CEEBJA Paulo Leminski celebra Dia Nacional da Consciência Negra

Por que precisamos de um Dia Nacional da Consciência Negra? Não somos todos iguais, brancos e negros? Isto não lhes parece discriminação, um dia para homenagear a cultura negra? Qual o sentido deste dia? Estes questionamentos foram feitos no Dia Nacional da Consciência Negra no CEEBJA Paulo Leminski, na Lapa.

Após discussão, chegou-se à conclusão de que parece claro que, em um país em que se prega a igualdade racial e onde se diz não haver preconceito, o Dia da Consciência Negra parece não ter sentido de existir. No entanto, descortinando o preconceito velado e a dívida social histórica do país com a população negra, são  necessários muitos dias de reflexão e ação para diminuir o abismo existente entre brancos e negros, já minimizado pelas políticas afirmativas, mas ainda existente.

O Dia da Consciência Negra, para o CEEBJA, poderia chamar-se também Dia da Consciência Humana, visto que neste dia brancos e negros, homens e mulheres, devem olhar criticamente para a sociedade de modo que a igualdade seja possível na diversidade.

“O afrodescendente não é descendente de escravo. O afrodescendente é descendente de seres humanos negros que foram escravizados.” A partir desta e de outras afirmações referentes à condição do negro na sociedade brasileira, a equipe multidisciplinar do CEEBJA Paulo Leminski promoveu, entre os dias 19 e 23 de novembro, uma semana de atividades e debates sobre o papel do negro na sociedade brasileira, a valorização da cultura afro-brasileira e a tomada de consciência de que o Brasil é o país, fora do continente Africano, com maior número de negros, e que isto é determinante na formação do povo e da cultura nacional.

Dentre as atividades realizadas pelos professores do CEEBJA, foi proferida palestra sobre a Congada da Lapa, apresentação de Capoeira, dança-jogo-luta de origem africana, o trabalho com lendas e jogos africanos, a exposição de trabalhos em mural e, ainda, uma interessante exposição de fotos de obras do artista lapeano Lafaete Rocha, que teve suas obras reconhecidas mundialmente e que precisa ser conhecido e reconhecido visto a originalidade e beleza de suas obras.

 

 

 

BOX

 

Quem foi Lafaete Rocha?

 

Professora Claudia Santos Wiedmer

 

Lafaete nasceu na Lapa em 5 de dezembro de 1934. Filho de  Miguel Ribas e Maria de Jesus Rocha Ribas, estudou no Grupo Escolar Dr. ”Manoel Pedro”, mas, para ajudar a família, deixou de estudar aos dez anos. Trabalhou como jardineiro, engraxate, pedreiro, carpinteiro, pintor de paredes… Desde criança gostava de modelar e esculpir e resolveu criar na madeira, para aumentar a renda da família. Iniciou seu trabalho com animais e esculpiu figuras com temas diversos, como santos e elementos da natureza, como boi, cobra, tatu, tamanduá, sapo ou cachos de banana. Tocava gaita de boca, flauta, bandolim, cavaquinho e, tocando violão, fez parte do conjunto musical  “Copacabana”, em parceria com seu primo.

Em 1955, aos 21 anos, casou-se com Irene Petrechen, de Curitiba, com quem teve doze filhos. As primeiras obras que sua esposa tentava vender em Curitiba foram apreendidas pela fiscalização da Prefeitura Municipal. Ivany Moreira, na época Diretora do Museu Alfredo Andersen, viu as esculturas e levou-as para o museu. A partir deste incentivo, começou a comercializar suas obras nas Feiras de Artesanato na Praça Zacarias e no Largo da Ordem. Sua primeira exposição foi na Mostra Nacional de São Paulo, em 1968. Depois Lafaete participou do Salão de Arte Religiosa, em Londrina, e do Salão Paranaense. Em Londrina foi premiado e com o dinheiro do prêmio iniciou a construção de sua casa.

Em 1973 perdeu dois filhos e todos os seus bens materiais num incêndio em sua casa. Conseguiu roupas e objetos para tentar reorganizar sua vida com a ajuda de amigos e da Fundação Cultural de Curitiba. Foi também convidado a trabalhar no Centro de Criatividade da cidade. Em 1973 esculpiu a Nossa Senhora do Apocalipse e um crucifixo para a capela do Colégio Bom Jesus, em Curitiba. Em 1975 esculpiu São Pedro e em 1976 fez o São Francisco, que está no Lar Santa Helena.

Participou de diversas exposições, inclusive da Exposição de Artistas Negros em Lagos, na Nigéria, representando o Brasil, e da Exposição de Arte Popular Brasileira, realizada em Paris. Em 1976 teve sua primeira exposição individual na Fundação Cultural de Curitiba. Expôs também no Museu Arte Contemporânea (MAC), na Sala de Exposições do Teatro Guaíra, na Sala do Artista Popular (FUNARTE), na Sala Miguel Bakum, na Casa Culpi, em Curitiba, na Caixa Econômica Federal, Lapa; no Paço das Artes, em São Paulo, no Salão Iguaçu, em Foz do Iguaçu, e em Londrina, dentre outras.

Em 1976 voltou para o Mato Preto, na Lapa, e em 1982 foi escolhido por aclamação para presidir a Associação dos Artesãos da Lapa – Centro de Artesanato Aloísio Magalhães.

Em 1987 foi escolhido Bicho do Paraná, num projeto desenvolvido pela Rede Paranaense de Comunicação/Rede Globo, veiculada na TV. Em 1990, Marli de Lima, escritora catarinense, escreveu o Livro “Trabalho e Vida de Lafaete Rocha” (Documentário), lançado pela Editora Nitram. O trabalho foi tese na Faculdade de Ciências em Mafra, SC, e por este documentário foi premiada. Lafaete também foi tema da Monografia na Especialização do bacharel em Pintura pela EMBAP, em 2008, Fernando Antonio, com o título “Arte Popular em Lafaete Rocha”.

Viúvo, se casou com Elizabete Faria de Souza, com a qual teve um filho, Gabriel. No Mato Preto continuou esculpindo suas peças. Lafaete faleceu na Lapa em 2003, com 69 anos. Após sua morte, a então vereadora de Curitiba, Julieta Reis, enviou requerimento para a realização uma exposição retrospectiva do artista popular lapeano Lafaete Rocha, em Curitiba.

Em 2010 suas obras “Homens Tamanduá” e “Homem Sapo”, em madeira, participaram da Exposição no Museu Afro Brasil: A arte do povo brasileiro –  quatro olhares –– em São Paulo, que destacou a autêntica arte popular brasileira, com cerca de  100 obras feitas em barro, madeira e tecido com representações do cotidiano religioso, de festas populares e do imaginário do povo brasileiro.

Para os lapeanos fica a tarefa: resgatar a memória dos filhos da Lapa para conhecer, orgulhar e repassar para as gerações futuras a cultura e a história do município, feita por pessoas comuns, mas de grande valor. Uma dessas pessoas é Lafaete Rocha, um escultor lapeano.

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