Apesar de ser interessante falar de política, hoje vamos para outro tema. No período que estive no Piauí acompanhei por muito tempo empresários que tinham interesse em se fixar no Estado. Com isto consegui aprimorar algumas idéias de como é a dinâmica de desenvolvimento de uma cidade. Acreditem: para a prefeitura e câmara de vereadores, a maior ação que se pode esperar é que não atrapalhem. Simples assim. Prefeitos e vereadores tem muito pouca influencia no desenvolvimento de uma área.
Para exemplificar vou utilizar uma dinâmica que meu professor de Micro Economia aplicou para nossa turma de engenheiros florestais. Imagine o leitor uma sala de aula com cerca de 20 alunos. O professor então solicitou que cada um imaginasse ser responsável por um tipo de comércio – açougue, mercado, boutique, agencia de turismo, enfim… o que cada um desejasse.
Fez então surgir uma cédula de R$ 100, que começou a circular entre os alunos. O açougueiro recebeu o dinheiro em troca de um certo volume de carne. Em seguida, adquiriu roupas para sua família. A dona da loja de roupas, com este mesmo dinheiro fez algumas compras no mercado, e assim foi, sucessivamente, até que todos os alunos tivessem comprado e vendido algo imaginário.
Ao final, um único aluno era o dono da nota de R$ 100. O professor questionou quem da classe era o mais rico, e todos apontaram para ele. Neste ponto veio a lição: todos os alunos ficaram exatamente R$ 100 mais ricos. Todos.
Isso porque o dinheiro em si é uma certa ilusão coletiva moderna. Ele só tem valor porque todos concordamos que ele poderá ser trocado por algo que supra nossa necessidade imediata, seja lazer, alimentação, transporte, moradia, vestuário, o que for. Se algum dia o mundo entrar em colapso, as nossas cédulas de real não terão valor nenhum, porque ninguém estará disposto a trocá-las por algo de uso prático.
Então, se considerarmos a sala de aula como um município, a entrada de uma única nota de R$ 100 gerou uma riqueza 20 vezes maior – ou de R$ 2.000. Neste ponto começaram as discussões. E se simplesmente esses R$ 100,00 não tivessem entrado em circulação? Simples, não haveria comércio, e com isto, ninguém teria oportunidade de gerar riqueza.
E se um dos comerciantes, digamos o de número 5, resolvesse comprar produtos em outro município? O resultado é que a riqueza coletiva seria reduzida para R$ 500, e o ciclo virtuoso se transferiria de local. E se tivéssemos 60 comerciantes, e não 20? Oras, a riqueza coletiva seria ainda maior.
Esse exemplo foi justamente para mostrar o poder gerador de riquezas que o comércio tem. Uma cidade pode até ter poucas chances de receber dinheiro novo (no exemplo, notas de R$ 100), mas se ela tiver um comércio forte, este dinheiro se multiplicará. O inverso também acontece. Uma cidade que gere muita receita, mas que tenha pouco comércio acaba por transferir estes ciclos de crescimento para cidades vizinhas.
Com isso definimos que uma cidade só tem condições de crescimento se possuir um comércio variado, que permita que a riqueza circule bastante na mesma, independente de onde surja.
Só que para o comércio se expandir, é necessário que exista justamente um pequeno fluxo constante de dinheiro entrando – até porque sempre terá dinheiro saindo do município. Esse fluxo constante em nossa região geralmente é criado pela agricultura.
Em vários locais do Brasil ouvi a expressão de “vamos fazer dinheiro novo”, vindo de agricultores se referindo às próximas safras. Nada mais correto. A agricultura é o primeiro ponto de geração de divisas. Mas não é o único. Indústrias, turismo e até comércio podem ser supremos para alavancar o desenvolvimento. Falarei mais sobre o tema na próxima edição.
Dartagnan Gorniski é cidadão lapeano e
proprietário da Flora Monte Claro. De vez em
quando aceita ser o “palpiteiro de plantão”.

