpites sobre tudo o que vê pela frente.
Entre em contato com Dartagnan Gorniski: floramonteclaro@gmail.com