A maioria das autoridades ficou perplexa com as últimas manifestações populares nas principais cidades brasileiras. Elas têm demonstrado que não estão entendendo nada (ou fingem não entenderem, o que acredito ser mais verdadeiro…).
Mas, para compreender o que motiva as manifestações dos últimos dias, basta dar uma rápida olhada no noticiário do dia para compreender a insatisfação da população um pouco mais instruída. Escolhi a esmo quatro notícias (do dia 19 de junho):
– STF reduz seu expediente nos jogos do Brasil na Copa das Confederações. Supremo e outras cortes irão atuar das 8 às 15h. (Folha de São Paulo)
– A repórter Fernanda Odilla revelou que o Itamaraty achou pequena a suíte de 81m2 do Hotel Berverly Hills em Durban, na África do Sul, e hospedou a doutora Dilma no Hilton. (Folha de São Paulo)
– Toffoli diz que vai julgar, no TSE, contas do PT. (O Globo)
– Quanto custam as frequentes viagens de Dilma a São Paulo atrás de orientação de Lula? (Blog do Noblat)
Notícias diárias como essas, ano após ano, são suficientes para estourar a paciência de qualquer um.
A impressão dos governantes é de que, com Bolsa-Família calando os pobres, Bolsa-BNDES calando os grandes empresários, Bolsa-Dólar/Miami calando a classe média-alta, Bolsa Fundo de Pensões/Imposto Sindical calando os líderes sindicais, Bolsa-Ministério calando o PMDB e os demais partidos de aluguel, Bolsa-Copa das Confederações/Copa do Mundo/Olimpíadas calando a opinião pública externa, seria suficiente para seguir em frente indefinidamente. Mas quem paga tudo isto?
Todos pagam, mas quem mais sente é a classe média, que arca altos impostos e não usufrui de nada. Paga escola particular para os filhos porque a escola pública é de má qualidade; paga condomínio para a segurança do prédio onde mora porque a polícia não garante a segurança pública; paga plano de saúde porque o sistema de saúde pública não funciona; paga IPVA, mas as ruas estão esburacadas; paga IPTU, mas as praças estão abandonadas; paga flanelinha para estacionar o carro na rua; paga vendedor de rua quando para no farol; enfim, não consegue dar um passo sem ter que pagar por alguma coisa.
O cidadão de classe média não tem o mínimo de paz: o trânsito é um inferno, a cidade está suja, inunda na época de chuva, super poluída na época das secas, arrastões nos restaurantes, menor de idade assalta, mata, queima e não acontece nada com ele. Além disso, o julgamento do mensalão não acaba nunca, ninguém está preso. Maluf é procurado pela Interpol, mas todo mundo sabe onde mora e até tira foto com ele no jardim de sua casa.
O grande perigo é que as autoridades políticas continuem não entendendo o porquê dos protestos e que os que protestam continuem não entendendo que a política é o único caminho possível para avançar.
É preciso que as manifestações não acabem com o encerramento da Copa das Confederações. Os protestos devem chegar até as eleições, ir até as urnas. É preciso consolidar os posicionamentos políticos, principalmente demonstrando que estas manifestações não são de classes sociais, não segregam, mas unem as pessoas. Aqueles que não usam o ônibus e aquel

