Refletindo sobre os boatos do fim do Bolsa Família

No último final de semana o Brasil presenciou a consequência de boatos sobre fim do Bolsa Família. A notícia, falsa, sobre o fim do programa levou milhares de pessoas no sábado e domingo a lotéricas e agências da Caixa Econômica Federal, para sacarem seus benefícios, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

A extensão do boato, que atingiu ao menos dez Estados, provocou longas filas de espera e muito tumulto. Pessoas passaram mal e desmaiaram. Houve brigas e terminais foram depredados. Toda essa conseqüência por conta de um boato. O que mais poderia ter ocorrido se as informações fossem verdadeiras?

O governo desmentiu a notícia e determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal. Todas as possibilidades estão sendo consideradas, inclusive a de motivação política. “Ao que parece, não foi mero acaso, e nenhuma hipótese pode ser descartada”, disse o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

A presidente Dilma Rousseff se pronunciou afirmando que o Bolsa Família é um compromisso de seu governo. “Eu queria deixar claro o compromisso do meu governo com o Bolsa Família: é um compromisso forte, profundo e definitivo. Não abriremos mão do Bolsa Família […] Não acreditem nos boatos, porque os boatos desse país às vezes ocorrem de forma surpreendente. Brasileiros ainda têm e terão durante algum tempo que receber o benefício do Bolsa Família. O que aconteceu no Brasil sábado [18] foi falso, negativo e levou intranquilidade às famílias que recebem o Bolsa Família.”

O Bolsa Família, que contempla 13,8 milhões de famílias e completa dez anos em outubro, é o principal programa de transferência direta de renda do governo. Ele tem forte peso político-eleitoral, tendo se tornado um dos símbolos das gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

E o forte peso político-eleitoral do programa pode ser percebido com a reação dos beneficiados pelo programa por conta do boato. Resta perguntar, já que a presidente afirma que “brasileiros ainda têm e terão durante algum tempo que receber o benefício do Bolsa Família”, qual político terá coragem de acabar com o programa.

Outra observação deve ser feita sobre o recente pânico. Esta é uma boa oportunidade para relembrar como Lula, antes de chegar ao poder, condenava esse tipo de “assistencialismo” e “moeda de troca eleitoral”.

Lula, na época condenava o que hoje o lulopetismo faz em grau muito maior. Fora do poder, uma coisa; no poder, outra muito diferente.

Nada como um dia depois do outro para se perceber a falta de coerência de certos políticos.

Nada como refrescar a memória dos brasileiros sobre como o PT e, especificamente, Lula viam esse tipo de assistência à população carente. Em vídeo divulgado pela Veja, o então apenas presidente do PT, Lula, achava que distribuir cestas básicas e tickets de leite para a população — o embrião do embrião do Bolsa Família, hoje o maior trunfo eleitoral do PT — era “manter a política de dominação” das elites governantes sobre o povo pobre, “que é secular no Brasil”. Lula comparou a “troca de alimentos por votos” ao que, imagina ele, fez Cabral ao chegar ao Brasil, enganando os índios com contas e miçangas.

O vídeo pode ser conferido no endereço eletrônico:

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/video-o-recente-panico-sobre-o-bolsa-familia-e-uma-boa-oportunidade-para-relembrar-como-lula-antes-de-chegar-ao-poder-condenava-esse-tipo-de-assistencialismo-e-moeda-de-troca-eleitoral/

 

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