Há 50 anos Lapa perdia Maestro João Francisco Mariano

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HISTÓRIA

 “Há pessoas que passam pela vida e deixam sua trajetória a marca de um trabalho que as perpetuam na memória de um povo” (Sophia Mariana Muller)

Na noite de 7 de março de 1963, falecia na cidade da Lapa o Maestro João Francisco Mariano.Sua vida foi uma longa caminhada em prol da música no município. O artista trabalhou com muito esforço, dedicação, de forma árdua, mas gratificante, pois sempre foi reconhecido e valorizado pelo povo e pelas autoridades locais.

João Francisco Mariano nasceu no dia 14 de maio de 1900, na cidade de São Bento do Sul, Santa Catarina. Filho de Maximiliano Mariano e Dona Maria Hubel Mariano, tinhaseis irmãos: Guilhermina, Maximiliano, Antonio, Maria, Ana e Flávia.

Ainda criança se mudou com seus pais para a Lapa, cidade que adotou como terra de seu coração.Desde cedo manifestou vocação para a música. Quando menino, tocava de ouvido gaita de boca e flautim.Seu primeiro professor foi o maestro David Martins. Aos 20 anos de idade foi para a cidade de Santos, em São Paulo, em companhia de seu tio Marcolino Mariano e lá trabalhou como auxiliar de escritório na campanha Docas de Santos.

Permaneceu na cidade paulista por oito anos. Nesse período aperfeiçoou seus conhecimentos musicais, participando da Banda do “Tiro Naval”, substituindo o maestro em ocasiões especiais, como na visita ao Brasil, do rei Alberto Bélgica, que ao desembarcar em Santos foi saudado pela banda do “Tiro Naval”. O Maestro titular encontrava-se doente e então pediu para que Maestro Mariano o substituísse.Contava o Maestro Mariano que esse foi o momento mais emocionante de sua vida, como músico.

Retornando a Lapa, a pedido das autoridades locais, reativou a Banda “Congonhas”, que estava em decadência.A nova banda foi inaugurada com o nome de Banda Musical “8 de Setembro”.

Escreveu algumas composições como: Dobrado “Coronel Suplicy”; Hino da Escola Normal “Novo Ateneu”; Valsa “Márcia”; Valsa “Otília”; Valsa “Maria” e o dobrado “São Benedito”, executado ainda hoje pela atual Banda que levou o seu nome.

Trabalhou com a Banda durante 28 anos. Foi funcionário da Prefeitura Municipal da Lapa durante 30 anos, exercendo o cargo de fiscal e posteriormente de tesoureiro.

Aposentou-se, dedicando seus últimos anos de vidaamúsica, dando aulas em sua casa.

Maestro João Mariano era casado com dona Gertudres Soares de Siqueira Mariano e com ela teve uma filha, Sophia, que casou-se com o senhor Eugênio José Muller.

Sophia herdou de seu pai pendores musicais, contribuindo então com a sua arte, com seu trabalho para a sociedade lapeana.

Após a morte do Maestro, foram-lhe prestadas homenagens póstumas, como: nome de rua, na vila São José, nome da atual Escola de Música e o nome da Banda Musical. Homenagens essas que a família sensibilizada recebeu com orgulho e satisfação.

A Escola de Musica e a Banda Musical, com o apoio da Prefeitura, vêm desenvolver um trabalho importante, louvável, em prol da arte e da cultura na Lapa.

A escola de música, sob a regência do professor Luiz Nogueira, com seu talento e boa vontade, muito se empenha na formação de futuros músicos para a cidade.

A Banda Musical durante muito tempo esteve sob a regência do dedicado maestro Luiz Eduardo Marins, que contribuiu com seu trabalho oferecendo para a cidade participação alegre e festiva em todos os eventos realizados.

Hoje, a Banda encontra-se sob nova regência. E a filha do saudoso João Francisco Mariano, Sophia, deseja ao maestro Albino Ukrainke sucesso, que seu trabalho seja produtivo, coroado de êxitos, para que a Banda continue a abrilhantar os festejos da cidade.

“Vejo que o trabalho de meu saudoso pai foi um exemplo que frutificou. E que hoje a música continua evoluindo para a grandeza da arte e da cultura na nossa cidade”, conta Dona Sophia Mariano Muller.

“Assim, deixo aqui a minha homenagem póstuma ao meu saudoso pai, pelo cinquentenário de seu falecimento. Descanse em paz”, finaliza Dona Sophia.

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