Ser tropeiro, ter sido um, ser neto, bisneto, parente distante ou de perto, tanto faz. Somos todos meio que irmanados pelo sentimento a esses homens que abriram espaço para hoje termos essa cidade tão bonita. Quem de nós não se aparenta com eles quando come uma quirerinha, um virado de feijão com torresmo; um arroz carreteiro; quando entra na roda do chimarrão; ou no jeito puxado de falar das “barbaridades”, ou de um de causo?
Somos todos, de algum jeito, tropeiros. Eles atravessaram o país, levando boiadas e riquezas, passando também por aqui… E deixaram tesouros gravados nas pedras da Avenida das Tropas e vivos em nossas memórias, ainda que, por vezes, adormecidas entre a neblina das nossas tradições.
Pouco a pouco, essa história é revelada de geração em geração. Os mais antigos guardam e praticam, os mais jovens seguem, as crianças conhecem e, assim, a tropa vai seguindo em frente, marcando a estrada para que o caminho esteja sempre aberto entre os tempos que chegam e somam-se aos nossos e dos nossos antepassados.
Prova dessa curva do tempo feita no hoje, foi o I Encontro Regional de Tropeiros em São Mateus do Sul, durante a 3ª Festa de São Sebastião. Tropeiros por tradição, artistas, amigos de perto e de longe, parentes, comunidade, Igreja, instituições, todos reunidos em torno das antigas e ainda sempre novas alegrias e honras tropeiras. Inaugurado o Monumento ao Tropeiro, em homenagem aos que passaram por esse lugar, no antigo, sofrido e lendário Caminho das Tropas; mas também, e especialmente, aos que mantêm viva a história desses homens hoje. E os lapeanos estão entre eles.
Seu Hilário Rodrigues, Alfredo Pawowsky, Antonio Weinhardt, homenageados no evento. Junto com eles, sua tropa levou a bandeira, o nome e a força da tradição tropeira lapeana, em uma procissão bonita de ver e de sentir. Assim, participaram da festa e nós, da equipe do Departamento de Cultura, estávamos lá, presentes, tendo a grata satisfação de acompanhar um momento tão especial, tão emocionante e tão merecido.
Trouxemos a memória e uma responsabilidade “no lombo”: a de fazer o que nos for possível para que a origem da nossa cidade seja sempre lembrada e vivida pelo nosso povo e por quem aqui se “achegar”.
Parabéns e gratidão aos tropeiros lapeanos e da região!
Esta coluna é escrita por:
Eloisa Murbach Arbigaus – Diretora do Departamento de Cultural
João Andirá – Chefe da Divisão de Artes
Bruno Bux – Assessor de Cultura e Turismo
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