No Brasil, o período eleitoral já faz parte de um passado recente. Mas, nos Estados Unidos, na terça-feira, dia 7 de novembro, Barack Obama e Mitt Romney duelaram pela Presidência dos Estados Unidos em uma votação apertada. Porém, lá o número absoluto de votos não tem tanta importância assim. Ao contrário do Brasil, o candidato que receber mais votos não necessariamente será o novo presidente. Dono de um sistema eleitoral indireto, os EUA escolhem o chefe de estado e governo por meio do voto de 538 delegados, divididos entre os 50 estados que o compõem.
Funciona da seguinte forma: os norte-americanos votam em um colégio eleitoral dentro de seu Estado em um representante. Os representantes estatais eleitos pela população votam no candidato presidencial. O concorrente que obtiver a maioria de indicações no total dos Estados vence a eleição.
E como esses representantes do colégio eleitoral são escolhidos? A seleção acontece previamente, dentro dos partidos que concorrem às eleições presidenciais. O eleitorado espera que estes delegados votem no candidato do partido que representam e são muitos raros os casos em que isso não acontece. Além disso, na maior parte dos Estados, a votação ocorre no modelo tradicional chamado “o vencedor leva tudo”. Nele, o partido do candidato com mais votos populares no Estado leva todos os delegados do colégio eleitoral. Isso significa que um candidato que receber 49% dos votos da população em um Estado não vai receber nenhum voto dos delegados estaduais se o seu opositor conquistar mais de 50% do eleitorado. Por esta razão, a vitória dentro de cada uma das unidades federativas do país é o que decide a eleição presidencial dos EUA.
Mas, não são somente estas as diferenças quando comparado ao nosso sistema. Parece arcaico para você, leitor? Os Estados Unidos são uma democracia com mais de 200 anos de história. E, esquisito ou não, o sistema deles funciona. Lá, se o eleitor não quiser ou não puder comparecer às urnas, tem o direito de votar com antecedência, e o exercício da cidadania fica assegurado. A cédula pode ser enviada até por fax ou por email, mas às vezes fica muito complicada, porque a quantidade de questões estaduais apresentadas aos eleitores é outra diferença.
Vota-se para presidente, senador, deputado e mais 16 cargos estaduais e municipais. O tesoureiro do estado, integrantes do conselho de educação, juízes distritais. O eleitor também é consultado, entre outras questões, sobre o fim da isenção de impostos sobre imóveis de militares. Na prática, a eleição presidencial fica restrita a dois candidatos, mas na cédula aparecem outras chapas, de partidos pequenos, e embaixo tem até um espaço em branco para o eleitor votar em quem nem esteja na lista.
Já no Brasil… Temos um sistema de apuração de votos que dá inveja a muitos países. E todo cidadão brasileiro, maior de 18 anos é obrigado a votar. Mas, comparando, encontramos outras diferenças entre as duas democracias: aqui escolhemos o representante do povo, e este (junto de seu partido e/ou coligação) decidirá quem fará parte da equipe da gestão. Nos Estados Unidos há maior liberdade de escolha de cargos por parte do eleitor. Além do que, você não é obrigado a escolher somente os candidatos apresentados.
No Brasil, se você não concordar com os nomes dos candidatos, só tem como opção votar nulo, em branco, ou justificar a não participação na eleição. Só que, não votar, votar nulo ou em branco de nada adianta. É como se este eleitor não opinasse, pois aqui o que vale são os votos válidos. Fica a questão: o fato de o eleitor não estar contente com os candidatos não deveria ser levada em conta? Afinal, estamos em uma democracia e todos deveriam ser ouvidos.
Segundo o site Congresso em Foco, o percentual de abstenção (votos nulos e brancos) aumenta eleição após eleição no Brasil. Em Petrópolis, a soma chegou a 35,47%, seguido de Nova Iguaçu, ambos no Rio de Janeiro, com 34,24%, mas a tendência é geral.
E, com isso, seria interessante se fazer uma análise. Se o voto deve continuar a ser obrigatório no Brasil, que ao menos então os brancos e nulos possam ser considerados. Que tenham voz, afinal.
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“Quase nada é tão redundante quanto chamar uma eleição de festa democrática, num país onde o voto é obrigatório.” (Demétrio Sena – Magé – RJ)
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“Que é a maioria? A maioria é tolice.
O bom senso sempre tem sido de poucos.
Convém pesar os votos e não contá-los.”
(Friedrich Schiller)

