Pichações e depredações são somente algumas das consequências do uso indevido das áreas públicas.
Em momentos de lazer, seja durante finais de semana ensolarados ou em horários de folga, os parques e praças são opção certeira para a prática de algum esporte ou mesmo passear com a família.
No entanto, muitos moradores da Lapa apresentam constantes reclamações sobre a quantidade de adolescentes que utilizam indevidamente os espaços públicos, seja para consumir drogas, seja para depredar o patrimônio, que é de todos.
Mesmo durante o dia, usuários de drogas são flagrados nestes locais. No entanto, à noite é quando ocorre maior concentração destas pessoas. Moradores das proximidades destes espaços públicos contam que convivem com a insegurança, com medo de deixar carros estacionados no local e com a incerteza de que seus filhos possam brincar na região sem perigo.
A polícia militar, quando acionada por moradores, realiza rondas e abordagens. Isso acaba auxiliando para inibir a ação de usuários e vândalos. Mas, somente isso não está sendo suficiente.
CÂMERAS
No ano de 2011 a Prefeitura da Lapa elaborou projeto para instalação de câmeras no centro histórico do município. Este projeto necessita de verbas para implantação.
A colocação de tais equipamentos seria uma opção para auxiliar na prevenção do mau uso do espaço público. Seja em relação à depredação, pichações ou ocupação por pessoas com má intenção.
Com o investimento nos equipamentos, poderia haver diminuição com gastos em reformas dos espaços públicos depredados e a consequente tranquilidade que a população almeja.
Outra solução que pode ser apontada para minimizar o mau uso de praças e parques é a utilização dos locais pela população, fazendo com que pessoas de má índole se afastem e deixem de ocupar os espaços.
COLABORAÇÃO
Qualquer cidadão que se sinta incomodado com a ação de vândalos ou usuários de drogas nos espaços públicos, pode denunciar o caso para o telefone 181. A identificação do denunciante é preservada e quanto maior o número de ocorrências registradas, maior será a probabilidade de providências a serem tomadas.
A Polícia Militar faz patrulhamento rotineiro nas saídas de escolas. Quando alguma criança ou adolescente é flagrado cometendo alguma infração, ele é encaminhado para cumprir medidas socioeducativas, que podem ser desde uma advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, até a sua internação em estabelecimento educacional. A imposição das medidas socioeducativas tem finalidade pedagógica.
SENTINDO NA PELE
O problema do uso de drogas não afeta somente a segurança da população em geral ou de moradores das proximidades de praças e espaços de lazer. Atinge, principalmente, as famílias dos envolvidos.
A mãe de um rapaz viciado, Maria do Rocio, conta que seu filho começou a usar drogas na adolescência, quando tinha 16 anos. Atualmente ele tem 25 anos e está preso na Penitenciária de Piraquara, cumprindo pena por roubo. Maria conta que esta é a oitava vez que ele vai preso. “Quando descobri que meu filho era usuário, foi um choque para mim. Tentei por várias vezes interná-lo, tanto que ele chegou a ficar 70 dias em tratamento. Mas, quando recebia alta, ficava 15 dias sem usar, aí a abstinência ficava mais forte e ele voltava ao mundo das drogas”, conta ela.
O jovem começou usando maconha e roubava pertences de dentro de casa para sustentar o vicio. “Por inúmeras vezes fui à Delegacia registrar ocorrência, mas sempre ouvia a mesma resposta, de que não podiam fazer nada por serem objetos furtados de dentro de casa, pois também pertenciam ao meu filho. Eu e meu marido tentamos por inúmeras vezes mantê-lo dentro de casa. Meu esposo, que é aposentado, ficava o dia inteiro cuidando para que ele não saísse, mas chegava a certo momento e tínhamos como segurá-lo”, relata a mãe, que tentou aconselhar o filho por várias vezes.
“Sempre me perguntava onde eu errei na educação dele, mas aí via os exemplos dos meus outros filhos, todos trabalhando, formados… Foi a mesma educação que dei a todos. Por várias vezes pensei em desistir, esquecer do meu filho, mas o amor de mãe fala mais alto e continuo tentando tirá-lo desse mundo. Um dia consigo curá-lo. A esperança é a ultima que morre”, desabafa.
O problema do uso indevido de drogas, sejam elas ilícitas ou lícitas, afeta a sociedade como um todo. Impacta nas questões de segurança pública, saúde pública e no relacionamento familiar.
Os pais e familiares devem ficar atentos aos principais sinais de que o jovem está usando droga. Fingir que o problema não está ou não irá acontecer com um familiar não resolve e só piora a situação.
Os usuários de drogas costumam apresentar falta de motivação para estudar ou trabalhar, mudanças bruscas de comportamento, trocando o dia pela noite, por exemplo. Também costumam ficar inquietos e apresentar irritabilidade, ansiedade, cacoetes, perda de interesse pelas atividades rotineiras, olhos avermelhados, olheiras, necessidade cada vez maior de dinheiro. O desaparecimento de objetos de valor ou dinheiro em casa, alterações súbitas de humor, intensa euforia alternada com choro ou depressão, relacionamento com amigos diferentes, são outros sintomas que podem indicar o uso de drogas.
O problema é de saúde e segurança pública. Mas, se a sociedade como um todo não se envolver e ficar atento, nada poderá ser feito. Começo olhando dentro de sua casa, buscando a prevenção ao uso e o tratamento, quando o jovem já estiver envolvido com entorpecentes. Não deixe para amanhã a atitude e não feche os olhos para a situação.
Maria do Rocio é um nome fictício que foi utilizado para preservar a identidade da mãe e da família do dependente químico.

