Sarkiss é campeão brasileiro de Arena Velocross

Com 26 anos de carreira o piloto lapeano fechou a temporada de 2012 com três títulos conquistados. O supercampeão concedeu uma entrevista exclusiva para a Tribuna Regional.

No dia 1º de dezembro Nasri Sarkiss foi até Campina Grande do Sul para disputar a terceira e última etapa do Campeonato Brasileiro de Arena Velocross. Competindo com outros 26 pilotos de todo o Brasil, o lapeano confirmou o favoritismo, venceu a etapa e terminou a temporada de 2012 com chave de ouro, levantado mais um troféu de campeão. Sarkiss, que já havia conquistado o Paranaense de Velocross em duas categorias em 2012 e o vice-campeonato em uma categoria no Paranaense de Motocross, encerrou a temporada com saldo positivo e aumentou ainda mais a sua coleção de troféus. Sarkiss tem 26 anos de carreira nas competições de motociclismo e passou por um grave acidente que quase pôs fim à sua carreira em 2010. Ele conquistou um titulo pela primeira vez em 1995 e de lá para cá já são mais de 30 conquistas, número que aumenta a cada ano. Confira a entrevista:

 

TR – Como você define o ano de 2012 em sua carreira?

NS – Foi um ano de muito trabalho, noites sem dormir, muito cansaço, muitas viagens. Além disso, teve muita academia, bike, orçamento apertado, muita fisioterapia pra aliviar dores de lesões que me acompanharam o ano todo.

Fiquei muitos finais de semana longe da família, em alguns momentos senti vontade de largar tudo e simplesmente ficar em casa. Isso seria o mais fácil a se fazer, mas para mim as coisas nunca foram fáceis, então com a força de Deus, da minha família e de amigos do coração continuei, e os resultados falam por si. Foi um ano abençoado.

 

TR – Com quantos anos você começou a competir?

NS – Comecei a competir com 17 anos, hoje já estou competindo há 26 anos.

 

TR – Com quantos anos você foi campeão pela primeira vez no motociclismo?

NS – Demorei um pouco por conta de lesões nos joelhos em duas temporadas seguidas, depois fui cursar a faculdade. Quando concluí voltei a competir, levei mais a sério e meu o primeiro título estadual foi no Motocross na categoria MX1 (principal categoria), aos 26 anos.

 

TR – O que mudou do primeiro título para hoje?

NS – Mudou tudo, hoje temos uma divulgação muito maior, temos a internet com sites especializados, redes sociais, revistas e jornais.

Isso faz com que o esporte seja mais divulgado e assim as empresas invistam mais nesse segmento. Só falta agora a cobertura das redes de TV aberta, como acontecia nos anos 80, quando o esporte era muito mais popular na televisão. 

 

TR – Com essas três últimas conquistas de 2012, você tem quantos títulos na carreira?

NS – No total são 31 títulos e mais 15 vice-campeonatos estaduais.

São ao todo nove títulos regionais, 19 vezes Campeão Paranaense entre Motocross, Supercross, Velocross e Arena Velocross.

Fui campeão em todas as modalidades e categorias que disputei, sou o piloto com mais títulos estaduais conquistados em mais de uma modalidade até hoje.

Também tenho um titulo de Campeão Sul Brasileiro de Motocross, Campeão Brasileiro de Velocross Categoria MX3 Especial, e Campeão Brasileiro de Arena Velocross na categoria VX3 Especial.

 

TR – O que o acidente de 2010 representou para sua carreira?

NS – Na verdade foi na minha vida, pois uma coisa está diretamente ligada à outra. Então, além de tudo que passei no processo de recuperação, e de algumas sequelas que ainda estou tratando pra melhorar, minha fé foi determinante para voltar às pistas.

Vi que quando temos fé em Deus, pode nos ajudar, sou muito grato a Ele por tudo que tenho conquistado na minha vida também pessoal e também como atleta.

O acidente me aproximou mais da minha família, do meu filho que dormiu 30 dias ao meu lado, porque eu tinha que ficar sentado por conta do colar cervical e sequer tinha forças pra me cobrir, ele é quem fazia isso. Dos amigos que se revezavam pra cuidar de mim no período em estive no hospital. Essa é uma dívida de agradecimento que tenho com essas pessoas pelo resto da minha vida, e mais tantas coisas que deixamos passar em nossas vidas sem perceber. Só quem passou por uma situação parecida entende o que quero dizer.

 

TR – Depois do acidente você imaginava que voltaria a competir em alto nível?

NS – Como disse, eu não tinha força alguma nos braços e mal conseguia me alimentar sozinho. Perdi massa muscular e consequentemente força, também perdi sensibilidade em parte das mãos e do pé direito, o que dificulta pra competir em alto nível. Então eu não imaginava voltar a pilotar uma moto de competição, a única coisa que queria era ter uma vida normal.

Mas à medida com que fui me fortalecendo, e tendo contato com motos novamente, o desejo de pilotar foi voltando.

Fiz vários exames, conversei muito com meus médicos sobre a calcificação das vértebras, e se estariam mais frágeis do que o normal. Eles me asseguraram que a calcificação foi perfeita, e claro que tive uma liberação meio contrariada dos médicos, mas aí foi um processo natural voltar às competições.

 

TR – Em 2013, você pretende continuar competindo?

NS – Claro que a vontade sempre existe, ainda vou conversar com minha família, meus patrocinadores, e repensar algumas coisas.

Primeiramente quero agradecer a Deus por tudo de bom que tem acontecido em minha vida, minha família, que mesmo contrariada me deu força e apoio em mais esse ano. Aos amigos e pessoas que também fazem parte dessas conquistas.

 

Sarkis conta com patrocínio de: BelParts – Leandro Borges – Motul – Serginho Suspensões – Thor – Adrenalina – Dash – Dimensão FM

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