As pessoas que fazem a diferença no contexto de suas comunidades tendem a ser polêmicas, gerar discussões, provocações e ações que culminam quase sempre em transformações muito significativas na sociedade. Ao meu ver, Sérgio Leoni é uma dessas pessoas.
Embora pudéssemos, às vezes, especialmente ao seu lado no parlamento local, divergir em determinadas opiniões, métodos e crenças, venho dizendo nas esparsas conversas com os poucos amigos e colegas com quem se raciocinam, discutem e estudam os fenômenos sociais, políticos e comportamentais da nossa querida cidade, que Sérgio Leoni é indiscutivelmente uma das cabeças pensantes da Lapa. E creio fervorosamente nisso.
Inspirei-me, então, em escrever este artigo, no momento em que lia sobre o paradigma da complexidade de Edgar Morin na concepção de Eduardo Mourão Vasconcelos, que propõe “a mudança dos paradigmas nos processos de revolução científica”, indicando que pessoas como Leoni são fundamentais para esse tipo de transformação, ainda que ocorram de forma lenta, morosa, quase sempre incompreendida mas frequentemente louvada anos mais tarde. Winock considera “cabeças pensantes” os intelectuais porta-vozes da consciência coletiva da sociedade e que influenciam no comportamento de sua época (in o século dos intelectuais, Rio de Janeiro, Bertand Brasil: 2000).
As evidências que me levam a comparar Leoni a um desses intelectuais são inúmeras, podendo ser destacada, entre erros e acertos, a preservação histórico-arquitetônica de nosso município, mote principal do desenvolvimento turístico local. O que era considerado uma crítica ferrenha há 17 anos, hoje se constitui uma das mais altas expressões de qualidade de vida requerida nos diversos discursos emancipatórios e, mais recentemente, numa indicação positiva em direção à preservação da natureza: na Lapa se “ouve” a grama crescer. Leoni tem ampla participação nesse processo.
A nova sociedade com que nos deparamos é recheada de desafios e cabe à geração atual buscar as respostas mais adequadas no sentido do despertar da criatividade necessária para, a partir dessa realidade, encontrar alternativa para a geração de novos empregos e ainda maior renda à população, com responsabilidade e em direção à sustentabilidade. Mas esta é uma outra história. Hoje o objetivo é homenagear Sérgio Augusto Leoni pelas transformações que produziu para a Lapa em nome da qualidade de vida de sua população.
(Escrito em 10/05/09)
Descanse em paz!

