Toda a cidade os esperava,
A qualquer momento chegariam
Os corações, ansiosos, forte batiam
Muita tensão aguardava os que vinham!
De muito longe!
Também irmãos!
Em seus cavalos!
De armas nas mãos!
Contenda entre irmãos
Guerreiros, aventureiros,
A escrever suas histórias
Na Lapa “luta entre brasileiros”
Os moradores estavam tensos
A dúvida, o temor, pairavam no ar
As senhoras nas casas rezavam, rezavam…
Os defensores, alertas nas trincheiras, a esperar
A cidade estava quieta, amanhecia…
Os pássaros ainda não voavam…
As igrejas fechadas, os sinos batiam…
Dentro, Padre e fiéis oravam, oravam…
Chácara de porcelana branca, de café
Na mão, que com o frio e medo, tremia
Lágrimas dos céus, nas folhas rolavam
Almas frias, a vida chorava, chovia!
Anúncio de chegada, quebra-se o silêncio!
Um tiro, ao longe ecoou!
Início da batalha e o guerreiro
O dedo no gatilho focou!
Início de páginas de sangue
Começavam a se inscrever
Espetáculo sinistro, fúnebre
Homens tombando no chão, a morrer…
Depois que começa o confronto
Esquece-se a natureza
Homens viram máquinas
Enfrentam a morte com frieza!
As mãos, então, tremem
O corpo é frio
A noite é fogo
Na boca quente do fuzil!
É combate: as armas não calam!
A cidade é uma grande batalha!
O cheiro de sangue e pólvora é forte
As balas ferem, cortam a carne como navalha!
Os relógios, nas paredes, batem!
O tempo caminha lento, não se vive…
Nas casas, insegurança, dor e tristeza…
Ainda há combates entre os que sobrevivem.
Aos poucos os ânimos vão se esvaindo
Estão feridas as paredes das casas
A cidade está quieta, entregue…
Corvos pintam o céu escuro, em cinzas, batem asas!
O palco de combate agora está em silêncio
Heróis, pais e filhos, se rendendo…
Nas janelas, que aos poucos se abrem,
Mulheres e crianças, cansadas, chorando…
A quebrar um toque de clarim, batendo,
Fecha-se o pano de uma peça de terror!
Do rosto triste de uma mãe e outras senhoras
Desce uma fria lágrima de pranto e dor.
Cessou a batalha, fechou-se a mortalha
De seda fria a cobrir corpos sem vida
Guerreiros rudes tombados, armas ao lado,
No peito frio, sangue que brotava de uma ferida.
No portão de uma casa
Em que fogo e fumaça era a cor
Uma menina esperava o pai que não viria
Descalço, chorando, tendo na mão uma flor.
Hoje, você que não veio mais, repousas quieto
Oh! De alma nobre, senhor,
Estás vivo, na lembrança e na história
Nos céus, entre os reis estás, grande Defensor!!!

