A história do vereador Sebastião Ambrósio Meira Filho

Primeiro vereador da Lapa eleito pelo distrito de Água Azul, Sebastião Ambrósio Meira dedicou toda sua vida a atividades sociais e religiosas. Atuou no Poder Legislativo Municipal em época em que os edis não recebiam salário durante o mandato. Seu trabalho por Água Azul não se limitou aos mandatos legislativos, pois trabalhava sempre pela sua comunidade. Tanto que morreu pobre, com poucos bens.

Com a casa aberta às pessoas de Água Azul, muitos por ali ficavam para pernoitar, sem que Sebastião cobrasse alguma coisa. Quanto a igreja da comunidade, que foi devastada por um furação em 1959, Sebastião tocou a construção da nova capela, do começo ao fim, quando foi inaugurada em 12 de outubro de 1975. Nos trabalhos junto à comunidade católica, foi presidente da comissão da igreja por mais de 35 anos e até hoje é lembrado por quem frequenta a tradicional festa de Nossa Senhora Aparecida.

Sebastião fazia questão de receber, conversar e cumprimentar os visitantes. Com isso, conquistou muita simpatia, fazendo com que até hoje aguazulanos, moradores de diversos lugares, façam questão de lembrar seu nome.

Por muito tempo foi chefe e trabalhou na pastoral da Saúde em Água Azul. Seu espirito comunitário era grande, não fazendo questão de ter bens ou dinheiro.  Viveu para sua gente. Dizia ele: “Quem vive só para si faz um favor quando morre”. Outra coisa que dizia, e também viviam era: “O dinheiro mal ganho sem que se mereça, é como esterco do Diabo. Além de cheirar mal, causa dano a sociedade”.

Como vereador, no seu primeiro mandato, quando o saudoso Otávio José Kuss era prefeito, fez muito pela Lapa. Tanto no primeiro como no segundo mandato trabalhou sem ganhar honorários. Antes de ser vereador participou das aberturas e melhorias das estradas com seu pai e avô. Esteve a frente da construção da ligação da Água Azul com a atual Rodovia 476, num total de quatro quilômetros. Antes desta obra, só vinha-se a Lapa pela Fazenda dos Forjos. Além de estar a frente dos trabalhos como vereador, entre os dias que trabalhou e pagou para outros pelo serviço, totalizou de 29 dias na construção dessa ligação.  

Sebastião batalhou e conseguiu, junto com outras lideranças locais, um Cartório para Água Azul. Infelizmente, atualmente esse cartório não está mais na localidade. Junto com a comunidade, conseguiu na época levar um posto de recebimento de erva-mate para Água Azul, onde teve como primeira pessoa a receber erva-mate o também saudoso José Simplício Meira, que mais tarde também foi vereador por Água Azul.

Posso afirmar com segurança, que tudo o que existe de estradas, tanto principal como secundárias, Sebastião participou e, quando a prefeitura enviava máquinas a seu pedido, estava unido com os moradores na construção.  Quando os pioneiros de Água Azul abriram as primeiras estradas carroçáveis, tudo foi muito difícil. Ao se deparar com um banhado ou com um córrego barrancoso, era preciso subir até depois da nascente, ou um local que pudesse ser construído pontilhão. Como exemplo disso, podemos observar até hoje cerca de cinco desvios na região.

Em seu mandato legislativo ou fora dele, Sebastião trabalhou muito, realizando as obras da estrada atual, que passa pelo campo de futebol. Com um total de 1,5 quilômetro, todos os desvios foram arrumados, endireitando a rodovia principal, construção da qual Sebastião participou em tudo.

Também sempre esteve a frente na construção de pontes com acessos às lavouras e para isso ele reunia os moradores para, juntos, com as máquinas moto-niveladoras, construírem. Todo conhecimento que tinha, aprendeu de seu pai e avô, o pioneiro Miguel Felipe, fundador de Água Azul.

Quando tinha que reivindicar alguma coisa, ou quando vinham autoridades à Lapa, Sebastião Meira reunia o pessoal em cima de caminhão, para dar força aos pedidos. Ele não era de falar muito, nem muito feito à retórica, mas na hora de agir, pedir e trabalhar pelo seu povo, era com ele mesmo. Não gostava de promoção pessoal. Era um homem simples, determinado e prático. O que lhe interessava era que o trabalho fosse feito, sem pensar em levar vantagem pessoal.

Para finalizar, lembro que muitos vereadores do passado fizeram muito pela Lapa sem nada receber em troca. Recordo do grande professor e jurista Dr. David Wiedmer Neto, que como vereador trabalhou em muitos mandados fazendo sem nada receber. Outro lapeano que merece ser relembrado é o  contador lapeano José Angelo Leonardi, que foi por muitos anos vereador na Lapa e prestava Assessoria  Contábil, tanto na Câmara como na Prefeitura, sem nada receber. Merece, ainda, ser lembrado o saudoso Fénelon W. Moreira, que era uma relíquia cultural da Lapa.

Outros também fizeram muito, sem nada receber, pela Lapa. Espero que outras pessoas tomem iniciativa em relembrar o passado de nossos vereadores e outros políticos, que tanto fizeram pelo município.

Por fim, mesmo falecido há pouco, deixa saudades e boas recordações Sérgio Augusto Leoni. A ele não caberia só um comentário, mas escrever livro.

É triste ouvir cidadãos falando que hoje a coisa mudou e para ser vereador é muito difícil, por isso tem que ser preparado, estudar muito. Acredito que os vereadores do passado não eram menos preparados do que os atuais. A diferença é que trabalhavam, e bem, sem nada receber. Falar é importante. Agir é muito mais. Sebastião Ambrósio Meira não foi homem de falar e sim de muita ação. Que Deus o tenha. O tempo passa, as palavras voam, os exemplos ficam.

Fico feliz hoje, quando a quase um século de seu nascimento, ainda é lembrado por muitos lapeanos e pessoas de outros locais. Sebastião, esteja onde estiver, muitos ainda sentem sua falta. Obrigado por seus exemplos de vida, obrigado por seu espírito cívico e religioso, obrigado por tudo o que fez.  

João Martinho Meira é Engenheiro Agrônomo e professor, autor do livro “Água Azul, a história de um povo”.

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