Thiago Assad, o famoso Turco, participou dos Jogos Mundiais que aconteceram na Colômbia no dia 27 de julho. O atleta participou da modalidade de Duathlon e conta um pouco mais sobre o evento e sua participação. Confira a entrevista.
Muita gente não conhece os Jogos Mundiais, explique um pouco mais sobre o maior evento de esportes não olímpicos. Você já conhecia o evento?
T.A.: Confesso que não conhecia o que eram Jogos Mundiais. Quando fui convocado para representar o país, fui realmente pesquisar como era o evento. Os World Games são disputados nos mesmos moldes que os Jogos Olímpicos, de quatro em quatro anos em sedes itinerantes pelo mundo. As modalidades esportivas que estão no programa dos World Games não figuram nos Jogos Olímpicos, porém podem ser incluídas em edições futuras, como aconteceu com o triathlon que estreou na edição de 1993 e sete anos após fez sua primeira participação nas Olimpíadas de Sydney, Austrália.
O evento reúne 4.000 atletas que disputam 31 modalidades e pela 1ª vez a América do Sul recebe um evento desse porte. No duathlon, eram 54 atletas, com os três melhores de cada país. Além do Dualthlon fazer parte pela 1ª vez dos Jogos Mundiais, era também válido pelo campeonato mundial 2013. Então, o start list contava com todos os “top” da ITU, o atual campeão, o espanhol Martnez, e mais 5x campeões, então seria a prova mais forte da história do duathlon. Esperamos que logo o Duathlon se torne também um esporte Olímpico, quem sabe assim nossa Confederação Brasileira atenda com mais atenção a nossa modalidade.
Como foi a sua classificação para participar? Já esperava ou foi pego de surpresa?
T.A.: O passaporte para competir era estar entre os três primeiros no ranking brasileiro de duathlon “elite”, e sou o vice líder. Competi o campeonato com um problema de joelho, não consegui ser o meu 100% esse ano, mas conquistei meu objetivo de estar entre os melhores no nacional e competir os jogos mundiais.
O evento aconteceu na Colômbia. Você já conhecia o país? Como foi a experiência da viagem e participação no evento?
T.A.: Sim. Em 2009 fui competir o Pan Americano de duathlon no mesmo local. Fui campeão “AGE GROUP”, e 6° geral. Mas dessa vez foi muito diferente, pois se tratava de um evento com a estrutura gigantesca com os principais atletas da elite. Quando desembarquei em Cali realmente caiu a ficha de que estava fazendo parte da história. A cidade respirava “Juegos Mundiales”, o povo esperava por esse dia já há anos.
Já tive uns bons momentos com o esporte, mas o mais emocionante de todos foi dar a volta olímpica no dia da abertura oficial. Estrear no estádio lotado e ser aplaudido em pé por 45 mil pessoas, não se explica com palavras. Os colombianos gostam demais de brasileiros, eu desconhecia isso. Foi uma experiência única, sei que será difícil viver algo parecido, foi tudo tão surpreendente que a competição se tornou apenas um detalhe.
Você representou o Brasil na prova de Duathlon. Qual era a distância da prova, quantos atletas participaram e como foi a sua participação?
T.A.: As distâncias são de 10 km de corrida, depois 40 km de ciclismo e finaliza com 5km de corrida. Eram 54 atletas, os três melhores do ranking de seus respectivos países. Nossa equipe era eu, o atleta Andre Santos e Ernani Souza, líder do Ranking que fez uma excelente prova. Infelizmente não consegui correr bem, não suportei correr no grupo. Então saí para o ciclismo sozinho e na 3ª volta tomei uma volta e fui desclassificado. Outros oito atletas também sofreram essa desclassificação. Mas eu sabia que seria difícil competir bem, isto devido a lesão do joelho com uma carga pequena de treino de corrida, onde em condições normais para competir em uma prova dessas eu deveria estar treinando no mínimo o dobro.
Pós evento. Voltando a rotina de trabalho, consegue deixar alguma lição ou dica para incentivar atletas a seguir com os seus objetivos?
T.A.: Acho que a minha participação nos jogos me fez repensar muita coisa. Tive o contato e pude conversar com vários atletas, entre eles Sergio Silva, ex-campeão mundial, e outros grandes nomes. Tinha uma imagem de que o esporte na Europa era muito apoiado e que esses atletas ganhavam dinheiro e viviam disso. Não! Eles levam uma vida muito parecida com as nossas, “trabalhar e treinar”. Acho que a maior diferença é a infraestrutura de treinos. Claro que existem exceções e há atletas que vivem disso. Mas, se temos um cara que foi campeão mundial, que trabalha, treina e tem pouco apoio, deixo a dica para todos: vamos parar de reclamar e sonhar com patrocínios grandes, vamos botar o tênis, subir na bike e treinar muito. Podemos, com disciplina, chegar a grandes conquistas.
Agradeço a oportunidade de poder passar um pouco desse momento especial que vivi, quero também agradecer meu time que está sempre junto: Woom/ Fórmula Renault/ Skechers/Porta Medalhas/ Blu/ Smelj/equipe GB/ Guilherme Manocchio e a Nutricionista Ana Paula Pergoraro.

