As conclusões precipitadas

Vera M. Wilson

 

Muitas das angústias do ser humano estão ligadas à maneira como eles veem e percebem as coisas ao seu redor. Muitas vezes acontecimentos geram em nós indignação, atitudes geram frustração e o senso de justiça embutidos em nós fala mais alto e achamos certas coisas absurdas, difíceis de digerir e saímos por aí concordando com ideias lançadas no ar.

Nos revoltamos com uma postagem aqui, um comentário ali, uma historinha acolá. Somos bombardeados por informações constantes, vindas de todos os lados, mas precisamos nos policiar e tomar muito cuidado em como usamos esse número infinito de informações, muitas vezes sem uma fonte confiável.

Folheando um livro de Yehuda Berg – O Poder da Kabbalah, logo nas primeiras páginas estavam os 13 princípios da Kabbalah.

Logo o primeiro deles já me fez pensar: “Não acredite numa única palavra que ler. Faça um test-drive das lições que aprender”.

Recentemente, passei um belo final de semana em família em um grande parque de diversões temático e durante os dois dias que estivemos lá, devido ao tempo de espera nas filas, pude observar e estudar um pouco a reação das pessoas em várias situações.

Entenda que não sou psicóloga, mas achei interessante perceber que temos o dom de julgar sem conhecer de fato a versão integral.

Uma das situações foi a seguinte: um senhor, empurrando um carrinho de bebê, passou pela longa fila onde eu estava e parou na minha frente, me olhou e pediu licença. Abri caminho para ele passar e logo em seguida a moça que estava na minha frente naquela fila se virou e disse: “Nossa, algumas pessoas não têm educação mesmo, querem o quê? Que a gente adivinhe que querem passar? Nem sequer pedem licença”.

Ela ficou incomodada, mas não enxergou a situação como um todo, falou sem ter conhecimento, embora com a melhor das intenções: de ser uma boa pessoa.

Durante todo aquele fim de semana, percebi situações parecidas. Pessoas julgando umas as outras, imaginando situações sem que tivessem certeza. Isso foi pra mim um belo ensinamento.

Voltei pra casa me questionando sobre quanta vezes fazemos isso, na rua, no trânsito, no trabalho, na escola?

Quantas vezes nós nos irritamos com as atitudes das pessoas sem saber o que está acontecendo de fato.

Temos a mania de julgar desnecessariamente, estamos sempre à procura do mocinho e do bandido, nos colocando sempre como mocinhos. Porém, precisamos rever nossos conceitos e antes de sermos injustos, criticarmos erroneamente aos outros, falar sobre algo ou ainda compartilhar com nossos amigos uma possível inverdade, temos que buscar a verdade, sempre.

Lembrei-me desta história:

“Um jovem de 24 anos, olhando pela janela de um trem, gritou:

– Pai, olhe as árvores andando para trás!

O pai sorriu e um casal que estava sentado próximo a eles olhou para o comportamento infantil do rapaz de 24 anos com piedade.

De repente, o rapaz novamente exclamou empolgadíssimo:

– Pai, veja as nuvens correndo com a gente!

O casal não resistiu e, pensando que o rapaz era mentalmente deficiente, viraram para o velho homem (pai do rapaz) e disseram:

– Por que você não o leva a um bom médico?

O velho sorriu, olhou para o filho que estava olhando pela janela do trem e ao voltar o olhar para o casal respondeu:

– Eu fiz isto… E acabamos de sair do hospital… Meu filho era cego de nascença e acabou de ganhar estes olhos hoje.”

Eu me lembro de quando eu era criança e fazia arte, ficava de castigo e sempre dizia para minha mãe:

– A partir de hoje vou ser boazinha.

Portanto, a partir de hoje não vou sair por aí (ou tentar) sair por ai procurando bandidos, porque todos podemos ser mocinhos. Junte-se a mim! Quem sabe, com a minha e a sua atitude, não podemos fazer a grande diferença que o mundo precisa. Sem julgarmos precipitadamente sem antes se inteirar dos fatos.

-o-o-

“A vida é a arte de tirar conclusões suficientes a partir de premissas insuficientes.” (Samuel Butler)

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