O novo ou o velho Brasil?

Da janela de meu apartamento vejo meu vizinho com a bandeira do Brasil pendurada na sacada e um pensamento triste me vem à mente: “Pobre Brasil, nunca foi tão desprezado e maltratado”.

Há meses que não consigo mais ver tevê. Dou apenas uma olhada nos jornais para não ficar completamente alienado. São tantas notícias que se mostram – e a maioria delas negativa – , que já estava caindo literalmente em depressão.

Vivemos em um país contraditório, vivemos em dois Brasis distintos. Isto me faz ficar perdido, sem ação, com pensamentos dúbios que me paralisam, um desanimo tão grande que não sei o que fazer. Não sou só eu, com certeza: com quem falo a sensação é a mesma. Creio que a maioria dos brasileiros pensa igual, com a autoestima abaixo da sola do sapato.

De um lado temos um Brasil abençoado por Deus e bonito por natureza, onde existe um povo honesto e trabalhador com princípios éticos, que em 500 anos o livrou da condição de colônia portuguesa para uma das maiores economias do mundo, que nos enche de orgulho e o qual defenderemos até a morte.

De outro, temos um Brasil que não é mãe nem é gentil, onde a falta de caráter impera, onde está se criando uma raça de intolerantes, com os “politicamente corretos” exigindo que pensemos todos de uma mesma maneira. Um país onde os criminosos são “vítimas” da sociedade e não agressores. Onde o crime compensa (sim, senhor!), onde se tapa o sol com a peneira por comodidade, estupidez e falta de educação.

Este é o Brasil dos Big Brothers, novelas e programas estúpidos de auditório eletrônico que imbecilizam as pessoas, dando-lhes pão e circo. É o Brasil do samba, carnaval e futebol, que embasbacam e paralisam a população enquanto nossas instituições e valores vão sendo corroídos sem nos darmos conta. Este é o Brasil da bandeira dos populistas, tanto de esquerda como de direita.

Este Brasil nojento é o país da impunidade, da imunidade parlamentar, do foro privilegiado, no qual uns são melhores que os outros, uns recebem auxílio-peru no fim do ano e outros não recebem nem salário, nem hospitais e nem educação decente. Um país onde a lei só vale para os mais pobres, os empresários e o cidadão comum que trabalha e paga impostos. É o Brasil onde a maioria dos políticos é corrupta, com baixos padrões morais e éticos.

Esse Brasil de segunda linha, que não é o meu, tem um ex-presidente corrupto, ladrão, ignorante e desqualificado, que deveria estar preso, mas pode vir a ser presidente novamente. Tem uma ex-presidente que quebrou o país com sua incompetência, protegeu ladrões que continuam à solta e viaja ao exterior com dinheiro dos contribuintes pregando mentiras mundo afora. Só pode ser um país de idiotas.

Esse é o país no qual mala estufada de dinheiro ilícito não é prova de crime. Onde até a Black Friday é uma enganação, com descontos até com sobrepreço.

É o mesmo país onde um Congresso Nacional não vota temas de interesse da nação, vive de barganha e chantagens, de troca de favores, além de dar abrigo a corruptos e ladrões; o mesmo Congresso onde se trama contra a Lava Jato e se faz o impossível para livrar réus amigos da cadeia. Um país onde ministros do Supremo Tribunal Federal julgam casos em flagrante conflito de interesse pessoal e interpretam as leis do jeito que lhes mais convém (onde está a OAB?). A mesma corte que, desde 1998, julgou e condenou, em 2010, apenas um entre 500 parlamentares com foro privilegiado.

É o Brasil que produz candidatos medíocres à Presidência, uns completamente desmiolados, outros envolvidos com a Justiça ou aventureiros. Ou ainda partidários de uma esquerda retrógrada e ditatorial. Um país que em 500 anos não conseguiu produzir um grande estadista.

Qual dos dois “Brasis” queremos para o eterno país do futuro?

Continuar com esse Brasil de segunda linha? Então, é só ficar como estamos hoje, passivos e omissos. Mas, se quisermos um Brasil novo, que nos dê orgulho de ser brasileiros, orgulho de pendurar a bandeira na sacada de casa, devemos agir, em fortes mobilizações populares, independentes de partidos, ir novamente às ruas e exigir mudanças. Essa poderia ser uma bandeira para as entidades de classe capitanearem.

Esse imobilismo e passividade nos torna patéticos. Devemos começar essa mudança imediatamente, neste 2018, escolhendo com cuidado quem serão nossos próximos representantes e eliminando da vida pública toda classe de políticos corruptos e populistas.

*Cláudio Slaviero, empresário, é ex-presidente da Associação Comercial do Paraná.

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