O diretor clínico do HRLSS explica que o São Sebastião perdeu a oportunidade der regional quando Araucária construiu seu hospital, mas, para ele, nada impede que o hospital lapeano ofereça atendimento de ponta. Já para o diretor administrativo, Eduardo Arauz,o município também deve cumprir a sua parte para que os problemas da saúde da população sejam amenizados.
Na edição 1769 a Tribuna Regional divulgou notícia sobre mudanças na direção do Hospital Regional da Lapa São Sebastião (HRLSS). Desde a semana passada, quem está à frente do Hospital é o Dr. Manoel Vida, na Diretoria Clínica, e Eduardo Arauz, na Diretoria Administrativa.
Em conversa com os novos diretores, estes esclareceram que estavam tomando conhecimento da situação atual do São Sebastião e, que nos dias seguintes, poderiam dar mais informações sobre questões que são do interesse da população, no que se refere à saúde pública e atendimento médico especificamente no Hospital.
Nesta semana, a Tribuna traz entrevista com os diretores a respeito de seus anseios, expectativas de melhora no atendimento para a população em geral e apoio governamental. Acompanhe.
DIRETORIA ADMINISTRATIVA
Tribuna Regional: Você foi escolhido para assumir a Diretoria Administrativa do São Sebastião. Para a população que ainda não conhece sua história profissional, qual sua qualificação e experiência?
Eduardo Arauz: Me formei em Farmácia e Bioquímica no ano de 2002, pela Universidade Paranaense. Desde então iniciei minha carreira profissional trabalhando como autônomo na Prefeitura Municipal da Lapa (plantão noturno), bioquímico no antigo Hospital Hipólito e também como bioquímico responsável do Laboratório Becker. Em 2004 passei no concurso do Estado para trabalhar no HRLSS, onde fiquei por quatro anos alternando com o Laboratório Becker. No mês de maio de 2008, assumi através de concurso público, como farmacêutico/bioquímico na Prefeitura Municipal da Lapa, atuando como farmacêutico responsável na vigilância municipal. Ali fiquei por dois anos como fiscal da Saúde. Fui convidado pelo Dr. Manoel para assumir a farmácia da Maternidade Municipal Humberto Carrano, um grande desafio, pois a passava por mudanças e reformas e tivemos que readequar todo o sistema de dispensação, estoque e compra de medicação. Também fui muito atuante no controle contra a infecção hospitalar e responsável pela criação do programa de gerência de resíduos de saúde.
TR: Sabe-se que o Governo do Estado tem verbas específicas que podem ser liberadas para hospitais da rede própria, seja para ampliação ou reforma. Da mesma forma, possui profissionais qualificados para elaboração de tais projetos. Quais são seus planos em relação a planejamento de projetos e angariamento de recursos para o HRLSS?
Eduardo Arauz: A busca de recursos para as reformas e ampliações da unidade será junto ao Governo Beto Richa e seu secretário de saúde Michele Caputo Neto, que, em conversa com o nosso vice-prefeito Ruy Wiedmer e com o Deputado Elio Rusch, se comprometeu a investir na saúde dos lapeanos. Prova disso foi a liberação de imediato para a reforma da Tisiologia Masculina, além de equipamentos modernos de uso médico hospitalar, bem como a contratação de mais quatro médicos, dentre eles um cirurgião geral e um anestesiologista. Então acredito que estamos caminhando no rumo certo.
TR: Em relação à ampliação no atendimento médico para a população da Lapa, quais são suas expectativas na Diretoria Administrativa?
Eduardo Arauz: Primeiramente, por ser lapeano e ser da área de saúde, terei total empenho e dedicação para que nossa população seja beneficiada com o aumento de vagas em nossa clínica médica e pediatria, que hoje se encontram ociosas e com total possibilidade de serem ocupadas com mais agilidade, dando um bom suporte ao município, que também deverá cumprir a parte que lhe cabe para que, juntos, possamos amenizar os problemas referentes a saúde de nossa população.
DIRETORIA CLÍNICA
TR: Dr. Manoel, o senhor já foi Diretor do São Sebastião em outra época. Como é retornar ao cargo?
Dr. Manoel: É muito bom. É como se tivesse tirado férias e, neste período, pensamos e repensamos no que estamos realizando e o que poderíamos implementar, e ai voltamos com muita vontade de trabalho.
TR: Quem são as pessoas que fazem parte de sua equipe na nova Diretoria e qual a capacitação de cada uma delas?
Dr. Manoel: Alguns permanecem os mesmos, com algumas alterações (ainda em processo de análise), que serão divulgadas posteriormente em uma próxima oportunidade.
TR: Como o senhor percebe o apoio governamental hoje: quais as diferenças no passado e atualmente?
Dr. Manoel: Este hospital sempre foi importante em todos os governos, pois sempre foi ligado a Tisiologia (Tuberculose). Assim, o governo federal (Ministério da Saúde) acompanha nosso trabalho. O governo do Estado, por sua vez, tem interesse, pois novos casos de tuberculose aparecem diariamente em nosso Estado atualmente e, por isto, estou de volta contando com apoio político para que este hospital continue também como referência em hospital geral.
TR: O senhor foi o grande idealizador da fusão do Hospital Hipólito com o São Sebastião, tendo coragem de realizar a mudança, mesmo com a opinião pública desfavorável. Hoje o grande desafio é tornar o São Sebastião um hospital regional. Isso está entre os seus objetivos?
