Saúde pública: desabafo de uma mãe

No dia 26 de novembro, meu filho Darlan França Dranka, portador de tetraplegia e vários outros problemas de saúde, passou mal e o levamos até a UPA da Lapa. Ali fomos prontamente atendidos pelos médicos de plantão e toda a equipe, mas o caso dele era grave e precisava de internação em um hospital por apresentar infecção e necessitar de um tratamento hospitalar. Depois de várias tentativas na central de leitos, não conseguimos vagas para ele. Então, entramos em contato com o plantonista do Hospital Regional São Sebastião (HRLSS), o Dr. Artur. Mas, ele não aceitou meu filho para internar no referido hospital.

Gostaria de providências, pois de que adianta ter um hospital do Estado dentro de nosso município, se quando os munícipes necessitam de tratamento, um médico plantonista se acha no direito de não aceitar os pacientes? Que tipo de profissional é esse que escolhe os pacientes para internar?

 E se meu filho piorasse ou acontecesse algo grave, pois o estado dele era de extrema urgência?

No dia seguinte, o outro plantonista, depois de muitas tentativas aqui e em outros hospitais, o aceitou no HRLSS. Agora Darlan se encontra internado e está se recuperando.

O caso do meu filho é conhecido por muitos. Essa é uma reinvindicação de uma mãe que só queria ver o problema do seu filho solucionado. Desejando,  também, que ninguém mais passe pelo mesmo que passei.

DA REDAÇÃO

A Tribuna Regional entrou em contato com a Direção do Hospital Regional da Lapa São Sebastião (HRLSS) para esclarecer a situação. De acordo com o hospital, o Darlan encontra-se internado na instituição (informação atualizada na sexta-feira, 6 de dezembro), em quadro grave de saúde, aguardando transferência para a Pro-renal e posterior encaminhamento para o Hospital Evangélico.

Ocorre que, pelo fato de o paciente Darlan apresentar caso de alta complexidade (inclusive quadro de infecção pela bactéria Marsa), a equipe médica da Unidade de Pronto Atendimento deveria ter feito o seu encaminhamento diretamente para o Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, que é a instituição conveniada à Prefeitura (recebe verba do município para atendimento da população lapeana), e está apta a atender casos como o relatado.

De acordo com as informações levantadas, o hospital de Campo Largo não aceitou o paciente por não ter em seus quadros médico nefrologista (especialista em casos renais). No entanto, por conta do convênio, deveria ter feito o encaminhamento para instituição que pudesse atende-lo adequadamente.

O HRLSS é um hospital de porte II, isso significa que possui estrutura para atendimento às áreas de média e baixa complexidade, servindo de referência estadual na área de tuberculose. A luta da direção atual é que o São Sebastião possa, no futuro, atender casos mais complexos, tanto na área de tuberculose, como clínica médica, pediatria e cirurgia. Mas, atualmente a situação ainda não é esta. Por isso, a orientação é de que casos de alta complexidade não sejam recebidos no hospital, por falta de estrutura adequada e também por questão de responsabilidade – afinal, pode ser criada expectativa para o paciente e seus familiares e, ao final, não ser possível oferecer tudo o que seria necessário.

Como o caso do Darlan é de uma situação especial, sendo conhecido por muitas pessoas da comunidade, a direção abriu uma exceção, por questão humanitária, e está tentando reverter o quadro, buscando diminuir a infecção e tentando dialogar com a Pro-renal para que o receba, encaminhando-o para o Hospital Evangélico.

A direção já dialogou com Tereza França Dranka, mãe de Darlan, que compreendeu a situação do hospital e o quadro de saúde do paciente.

Assim, o São Sebastião esclarece que, na quinta-feira, dia 5 de dezembro, realizou reunião com a Prefeitura da Lapa, para que haja maior diálogo entre as partes e seja feita orientação à equipe de saúde municipal sobre quais casos podem, realmente, ser atendidos de forma adequada, no momento, pelo HRLSS.

Please follow and like us: