O Sul é Meu País? Como assim?

Já me manifestei no jornal sobre a criação de um novo país, constituído pelos três estados do sul do Brasil. Inclusive participo da comissão municipal para tratar deste assunto. Desta forma, nem preciso dizer que sou favorável à secessão (em tempo, secessão significa “ato de separar do que estava unido; separação” ou “separação de uma porção da unidade política para constituir outra”). Pretendo escrever semanalmente um pouco sobre o assunto, ou melhor, sobre o meu ponto de vista sobre o assunto, e pensei em começar debatendo algumas afirmações e perguntas frequentes sobre o tema. Vamos lá:

1) O Sul manda dinheiro para o nordeste.

FALSO.  Já está provado que o dinheiro que é arrecadado no sul do Brasil não vai para o nordeste. Posso falar por experiência própria, pois vivi 4 anos no Piauí, e não vi esse dinheiro todo chegando até lá. O dinheiro sai do sul e fica em Brasília. Simplesmente isso. Não é reaplicado em lugar nenhum. Fica em Brasília. Os coitados dos nordestinos levam a fama sem dever. Na verdade, eles tem o mesmíssimo problema que nós aqui no sul: pagam altos impostos e seu dinheiro some em Brasília.

2) O sul quer se separar por não gostar de ajudar os irmãos nordestinos, portanto, os separatistas são racistas!

FALSO. Sabia que existem movimentos separatistas em todo o Brasil. O do sul é considerado o mais forte, mas também tem muita força o movimento paulista e o nordestino. Sim, os nordestinos querem se separar também. E não há em nenhum destes movimentos nenhum motivo racista, apenas cultural e econômico. Econômico porque todos consideram que o Brasil como Federação e República não deu certo, e o dinheiro dos impostos seria melhor aplicado se gerenciado em unidades menores. Qual os limites destas “unidades menores”? Aí sim entra a definição cultural.  O nordeste se identifica culturalmente como um povo, portanto seria um novo país. O sul se identifica como uma unidade cultural, portanto, formaríamos novo país. Portanto, nada de discriminar nordestinos! Ao contrário: eles lutam pelo mesmo ideal que nós aqui no sul.

3) Se o problema principal é a estrutura do Brasil, com altos impostos sem retorno à população, é melhor e mais fácil alterar isto do que separar!

FALSO.  Quase todos os separatistas mais convictos chegaram à conclusão de que existe maior possibilidade de separar-se do Brasil e criar toda uma legislação e ordenamento público novo, a partir do zero, do que reformar o que já existe.  E isso não é sem base acadêmica! Diferente do que se imagina, uma quantia considerável de separatistas estuda primeiro conceitos como República e Monarquia, Municipalismo, Federação, Democracia, Liberalismo, Conservadorismo, entre outros. Existe até um grupo de estudos formado para discutir isso – o GESUL.  De minha parte, primeiro fui monarquista, pois acredito que o País só funcionou com paz e estabilidade durante o Império. Aliás, o Brasil foi pensado, planejado e estruturado para ser uma monarquia, até o golpe republicano em 1895, que iniciou uma sucessão de problemas e caudilhos de forma que ainda hoje não temos estabilidade real. Como acredito que a volta da monarquia é muito utópico, a saída é o separatismo.

4) O Sul será um país rico!

TALVEZ. Existe uma grande discussão sobre isso. Se separarmos para criar um Brasil 2.0, não teremos chance. Então antes de separarmos já temos que ter toda uma concepção do que nós sulistas queremos – e o que não queremos – para o novo país. Mas de um lado temos um Brasil que nunca dará certo, e de outro, a chance de um país com estabilidade e paz. Você ficaria com a certeza do fracasso ou com a possibilidade de sucesso?

Nas próximas edições tentarei esclarecer um pouco mais sobre o assunto, continuando com a estrutura de perguntas e respostas.

*Dartagnan Gorniski é empresário e professor, e nas horas vagas dá palpites sobre tudo o que vê pela frente.

Dartagnan Gorniski

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