O mau aluno determinando os rumos de uma escola

 A família é a base da sociedade. Neste sentido, cabe aos pais um papel fundamental na educação dos filhos. Os pais são os primeiros educadores e, desde o início, estão incumbidos do sustento material, cultural e espiritual das crianças. Este é um dever dos pais, que de modo algum pode ser delegado a terceiros ou substituído pelo Estado. Todas as vezes em que regimes totalitários quiseram neutralizar este papel, as tentativas não foram bem sucedidas. Isto porque somente os pais é que devem cuidar da formação ética e moral dos filhos, preparando-os para a vida. Educação vem de berço, sim.

É preocupante quando vemos a pressão da sociedade pós-industrial, em que jovens casais precisam trabalhar fora (tanto o homem quanto a mulher) e não sabem com quem deixar as crianças, muitas vezes colocadas em creches, quando possível. Nesses casos, desde a mais tenra idade, estas crianças ficam sob cuidados de instituições públicas, longe dos pais, recebendo influências externas num período que deveriam receber uma atenção integral em casa, no seio de sua família. Mas, não é esta a realidade que hoje vivemos, cuja situação deixa lacunas com desdobramentos imprevisíveis no futuro de cada criança vulnerável a esta terceirização.

Mesmo assim, vemos muitos pais assumirem um papel na educação dos filhos com dedicação e até heroísmo. Apesar das dificuldades apresentadas por uma realidade cada vez mais fragmentada e individualizada, muitos pais de esforçam para dar a seus filhos o afeto e a atenção necessárias, e os conhecimentos que precisam para serem pessoas de bem, com princípios e valores que os fazem assumir os desafios da vida com responsabilidade. Tais valores devem levar os filhos, quando adultos, a serem pessoas participativas e solidárias, ajudando a sociedade a se desenvolver, isso porque tiveram um bom desenvolvimento pessoal, com o apoio efetivo dos pais. E educar, frise-se, é colocar limites. Não é permitir a filosofia do laissez-faire, do “cada um por si e Deus por todos” e só alisar a cabecinha das crianças e adolescentes mimados. Isto tem dado resultados catastróficos. Educar é estar presente com amor, carinho e valorização, mas sem permitir que os filhos cruzem a “linha vermelha”.

-o-o-

O texto acima, de autoria de Valmor Bolan, foi publicado no jornal Tribuna da Fronteira, de Mafra-SC. Ele serve como reflexão aos pais e à sociedade que, muitas vezes, “lava as mãos” em relação à educação de crianças e jovens.

É inegável o papel fundamental dos pais na formação e educação dos filhos. Mais inegável ainda é o papel da sociedade – e, neste ponto, destaca-se a escola. Não quero dizer que a escola deva assumir a responsabilidade dos pais. Longe disso. Mas, a instituição de ensino (seus professores, diretores, pedagogos, inspetores) também tem papel de grande relevância quando o assunto é educar.

Os pais são os primeiros educadores, sim. A verdadeira educação vem de berço, sim. Este papel não deve ser substituído pelo Estado, de forma alguma. Mas, e quando, na escola, há aquele aluno que não teve educação de berço, que possui uma família totalmente desestruturada, desregrada, envolvida em ações criminosas? Quando este aluno – e até mesmo seus familiares, começam a gerar problemas na e para a escola? O que deve ser feito? A escola (diretores, pedagogos e professores) deve “lavar as mãos” e deixar esta criança ou jovem acreditar que pode fazer o que quer na instituição?

Educar é dar exemplo. Educar é repassar princípios e valores, para que os jovens assumam desafios em sua vida com responsabilidade. Educar é colocar limites.

Mas, o que fazer quando a própria escola não coloca limites, abaixando a cabeça para problemas gerados por alunos que não têm educação de berço, têm problemas com a justiça e podem, até mesmo, gerar problemas para os demais alunos (que, na maioria das vezes, têm a educação de berço)?

Cabe aí relembrar aos educadores a importância de seu trabalho, que vai muito além de ensinar o “be-a-bá”, o “dois mais dois” e todo o conteúdo programático. É na escola, também, que se aprende a conviver. Não é lá que se aprende tudo (muito se aprenderá com a família). Mas, na escola há a oportunidade de se aprender a ser líder, de se aprender a reivindicar os seus direitos, a cumprir os seus deveres.

Quando, na instituição de ensino, a equipe escolar age no caminho “cada um por si e Deus por todos”, quem sofre é toda a instituição e a sociedade também. Quando um “aluno problema” não recebe os devidos limites na escola, as conseqüências surgem para o professor – que não tem o devido respaldo para trabalhar; para os demais (bons) alunos; e para a sociedade, que terá em seu meio uma pessoa que já não recebeu limites em casa e que também na escola aprendeu que pode determinar o “andar da carruagem” na base do medo e da ameaça. É isso que queremos?

Não é essa a escola que quero para o meu filho. Não é essa a equipe de ensino que considero competente para estar conduzindo uma escola. Já diz aquele velho ditado: “quem está na chuva é para se molhar”. Portanto, se a direção, a equipe pedagógica e os demais funcionários da instituição de ensino não têm coragem de enfrentar os desafios que podem surgir em sua posição, é hora de mudar de rumo profissional. Deixem o cargo para quem tem “peito” de enfrentar a situação, buscar parcerias com polícia, Conselho Tutelar, Promotoria de Justiça, Associação de Pais e Mestres e todos os demais agentes sociais que for necessário mobilizar.

O que não se pode, de forma alguma, quando os pais falham, é deixar que a criança ou jovem acredite que, na escola, não há limite. Infelizmente, esta postura vem sendo adotada por muitas equipes escolares. O medo e a falta de união e de ação estão fazendo com que estes (maus) alunos acreditem que são eles que determinam os rumos da escola. É esta a escola que queremos? É uma direção inerte, que “baixa a cabeça” a cada desafio, que deve ser exemplo para os bons alunos?

Espero que não. Pois, os bons pais, os bons alunos e os bons professores não devem arcar com as conseqüências da falta de coragem de poucos.

Please follow and like us: