Dartagnan Gorniski
Seguindo um pouco na linha de desenvolvimento urbano, lembrei de uma pesquisa que uma amiga minha fez, em seu curso de mestrado. Não estou conseguindo localizar a tese dela, mas lembro de alguns detalhes, pois fui voluntário para ajudar a implantar algumas pesquisas. Para resumir seu trabalho, ela fotografou várias ruas, e na foto calculou o percentual de área verde visível, e também o percentual de construções urbanas.
Com as fotos em mãos, visitou algumas cidades, dentre elas três capitais, questionando as pessoas sobre quais ruas achariam mais agradáveis de viver. Encontrou dois resultados. Para cidades com pouco desenvolvimento urbano – menos de cinco mil habitantes – as pessoas tendiam a achar mais bonitas as ruas com mais concreto. Para cidades maiores, quanto mais vegetação, mais bonita era considerada a rua. A lógica disso é que pessoas que vivem em cidades muito pequenas já têm um convívio fácil e diário com o campo, então tendem a valorizar o que menos tem – urbanização. Já pessoas de cidades maiores tendem a valorizar o verde, justamente por viverem cercadas de concreto. Quanto maior a cidade, mais bela é considerada uma rua arborizada.
Depois ela fez ainda um comparativo com preços de áreas urbanas em cidades maiores, e descobriu que ruas arborizadas tendem a valorizar seus imóveis em até 15%, justamente pela impressão de beleza e bem estar que implica nas pessoas ali residentes. Só que isso não é facilmente visível, pois os imóveis têm uma variação de preço grande conforme outros atributos individuais. Então esse acréscimo só se percebe quando se estuda um conjunto de imóveis.
Outra coisa que ela percebeu foi que as pessoas tendem a achar mais bonitas ruas que tem poucos muros e mais grades. Isso porque muros impedem a visão dos jardins residenciais, e grades não. Com grades, mesmo a rua sendo estreita qualquer um consegue ver os jardins das casas e isso transmite uma sensação maior de amplitude aos moradores.
A Lapa é ainda privilegiada com bosques urbanos. Um bosque urbano é aquele conjunto de árvores que se forma em quintais e terrenos baldios. Isso faz com que a população talvez ainda não veja grande beleza em uma rua arborizada – e claro acabam levando mais em conta os inconvenientes da arborização, que se tornam mais evidentes que seus benefícios, como a queda de folhas, raízes agressivas, necessidade de podas, etc, etc. Os benefícios são a regulação térmica que faz com que os imóveis durem mais, redução de ruídos da rua aumentando a tranqüilidade, redução de agentes poluidores (poeira e resíduos da descarga de veículos) e claro, à valorização imobiliária que já falei.
Contudo, a Lapa está
Devemos pensar que tipo de morador terá, e que tipo de cidade será a Lapa. Se a tendência continuar, uma boa e grande fonte de recursos da cidade serão os salários destes moradores que irão diariamente trabalhar em Curitiba, e terão suas famílias aqui. Isso será um grande impulso para o setor de serviços e comércio
As pessoas que tiverem casas e terrenos em ruas arborizadas também tenderão a ter uma valorização cada vez maior de seus imóveis.
É difícil explicar a teoria toda em um espaço tão curto, mas a Lapa tem a possibilidade de iniciar um círculo virtuoso de valorização e crescimento, implantando alguns programas, entre eles um que contemple justamente a arborização urbana. Como uma árvore leva no mínimo dez anos para se formar, a cidade deveria pensar num programa destes imediatamente. Deixo aqui meu ponto de vista.
Dartagnan Gorniski é cidadão lapeano e
proprietário da Flora Monte Claro. De vez em
quando aceita ser o “palpiteiro de plantão”.

