Na última edição citei uma dinâmica que tive em minhas aulas de Micro Economia, ainda na faculdade de Engenharia Florestal, a qual demonstra o poder multiplicador de riquezas que o comércio possui.
Só que o comércio sozinho tem pouca possibilidade de trazer receitas novas para a cidade, apesar de que existem casos notáveis no Brasil de cidades estritamente comerciais. Joaçaba,
A Lapa se configura desde a muito tempo como cidade agrícola. Aqui é gerado muito dinheiro novo. O problema é que este dinheiro vai em grande parte para Curitiba. Mas o pouco que fica é o suficiente para garantir o estabelecimento de um comércio mínimo em nossa cidade. Como disse na semana anterior, o nosso pequeno fluxo de dinheiro novo está garantido.
Para melhorar as receitas na agricultura, pouco cabe à prefeitura. O máximo que a prefeitura pode fazer é a sua obrigação, que é manutenção de estradas. E convenhamos, num município grande como a Lapa, se fizer isso direito já é ótimo. Qualquer outra iniciativa, mesmo que capitaneada por algum órgão municipal, depende diretamente da aceitação ou não do agricultor.
Contudo, se triplicarmos a receita gerada pela agricultura, e essa receita continuar seguindo para ser aplicada em outros municípios, isso será de pouca ajuda para a cidade. Conheci a cidade de Uruçuí, no sul do Piauí, que tem agricultura pujante, mas as fazendas tão grandes que os proprietários negociam tudo – até a alimentação de funcionários – direto com grandes empresas. Até os funcionários são trazidos de vários cantos do Brasil, e com isto pouco investem no município. Resultado: uma cidade com receita agrícola enorme, mas que na prática é um pouco melhor que uma favela.
Como a Lapa já tem agricultura consolidada, os esforços não deveriam ser necessariamente para uma expansão na área (apesar de que isto sempre será bem vindo), e sim para que mantenhamos índices positivos de produção. Aliado a isso, precisamos que a receita gerada aqui em nosso município fique em nosso município. Como fazer isto? Comércio.
Esse tipo de trabalho é bem complexo. Precisamos de dados que não temos. Precisamos saber quantos agricultores temos na cidade. Qual a renda média destes agricultores. Quais os itens eles consomem regularmente na cidade, e quais são obrigados a buscar fora. Qual o volume financeiro que isso representa. Esse levantamento pode ser feito pela Prefeitura ou mesmo pela EMATER, mas o problema é sempre o mesmo: de onde virá o dinheiro para bancar este estudo? Talvez se diminuirmos as diárias da Câmara de Vereadores… sonho meu…
Por outro lado, se tivermos este estudo em mãos, a prefeitura tem argumentos para visitar empresas específicas que não temos na cidade e demonstrar a possibilidade de lucro caso se instalem aqui. Neste ponto, não estou falando de mega empresas. As vezes o que faz falta é apenas um mecânico especialista em determinado equipamento. Lógico, esse mapeamento servirá também – e talvez principalmente – para empreendedores lapeanos, pois identificará nichos de mercado que não estão sendo bem explorados.
Em uma conversa que tive a muito tempo com alguns amigos paulistanos eu ouvi falar de um trabalho similar a este, produzido a nível estadual. Não me recordo se Sergipe ou Ceará que produziu. Não cheguei a ver tampouco o material, mas isto seria natural, pois não sou o público alvo. Na prática, o Estado inteiro mapeou todas as oportunidades de negócios, elaborando um trabalho muito sério, contendo cifras consistentes para orientar investidores, e depois, é claro, fez a divulgação onde mais existem investidores no Brasil: o Estado de São Paulo.
O problema é que como falei, os órgãos públicos pouco podem fazer para melhorar o comércio local. Quem define se irá fazer ou não o investimento é ninguém mais que o empresário. O máximo que uma Prefeitura da Lapa poderia fazer é demonstrar que a Lapa é um local tão atrativo quanto outros.
Dartagnan Gorniski é cidadão lapeano e
proprietário da Flora Monte Claro. De vez em
quando aceita ser o “palpiteiro de plantão”.

