O que gerara alvoroço e polêmica fora o fato dos olhos terem sido arrancados cruelmente e as chagas de Cristo terem sido reproduzidas, nunca houvera algo assim em nenhum lugar, mas a população e o detetive não tinham idéia do que ainda iria acontecer.
Ênio ainda tinha em sua mente a vaga lembrança de ter visto o padre desesperado, orando sem parar, o pânico havia tomado toda a Igreja e o assassino poderia estar em qualquer lugar.
Na sétima noite após o segundo assassinato um grito estridente e extremamente apavorado cortou a noite. O detetive, que morava numa casa atrás da Matriz, levantou rapidamente e colocou o roupão xadrez por cima do pijama. Quando chegou em frente à Igreja, um vulto de capuz corria para atravessar a praça e sair dali e um rico fazendeiro, Sr. Hermes, estava caído no chão e suava friamente.
– O que aconteceu? – Questionou o detetive.
O homem ergue seus olhos e com a voz embargada anunciou:
– Era o assassino… Ele queria me matar, tinha… Algo nas mãos… Parecia uma vela dourada… E usava uma coroa de prata… Deus salve minha alma!
– Calma, calma! – Tranqüilizou Ênio. – Eu vou te levar ao hospital…
Após o fazendeiro ser atendido, o detetive voltava para casa quando sentiu vontade de olhar para trás, como uma intuição. Arrependeu-se em fazer isso, pois na parede lateral direita da Matriz letras vermelhas reluziam com o luar. Parecia ser escrito com sangue:
“Os anjos sem virtudes celestiais devem ser mortos, um a um…”
Após ler aquela macabra mensagem, a porta frontal da Igreja abriu-se e o Padre Wilson olhou intrigado para o único homem na noite e virou os olhos para a parede. Levou a mão à boca ao ler e deu um último suspiro antes de cair morto no chão. Ele levara um tiro.
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O AUTOR
O jovem leitor da Tribuna Regional, Eduardo Luiz, de 16 anos de idade, entrou em contato com a redação e contou sobre sua paixão pela leitura e escrita. Segundo ele, está trabalhando em textos para escrever um livro de fantasia e ficção. Sua paixão pela leitura começou desde pequeno, incentivado por sua família, especialmente por sua irmã. Aos 10 anos de idade, Eduardo escreveu sua primeira história, uma adaptação de “Os três porquinhos”.
“Eu me inspiro em outros autores e na capacidade que eles têm para criar contos que nos seguram do começo ao fim. Eu transformo qualquer lugar que imagino em um palco para histórias fantásticas, também me inspiro em meus amigos pra criar os personagens”, explica Luiz.
O jovem leitor e escritor enviou à Tribuna alguns dos capítulos que já escreveu de seu futuro livro. Com autorização de Eduardo, trazemos a você, leitor, “O enigma da Matriz”, uma história ambientada na Lapa.

