O Centro Histórico ficou órfão

Lapa se despede do ex-prefeito Sérgio Leoni, responsável pelo tombamento do Centro Histórico do município.

O ex-prefeito da Lapa, Sérgio Augusto Leoni, 76 anos, faleceu na madrugada de domingo, dia 16 de junho, à 1h30min, em sua residência, vítima de infarto fulminante. O velório foi realizado na Rua Barão do Rio Branco, 1614, casa de sua mãe, Alice Leoni, onde Sérgio havia organizado um museu com documentos históricos sobre a Lapa, famílias e personalidades da região e do Paraná. O sepultamento aconteceu no domingo, às 16h30, no Cemitério Municipal. Muitos amigos, familiares, admiradores e eleitores foram ao velório e ao sepultamento prestar a última homenagem e dar adeus ao político que governou a Lapa por três mandatos e atuou como vereador por quatro anos.

Apesar de não estar mais diretamente envolvido com a política local, a partida de Sérgio Leoni deixa uma lacuna na liderança do município. Pois, mesmo afastado de cargos políticos, ainda era grande articulador, sendo procurado pela nova geração e pelas novas lideranças para conselhos e apoio político.

A luta pela preservação da história e da cultura era um de seus ideais. Tanto que seu acervo de obras – reunidas nos últimos tempos na casa de sua mãe, Alice Leoni -, era constantemente procurado por estudantes, pesquisadores e curiosos de várias regiões. Estes eram sempre muito bem recebidos por Sérgio Leoni, que contava com muito orgulho e didática cada detalhe da história a ser explanada.

Os familiares, ainda consternados com a abrupta partida, não decidiram o que será feita e de que forma se dará a administração do local.

No domingo, dia do falecimento, a Prefeitura da Lapa decretou luto oficial e, em homenagem ao político que tanto se dedicou à valorização da história e da cultura da cidade, determinou que os museus e locais públicos de visitação turística fossem fechados.

Recentemente, Sérgio Leoni, em conjunto com Ary Vidal, organizou e publicou o livro “Ruas da nossa Histórica Cidade”, com a história de cada cidadão que deu nome aos logradouros municipais. A obra serve de auxílio à todo cidadão que se interessa pelo município, por seu passado.

Os pensamentos de Sérgio Leoni, sua personalidade e a concretização de suas ações são o seu legado para a Lapa, para os lapeanos e para todos os que adotaram este município como seu. Além, é claro, de ser referência a todos os que valorizam a preservação da história e da cultura de um povo.

HISTÓRIA 

Sérgio Leoni nasceu em 20 de novembro de 1936. Filho de Pedro Passos Leoni e Alice Araújo Leoni, irmão de Solange da Graça Leoni e César Augusto Leoni, iniciou sua vida escolar aos sete anos no Colégio da Irmandade de São José, na Lapa. Permaneceu estudando na cidade até a segunda fase do Curso Científico, quando sua família achou por bem que Sérgio morasse em Curitiba, para estudar no Colégio Estadual do Paraná e simultaneamente frequentasse os primórdios dos cursinhos pré-vestibulares. Realizou o vestibular e entrou para a Escola Superior de Agricultura e Veterinária do Paraná, cursando Agronomia.

Casou-se com Laura Bara. Desse enlace matrimonial nasceram quatro filhos: Sérgio Augusto Leoni Filho, Vanessa Bara Leoni, Beatrice Bara Leoni e Alessandra Bara Leoni. Sérgio e Laura têm seis netos: Vinícius, Miguel Ângelo, André, Gabriel, Ana Carolina e Pedro.

Sérgio Leoni sempre esteve envolvido com a política e exerceu três mandatos de prefeito da Lapa – de 1969 a 1972; de 1977 a 1982 e de 1989 a 1992. Também foi vereador, de 2001 a 2004.

Antes mesmo de ser prefeito, Sérgio Augusto Leoni preocupava-se com a preservação de casarios de valor histórico em sua cidade natal. Ele reuniu documentos históricos referentes à Lapa, além de valiosas edições de autores nacionais e estrangeiros, fundando a Casa da Memória. Também compreendeu a importância de restaurar os imóveis antigos da cidade e do calçamento de lajotas retiradas das pedreiras sedimentares que rodeiam a Lapa, assim como apoiou e lutou pelo tombamento da área do Centro Histórico da cidade.

Muitas obras e ações para desenvolvimento da Lapa ocorreram em seus mandatos,  como a implantação do Núcleo Leiteiro, instalação de empresas, construção de casas populares (Cohapar), escolas, ajardinamento e embelezamento das avenidas Caetano Munhoz da Rocha e Dr. Manoel Pedro, restauração de diversos monumentos históricos, acompanhamento direto no melhoramento de estradas rurais, pavimentação de ruas, ampliação da rede de esgoto e grande atenção à educação, saúde, cultura e questões sociais.

Cidadão lapeano, homem preocupado com o bem-estar da comunidade, político atuante, Sérgio Augusto Leoni não mediu esforços para realizar seu maior desafio pessoal: tornar o centro da Lapa preservado por meio do tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), o que se efetivou em 1989, fazendo que a cidade seja reconhecida como destino turístico-cultural, fonte de estudos e cenário para produções cinematográficas.

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