Há algumas semanas escrevi um artigo neste semanário dando uma sugestão de protestos na Lapa. Recebi algumas criticas negativas, mas um número infinitamente maior de apoiadores e pessoas que gostaram da idéia. Em rápido encontro com a Sra. Sandra Lipski no centro da cidade, ela comentou que achava falta de mais matérias de opinião na Tribuna. Conversando com meus irmãos, Emanuelle e Aramis, decidi começar uma coluna sobre isso, fora do âmbito do já conhecido “Bate Papo Informal”, iniciado por meu pai e hoje a cargo de minha irmã.
Lembro que, quando criança, ficava admirado com as idéias dos adultos que visitavam meu pai. Volta e meia conversava com esses adultos, e acredito que suas idéias e opiniões ajudaram a formar o que sou hoje. Lembro de várias conversas com meu pai, Aramis Gorniski, com o Dietmar Gluk, Mario Hella, Gabriel Campanholo, mais tarde com Benjamim Hammerschimidt, e também, é claro, com José Richwa. Todos, infelizmente, já falecidos. Normalmente apenas ficava por perto, lendo meus livros e tomando chimarrão, mas dava para perceber que eram pessoas que analisavam a cidade e realmente pensavam e discutiam soluções para melhorá-la. Queriam uma Lapa melhor para todos.
Ocorre que o Sr. José Richwa tinha uma coluna aqui, onde justamente ele manifestava sua opinião semanalmente sobre diversos assuntos – no final da vida, mais sobre a necessidade de um aeroporto na Lapa. A coluna chamava-se “Ponto de Vista”, com as várias interpretações que o nome carrega. Achei, então, que poderia reutilizar a mesma coluna como forma de homenagem a estes grandes já falecidos. Não pedi autorização antecipada à família Richwa, mas se ela achar que não devo usar o mesmo nome, respeitarei sua decisão.
Uma das criticas negativas que recebi sobre minha sugestão de limitar o salário do cargo de prefeito e zerar o salário de vereadores é de que, com salário zero, não haveriam candidatos a vereador.
Esse argumento não pode ser válido, por alguns motivos. Primeiro, porque no Brasil já tivemos vereadores voluntários – se não me engano até inicio da década de 1970, mas posso estar errado. Ou seja, o pagamento de salário é coisa recente, e nunca faltaram pessoas interessadas em representar suas comunidades.
A segunda razão é que pouquíssimos países pagam salários para vereadores. Dentre os desenvolvidos e os em desenvolvimento, o Brasil é o único. Porque em outros países existem voluntários e aqui não existiriam?
E, finalmente, existem, sim, várias pessoas interessadas em realmente representar o povo, e não interessadas no salário de vereador. Podemos ver isto em movimentos sociais na Lapa, ONG´s, lideranças de bairros, enfim, em vários pontos.
Sobre o salário de prefeito, já comentei que como é um cargo que exige dedicação exclusiva, é justo que o ocupante receba salário. Mas, nada abusivo, afinal, R$ 18 mil mensais está muito longe da realidade lapeana.
Para não ocorrer abusos, o salário de prefeito deveria ser indexado a algum outro valor. A lei proíbe isso, mas permite que se estabeleçam “tetos salariais”. Eu sugeri que o valor indexador fosse o salário base inicial de um professor público municipal. Para respeitar a lei, estabeleceríamos que o prefeito tem um teto salarial de 6 professores municipais, por exemplo. Lógico, se a Câmara dos Vereadores decidir por fixar em apenas no equivalente a 4 professores, tudo bem. Não pode é passar de 6. Mas, esses limites são sugestões minhas. Deveriam passar por discussão na sociedade.
Os assessores de vereadores também são um problema, mas fácil de resolver. Basta estabelecer que cada vereador terá direito a um assessor que ganhará salário mínimo, e será escolhido por concurso público. Contrato máximo de dois anos, com exigência de que o candidato esteja matriculado em algum curso superior.
A segunda crítica que recebi referia-se a problemas com democracia, caso eliminássemos os salários. Oras… se vereadores fossem voluntários, qual seria o problema de elevarmos o número deles para, digamos, 40? Hoje, nossos 9 vereadores representam cerca de
Deixo aqui meu ponto de vista. Para a próxima semana falarei sobre pedágio e desenvolvimento planejado para nossa cidade.
Dartagnan Gorniski é cidadão
lapeano e proprietário da
Flora Monte Claro.