Dr. Manoel: Acho que perdemos a oportunidade de sermos regional com a construção de um novo hospital em nossa cidade vizinha Araucária, onde em funcionamento tem atendido a região, o que não impede o nosso São Sebastião de ser um hospital de ponta para nosso município.
TR: De que forma o Governo do Estado discute essa possibilidade?
Dr. Manoel: Depende do nosso potencial político de entendermos o que queremos e o que podemos ter. As políticas de saúde pública estão aí para ser orientadas com bons gestores. A população é o fiel da balança.
TR: Atualmente, o que o atendimento médico do HRLSS está oferecendo à população da Lapa e região em termos de estrutura, quantidade de atendimentos ao mês, especialidades médicas etc.?
Dr. Manoel: Em minha opinião, como munícipe, pouco. E, agora como diretor geral, será mais um dos grandes desafios que já enfrentei. Estou disposto a isto, afinal não sou apenas lapeano de coração, mas de carne e osso, e como mortal dependo dos serviços de saúde mais perto, neste caso os nossos. Portanto, lutarei para oferecer o máximo de nosso hospital.
TR: A realidade atual de atendimento médico será mudada em sua direção? De que forma?
Dr. Manoel: Em parte já respondi no quesito anterior, mas reafirmo, no que depender de mim como pessoa, usarei de minha experiência e estudos como gerenciamento de unidades hospitalares e gestão em saúde. Assim, serei técnico, porém devo acompanhar a política no sentido de abrir portas, pois nas janelas já estamos.
TR: Centro cirúrgico, pediatria, clínica médica, médicos especialistas no quadro de funcionários. Estes foram assuntos de grande debate quando houve ameaça de que o HRLSS passasse a atender somente tisiologia. Como os problemas existentes em cada uma dessas áreas/temas serão resolvidos? Por exemplo, a rede elétrica necessária para o centro cirúrgico; rede de esgoto adequada para o hospital, contratação de especialistas.
Dr. Manoel: Estes assuntos deverão continuar em debate. Já disse, sou um municipalista nato e, portanto, minhas reivindicações serão no sentido de termos a Tisiologia como referência Estadual e Nacional. Mas, possuirmos também as áreas básicas da saúde como Clinica Médica, Pediatria, Cirurgia e Obstetrícia – ginecologia. Na questão material já esta sendo providenciada a recuperação e construções em nossa unidade, a rede elétrica sendo revisada como um todo, pavimentos em período de licitação já aprovadas pelo nosso governador, com verbas já liberadas dependendo dos trâmites legais do processo licitatório. A rede de esgoto está na fase final em trâmite com a Defesa Ambiental.
TR: Hoje, para ser atendido no São Sebastião, é preciso primeiro existir um encaminhamento da UPA. Há alguma previsão de alteração na forma de encaminhamento do paciente ao HRLSS?
Dr. Manoel: Não necessariamente a UPA, mas sim um mecanismo de Referência – contra referência, isto é, encaminhamentos com contatos prévios, dispensando, é claro, o excesso de burocracia. Mas certamente mudará algumas normas para facilitar o acesso aos serviços do hospital.
TR: A informação que se tem é que o HRLSS é referência em tratamento de tisiologia no Paraná. Essa informação condiz com a realidade? Se sim, por que? E, se não, o que precisaria para ser referência?
Dr. Manoel: Também já referi acima, mas volto a afirmar: precisamos nos adequar a realidade, não basta sermos referência, mas sim podermos ser a referência.
TR: Há uma grande polêmica quando se fala em colocar em um mesmo hospital pacientes de tuberculose e demais pacientes, como crianças, por exemplo. Em sua visão de médico, isso representa realmente um risco? Por que?
Dr. Manoel: Esta foi uma questão que pesou muito na época da fusão em que participei ativamente, mas que suplantamos com os devidos esclarecimentos de que nada impede determos áreas separadas em blocos, como é uma realidade estrutural do São Sebastião. Basta utilizarmos do bom senso e de barreiras biológicas. Teremos, sim, setores de Infectologia com outras especialidades sem medo de contaminação. Isto já foi provado.
TR: Muitas pessoas passaram no último concurso realizado pelo Estado, realizaram os exames, mas ainda não foram contratados. Há alguma informação sobre quando as contratações irão ocorrer?
Dr. Manoel: Esta foi a primeira pergunta que muitos já me fizeram. Tomei a precaução de fazer a indagação diretamente ao setor do Recursos Humanos da Secretaria de Estado enquanto procuro por outras vias a possibilidade destas contratações.
TR: Recentemente os meios de comunicação da Lapa, com amplo apoio popular, iniciaram campanha contra o atendimento exclusivo de tisiologia no HRLSS, pedindo que o hospital se tornasse de atendimento regional. Em sua opinião, qual foi a relevância da campanha para que hoje o Governo do Estado discuta a possibilidade de torná-lo regional ou, ao menos, estruturá-lo para que atenda também clínica médica, cirurgia e pediatria?
Dr. Manoel: Movimentos organizados e com reivindicações focadas naquilo que realmente têm importância prática. Foram e serão de boa valia, pois as políticas de saúde são garantidas através da vontade popular da maioria.
TR: Como diretor do São Sebastião, qual sua expectativa de melhora no atendimento à saúde na Lapa?
Dr. Manoel: Acreditando como sempre acreditei: vontade aliada a ação, a resposta é a conquista.

