Dia Nacional do Cerco da Lapa pode reforçar a história lapeana em todo o país

No final de outubro, foi realizada uma Audiência Pública na Câmara dos Deputados em Brasília para debater a institucionalização do Dia Nacional do Cerco da Lapa. Desde 2010, a data já faz parte do calendário oficial do Paraná, reconhecida de acordo com a Lei nº 16594.

Um dia nacional é diferente de um feriado nacional. Neste, a data é colocada no calendário para reconhecimento e valorização da história que permeia a comemoração. Assim, o Dia Nacional do Cerco da Lapa não será feriado e sim uma oportunidade para que escolas, universidades e outras instituições possam reforçar a importância histórica do evento e refletir a seu respeito.

As autoridades da Lapa que estiveram presentes na discussão, entre elas a prefeita e o comandante do 15º GAC AP, o coronel Marcelo Maia Chiesa, debateram sobre a valorização da história lapeana. Os fatos históricos foram relembrados pelo mestre em história da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcos Araújo, e pelo diretor do Museu Paranaense, o professor Renato Carneiro.

Espera-se que o Cerco da Lapa seja um episódio mais estudado e refletido  no país, não se referindo apenas a quem ganhou ou perdeu a Revolução Federalista, mas destacando o fato histórico. Segundo o diretor do Museu Paranaense, “a instituição deste dia é importante para a reflexão sobre a república que temos ou que gostaríamos de ter”.

 

ATIVIDADES

Com  este mesmo intuito, o Departamento de Cultura da Lapa promoverá, ao longo de 2014, diversas atividades comemorativas e reflexivas sobre os 120 anos do episódio, com amplo enfoque histórico e cultural, incluindo debates, palestras, exposições e eventos que forneçam um panorama da época e facilitem o entendimento do período aos lapeanos e convidados, trazendo luz aos fatos e distribuindo conhecimento com apoio de pesquisadores, professores, escritores, artistas e demais colaboradores.

O convite é estendido a todas as pessoas que tenham conhecimentos, memórias e histórias dessa época e queiram participar dos eventos como colaboradores no próximo ano. Para participar, deve-se entrar em contato pelo telefone 3911-1004 ou pelo e-mail: culturalapa@lapa.pr.gov.br ou ainda no Departamento de Cultura ou Theatro São João, situados na Praça General Carneiro.

 

DA REDAÇÃO

Na edição 1772 da Tribuna, o jornal divulgou matéria sobre possibilidade de o Cerco da Lapa ser comemorado em todo o país, como feriado nacional no dia 9 de fevereiro.

O novo feriado foi debatido no dia 29 de outubro, entre deputados e especialistas, em audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara Federal. O objetivo do feriado em âmbito nacional, segundo os proponentes, é mostrar a alta significação do episódio, ocorrido em 1894, que, segundo eles, teria garantido a consolidação do atual modelo político brasileiro.

Após a publicação da informação sobre o tema, dois leitores entraram em contato com a redação da Tribuna para expor seus pontos de vista sobre o assunto. São eles, Carlos Zatti, historiador e participante do Movimento O Sul é Meu País; e a Dra. Profª Carmen Lúcia Rigoni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro da AHIMTBR- IHGPR- FGV.

Acompanhe o posicionamento de cada um deles, publicado na edição 1773 da Tribuna Regional:

Senhores Editores,

O artigo em lide me deixou avexado. Não pelo título ou pela intenção da notícia, mas pelo repetitivo erro histórico que a História Oficial se encarregou de eternizar, indevidamente, ou então vejamos:

Repete a valha cantilena de que “o episódio garantiu a consolidação do atual modelo político brasileiro”! Além da falsa afirmação… Belo modelo!!!

Que o objetivo dos revolucionários seria “trazer mais autonomia aos estados federados, diminuindo o poder do governo central” . Quem bom se a revolução tivesse vencido, não teríamos tantos grilhões brasílicos sufocando os Estados, que nega o próprio federalismo, amesquinhando a generosidade própria de cada região, sufocando as manifestações regionais e as potencialidades criativas de cada recanto da Pátria. Portanto, quer-se uma comemoração ao inverso da verdade (ou do ideal) e querem comemorar o erro de um Marechal de ferro e de um Coronel que mandava atirar  nos mensageiros paranaenses que lhes iam solicitar trégua para parlamentar!… O que haverá no subconsciente paranaense em sua mania de homenagear assassinos?!

Cita o artigo, que o historiador Marcos Dias de Araújo afirma ter sido o Cerco da Lapa “simbólico para o Paraná , para o Exército, para a formação da república nacional”. Quanta desinformação com o intuito de celebrar apenas um lado (como sempre o lado vencedor)dos brasileiros que combatiam brasileiros idealistas que poderiam ter melhorado este País ainda em sua formação republicana, porque os maragatos também eram republicanos tanto quanto os pica-paus…

Revisão histórica já, antes que outros legisladores, ignorantes como essa tal Rosane Ferreira, aprendam estas aberrações brasiliescas.

Cordialmente,

Carlos Zatti – Curitiba – SUL

O fato histórico.

Senhores editores.

Muito nos surpreendeu a reportagem da Gazeta do Povo do dia 1º de novembro destacando o projeto da  deputada federal  Rosane Ferreira (PV-PR) que institui O Cerco da lapa como Dia Nacional no episódio  que marcou a  Revolução Federalista segundo a deputada, após debate ocorrido na Câmara de Cultura onde estavam presentes historiadores e políticos. O que dizer! Há muito a historiografia tem lançado um novo olhar sobre os fatos da Revolução Federalista, dos quais nós historiadores temos nos debruçado em vários seminários, encontros e fóruns que tratam da história de passado recente. Não é mais possível em nossos dias estudar um lado somente da história, ou seja, o dos vencedores. E os vencidos, não tinham um projeto, um ideal?  Por quanto tempo vamos continuar acreditando em uma história de mão única? Sabemos o que foi a existência dos descendentes dos dois grupos que combateram em lados opostos dentro da própria cidade. O Cerco da Lapa foi um episódio regional, sobre a sua relevância, concordamos, mas é necessário cautela, escutar os historiadores e os  importantes  especialistas do nosso estado que conhecem  profundamente o  tema, antes de votar  no episódio como DIA NACIONAL.

Dra. profa. Carmen Lúcia Rigoni

História Cultural – UFSC.

Membro – AHIMTBR- IHGPR- FGV.

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