Fogueira de São João

    Normal  0      21      false  false  false    PT-BR  X-NONE  X-NONE                                                     Há 65 anos atrás, quando a Lapa era pequena e o modo de vida totalmente diferente da vida moderna de hoje, o homem de ontem acendia fogueiras nas ruas, para comemorar alegria e devoção a diversos Santos. O Santo mais festejado para fogueiras, era São João  e em seguida São Pedro.

Nessa época a Lapa só possuía 3 automóveis, então as fogueiras juninas eram abundantes em todas as ruas da Cidade. As fogueiras eram acesas por volta das 8 horas da noite, onde se soltavam dezenas de foguetes, rojões, fogos de artifícios e montoeiras de traques.

Uma das fogueiras mais lindas da Lapa, era a do Sr Odilon Carneiro, na Rua Coronel Dulcídio, esquina com a Duque de Caxias. O Sr Odilon fazia uma carreira de pólvora desde a calçada de sua casa, até a calçada do Sr Genésio Dallabona; colocava 60, 80 busca-pés, um ao lado do outro e ateava fogo na pólvora. Os busca-pés subiam a Rua Cel Dúlcidio até o fundo da Igreja, num espetáculo pirotécnico muito bonito.

Outra fogueira bonita, era a da Dona Antoninha, ao lado da Igreja Matriz de Santo Antonio, a qual possuindo um quintal muito grande, juntava dezenas de pessoas; nesta fogueira era pródiga em o pessoal pular a fogueira. Alguns pulavam descalços, não sei como é que nao se queimavam. Eu pulei, mas de sapato! E mais ainda, me afastava uns 5 metros para pegar embalo,e como era muito magro nessa época, era mais magro que mico fugindo de leão, pulava a fogueira sem me queimar, eta bicho véio.

A fogueira da Dona Antoninha, além de muito alegre, ela via sorte, dava passes amorosos e a gente ficava maluco de alegre, ainda mais quando ela dizia que uma morena e uma loira estavam loucas pela gente; meu chapeu de palha, que felicidade.

Uma das fogueiras mais bonitas era a da Igreja Matriz, outra tambem bonita e saudosa era a do Colegio São José na época, Colégio das Freiras de São José.

Era comum a gente cantar e pular em volta da fogueira e uma musica muito cantada, era: – Cai cai balão, cai cai balão, cai na ponta da minha mão… e se caísse na ponta da mão da gente, a gente achava uma panela de dinheiro de ouro.

Um amigo meu, cantou e o balão caiu na mão dele, e ele achou uma panela de dinheiro, ficou rico, comprou um sitio, fez enorme plantação e criação de gado de raça. Eu cantei de me esgoelar, mas nao caiu nenhum balão e ainda queimei a ponta da mãe com um buscapé, etra bicho véio.

Mas as fogueiras eram bonitas, alegres, um visual que nao existe mais. Um tempo encantador que se foi pra sempre. Um encanto nas cantorias, no popular das fogueiras, no visual pirotécnico, no pipocar das bombas e traques, nas reuniões de pessoas.

Estas são as imagens das fogueiras de ruas, do passado; quem viu, viu. E hoje, só nas lembranças é que elas existem. A vida moderna extinguiu parar sempre, e lá no futuro, o homem não imaginará que isto existiu.

Póu, Póu, “prec prec”, este prec é o estouro do traque. Antes de me esquecer, a gurizada quebrava a vareta do buscapé para ele perder o rumo,  ele começava a girar desnorteadamente, no meio das meninas, e estas aos gritos e pulos, para alegria da gurizada. Meu chapéu de palha, que saudade.

                                                                                                                                                                                                                                                                                       

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