Canários: muito além da beleza do canto e das cores

Lapeanos criam aves para participar de competição. Banhos de sol e alimentação balanceada são alguns dos cuidados com exemplares selecionados.

 

Ouvir o canto dos pássaros, apreciá-los em árvores, parques ou mesmo em gaiolas é sinônimo de lazer e relaxamento para muitas pessoas. Mas, o que muitos desses meros apreciadores da beleza e do canto das aves não sabem é que existe um grande mercado, no Brasil e no mundo, envolvendo a competição de pássaros.

Uma das espécies que participa de competições é a denominada serinus canárius, ou o canário belga, também conhecido como canário do reino ou roller. Estima-se que no Paraná existam 1,6 mil criadores e 13 clubes de associados, que oferecerem suporte de informações para os criadores, chamado ornicultores. Por não ser um animal silvestre, a comercialização de canários é liberada pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Nas competições estes pássaros são avaliados, em geral, em três classes: de canto, porte e de cor. A avaliação é feita separadamente, por raça e cor, sendo que cada raça tem sua peculiaridade, que vai do tamanho, forma da cabeça, do peito e até mesmo o ângulo que o pássaro fica no poleiro. Também é levado em consideração a postura do canário, quantidade de penas nas asas e na cauda, topete, bico, plumagem, ombro, pés perfeitos e sobrancelhas.

Para que um exemplar seja desclassificado, os avaliadores irão observar se há falta de unha ou dedos, dedos tortos ou quebrados, pássaro cego ou doente, pássaro com quisto de penas ou pássaro na muda.

NA LAPA

Conhecer essas aves é uma oportunidade única. Os canários de cor estão divididos em 55 séries, segundo a nomenclatura da Federação Ornitológica do Brasil (FOB), que congrega os Clubes de criadores de canários brasileiros espalhados por todo o país. Já os canários de porte estão divididos em 26 raças, cada uma com suas características próprias. Esses canários estão divididos em cinco grandes agrupamentos, chamados de modalidades que são de desenho, frisados, topetes, forma e posição. Já os canários de canto clássico são divididos em quatro grandes grupos e seu campeonato é realizado no Campeonato Brasileiro de Ornitologia e nos Torneios Abertos realizados pela Sociedade Amadora Nacional de Ornitologia (SANO).

Na Lapa há criadores de canários de porte e de cor. Entre os canários de porte, podem ser citados: Padovano; Frisado do Norte; Frisado Parisience; Fiorino; Border; Fife; Espanhola; Topete Alemão; Gloster; e Lancashire. Já entre os de cor, encontra-se: branco; branco dominante; amarelo; amarelo intenso; amarelo marfim; mosaico; vermelho; negro; canela; ágata; isabelino; cobre; e verde.

O lapeano Marcelo Hella cria canários de porte e participou pela primeira vez de uma competição no ano de 2013, em evento realizado pela Associação Paranaense de Canaricultura. “O julgamento é uma aula sobre canários. O criador aprende muito sobre as raças, ficando por dentro de detalhes que só o juiz percebe e nem você, que é dono do pássaro, tinha visto”, relata. 

Os canários de porte são julgados por comparação, levando-se em consideração a descrição do ideal de cada raça, existente em um manual da Federação Brasileira. O que chegar mais perto do descrito pela Federação, leva a premiação.

Segundo Amaury B. Siqueira, os exemplares que vão para o evento têm banho mais frequente, com banho de sol diário e alimentação balanceada. “Na semana da competição o banho é dado de um a um”, conta Amaury, que participou do Campeonato Brasileiro, realizado em Itatiba (SP) e conquistou o 4º lugar com uma de suas aves, da raça lancashire branco lipocromo.

Já o lapeano Marcelo, que também cria canários de porte e participou pela primeira vez de competições em 2013 pela Associação Paranaense, para competir os pássaros são tratados, a princípio, de igual maneira. Mas, quando crescem os melhores exemplares são separados dos demais para que não briguem e não percam penas. “O único tratamento diferenciado que tenho com os exemplares que vão para competição é de, alguns dias antes do evento, oferecer ao canário uma banheira com água, para que possa se banhar e limpar as penas mais sujas. Pois isto também conta pontos”, explica.

 

CURIOSIDADES

O canário é um animal típico de cativeiro, que precisa do ser humano para alimentá-lo. Seu manejo é simples e o maior cuidado é com a umidade, principalmente quando o período de choca acontece em tempos secos, quando é preciso improvisar e manter os canários umedecidos, pois são muito frágeis.

Para quem deseja ter um canário em casa, é preciso estar ciente de algumas características da espécie. O canário não gosta de vento, pois a temperatura ideal para ele é 23°C e a gaiola tem de ficar no alto. Alpiste, água e vitaminas não podem faltar. A ave gosta de maçã e folhas de almeirão.

Estas aves vivem, em média, de 4 a 5 anos. E, assim como os humanos, os casais também se apaixonam e sentem ciúmes. As fêmeas são atraídas pelo canto do macho, porém, em cativeiros, algumas são enganadas, pois ouvem o canto de um pássaro da gaiola vizinha, enquanto acreditam que o som seja do parceiro que está no mesmo alojamento que o dela.

É quase impossível distinguir o macho da fêmea pela visão. A forma mais fácil de identificar é pelo canto, uma vez que só os machos podem emitir som.

Para procriarem, os pássaros desfrutam de um mínimo de privacidade, haja vista que os casais ficam escondidos por cortinas.

Hoje há associações em diversas cidades do Paraná, como Medianeira, Umuarama, Paranavaí, Maringá, Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio, Astorga, Ponta Grossa, Curitiba, Matinhos, Jaguapitã e Francisco Beltrão.

Para quem tem interesse em adquirir um bichinho de estimação, o canário pode custar entre R$ 100 e R$ 10 mil. A época de acasalamento do animal é agosto e cada fêmea bota entre três e quatro ovos.

 

 

Please follow and like us: