DO LEITOR
Moro no km 180,7 da BR 476, na curva que faz divisa entre os municípios da Lapa e Contenda e, no dia 1° de fevereiro de 2013, às 8h40min, ouvi um barulho muito forte de algo arrastando pelo asfalto e, segundos após, me deparei com uma cena que nunca imaginei: um caminhão já estava em chamas na parte de trás da carreta, o fogo iniciava-se no cavalo mecânico.
O trânsito na rodovia já estava parado e, na ânsia de prestar socorro o mais rápido possível, o meu vizinho veio em desespero solicitar algo que pudesse quebrar o vidro da cabine para socorrer o motorista. Vendo esta cena, minha esposa entregou uma enxada a ele, enquanto eu ligava para a Concessionária Caminhos do Paraná solicitando socorro.
Com muita coragem e com fortes golpes, o vizinho nada pode fazer para quebrar o vidro e, devido fato de as chamas e o calor se alastrarem rapidamente, meu vizinho, para preservar sua vida, desistiu. O fogo envolveu rapidamente todo o caminhão, isso por aproximadamente 10 minutos, ceifando a vida de um jovem motorista de apenas 23 anos, segundo relato dos companheiros de empresa. Estes minutos pareciam ser uma eternidade, pois todas as pessoas que presenciaram a cena, nada puderam fazer para socorrer a vítima.
O forte calor, o barulho das latas de perfume explodindo no ar e as latas sendo lançadas para todos os lados, as chamas altas e a densa nuvem negra, me deixaram perplexo, pois me sentia impotente diante daquela situação. Quando comecei a fotografar a situação, o medo daquelas imagens tomou conta de mim, temendo que as construções que meu pai com tanto sacrifício construiu fossem tomadas pelas chamas. De repente, apareceu um lapeano que estava voltando do Ceasa e que literalmente estava de “cabeça fria”. Ele nos orientou a retirar nossos tratores para um local mais seguro. Minha esposa e minha filha de dois anos de idade deixaram rapidamente a casa e buscaram um local com segurança.
Meu pai, de 77 anos, que estava longe do local, trabalhando e ouvindo todo aquele barulho imenso, quando chegou a casa, vendo aquela cena dantesca, ficou atônito, perplexo. Como as paredes de nossa residência e os vidros estavam muito quentes peguei uma mangueira de jardim e comecei a molhar as estruturas para resfriar, trabalho que foi concluído pelo meu pai.
No momento do acidente, às 8h40min, o vento estava de norte a sul, forçando as chamas e o calor para o lado oposto da propriedade. Mesmo assim o fogo queimou as folhagens e a grama no jardim. E se o sinistro tivesse ocorrido às 13h, quando a temperatura estava em 31° C e a posição do vento era de sul a norte? Estaria a propriedade intacta ou agora só haveria cinzas?
Lamentavelmente perde-se uma vida, mas o acidente aconteceu em um horário com pouco tráfego. Se tivesse ocorrido em horário de pico, com intensa movimentação, seria possível mensurar os estragos?
Até quando vou escutar dos “motoristas”, dos “achistas”, dos “entendedômetros” que logo após algum acidente alguém tem que tomar alguma providência nesta curva, em especial? Até quando, se os mesmos “especialistas” ignoram as placas que estão ali para orientá-los? Placas estas com letras garrafais dizendo “TRECHO SINUOSO NOS PRÓXIMOS 3 KM”. O que fazer se os motoristas excedem o limite de velocidade, que é de 60km por hora, e ultrapassam em local não permitido? Ou tais placas estão ali como enfeite?
Motorista, ao colocar a chave na ignição, pense que você tem família, amigos, pessoas que fazem parte do seu círculo de amizades. Estas pessoas te querem bem. Não encurte tua vida, seja prudente, respeite o trânsito, pois a chave que você liga é a mesma te desliga deste mundo.
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Confira no site da Tribuna Regional (www.tribunaregionaldalapa.com.br) o vídeo feito por Henrique e também todas as fotografias enviadas pelo leitor.
BOX
Pista foi totalmente liberada por volta das 14h
Às 10h56min, após controle do fogo e liberação da Polícia e da Defesa Civil, foi iniciada a limpeza e então liberada meia pista, com início de fluxo intercalado. Por volta das 15h do dia 1º ainda havia 2km de lentidão na pista.
Um caminhão tombou na BR-476, quilômetro 190, e deixou o tráfego em meia-pista entre a Lapa e Curitiba na sexta-feira, 1º de fevereiro. O acidente ocorreu por volta das 9 horas da manhã no sentido Lapa-Curitiba. O motorista Willian Michelin, 23 anos, morreu carbonizado no acidente.
O veículo estava carregado de perfumes da Argentina, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Suspeita-se que o condutor não tenha conseguido manter o veículo na pista em uma curva, o que teria ocasionado o tombamento. As causas estão sendo apuradas pela Polícia Rodoviária Federal, tendo em vista a ocorrência de óbito no local. Mas, até o momento, sabe-se que primeiro houve um choque entre os dois caminhões (longitudinal) e em seguida o tombamento do caminhão com carga inflamável, e então o início do incêndio.
As chamas começaram logo que o veículo tombou e houve explosões. Os bombeiros foram ao local, mas nada puderam fazer e o caminhão ficou completamente destruído. Os agentes suspeitam que com o impacto o motorista tenha desmaiado, o que impediu a sua fuga.
O fogo iniciou por volta das 8h40min e às 8h53min a fumaça já era avistado na praça de pedágio da Lapa. O fluxo chegou a ser completamente interrompido para a limpeza das faixas no sentido Curitiba. O trânsito só foi totalmente liberado por volta das 14h. Às 15h ainda havia 2 km de lentidão no local.

