Ingrato, mal-amado, mimado e extremamente teimoso…

       

                                                                         

 

 

 

Ele não respeita ninguém. Para ele o que vale é a lei do mais forte, do mais esperto. Sempre se aproveita de situações para tirar proveito dos inferiores, quando todos sabem que estes pequenos deveriam receber sua atenção especial, mas não é o que acontece.

 

Este modo é um jeito trágico de descrever o trânsito. Sim… apenas isso. Não é político, não tem poder, mas é um organismo vivo que não dá a devida importância àqueles que deveriam ser uma prioridade em seu seio.

Como parte de nossas vidas e da vida de todas as cidades, o planejamento para este assunto deveria ser pensado de forma muito séria e prioritária.

Temos em nossa cidade um Conselho Municipal de Trânsito, o qual detém o poder de planejar, discutir, alterar e, EM TEORIA, executar ações importantes para que o fluxo crescente de pessoas nas ruas tenha condições de mobilidade.

O que queremos colocar em discussão a partir de agora é a seriedade no trato com este assunto. Não é de hoje que se dá um “jeitinho” para beneficiar este ou aquele, mas não vimos ainda em nossa comunidade uma ação real e maciça para resolver e planejar o dia de amanhã.

Há tempos falamos sobre os problemas de estacionamento no anel central da cidade, demora e atrapalhos no deslocamento de um lado a outro e, principalmente, a falta de condições de mobilidade sustentável em nossas ruas.

Faço parte do Conselho Municipal de Trânsito e o que vejo nas discussões e reuniões realizadas são apenas palavras e possibilidades, além, claro, de inúmeros pedidos absurdos de autoridades (geralmente vereadores), no sentido de aumentar o número de lombadas, mudar este ou aquele detalhe na frente da casa de alguém, porque isso incomoda o sono de beleza daquele amigo do político. Está mais do que na hora de a Lapa começar a pensar e agir como cidade e não como uma vila colonial.

Tivemos no mês de dezembro um mini seminário com os engenheiros do Ippuc, de Curitiba, para falar sobre o planejamento em longo prazo que deve ser executado para que, em 5 ou 10 anos, não tenhamos mais problemas do que os atuais. O evento foi proveitoso, porém, torna-se inútil, em função de que  PLANEJAR e EXECUTAR alterações no trânsito não faz bem politicamente. Não é uma crítica à atual administração. Isso é uma constatação que vem de tempos: Político não gosta de mexer em vespeiro e planejamento sério para o trânsito é um Maxi-Vespeiro.

Estacionamento regulamentado, ciclovias, acessibilidade, calçadas decentes, corredores de tráfego, desvio de fluxo do anel central, sinalização decente, são só alguns dos itens que precisamos implementar com urgência. Temos hoje uma média de um veículo para cada dois moradores da Lapa. Como vocês acham que isso vai ficar? Cada vez pior, é claro.

O que proponho é que paremos de brincar de cidade e comecemos a ver a Lapa como uma bomba prestes a explodir. A tragicidade da frase pode parecer exagerada, mas pergunte para quem quer ir ao banco e encontra todas as vagas disponíveis para estacionar ocupadas por funcionários e proprietários do comércio e instituições circunvizinhas. Ou talvez você precise parar na rodoviária e encontra todas as vagas ocupadas por carros deixados estacionados lá por quem vai pegar o seu transporte pela manhã e só retira o veículo no fim do dia. Quer mais um exemplo? Tente pedalar na Avenida Manoel Pedro durante o horário de pico. Outro exemplo: pergunte a um cadeirante se ele consegue chegar a algum dos pontos principais da cidade, trafegando pelas calçadas.

Vou encerrando este capítulo por aqui para deixar que a discussão tome conta do assunto, mas discussão com maturidade e não apenas pensando em seus próprios umbigos. Chega de sermos idiotas nas decisões. Para resolver problemas, cada um deve abrir mão de um pedaço do seu conforto. Se fizermos isso, daqui a alguns anos poderemos dizer: Somos uma cidade civilizada.

 

CADÊ A SOLUÇÃO?

E por falar em trânsito. Você lembra, leitor, da mudança recente na Avenida Caetano Munhoz da Rocha, no cruzamento com a Rua do Colégio Polivalente?! Pois é. Desde final de 2013 os veículos estão proibidos de realizar o contorno naquele local. Mas, somente colocar placas sinalizando foi a solução? Não, de forma alguma. Inclusive, já foi até levantada a questão por cidadãos lapeanos, através da Tribuna Regional, sobre a necessidade de colocar as conhecidas “tartarugas” ou meio-fio entre os canteiros centrais, impedindo, efetivamente, a passagem de veículos. Isso, até agora, não foi colocado em prática.

No dia 22 de janeiro, quarta-feira, a equipe da Tribuna esteve no local por volta das 9h50min. Ao estacionar o veículo, antes mesmo de posicionar a máquina fotográfica para registrar a movimentação de carros, eis que a reportagem flagrou um veículo Gol, do Corpo de Bombeiros, realizando o contorno proibido. Não, não acreditamos ser possível dizer que tratava-se de emergência, pois a velocidade praticada era baixa. Em seguida, em menos de cinco minutos, ao menos quatro veículos foram flagrados cometendo a infração no local.

Conclusão: todos somos responsáveis e culpados, tanto pela falta de respeito no trânsito como pelos consequentes acidentes. Como podemos cobrar ações das autoridades se nem mesmo nós respeitamos as leis?

Já não é hora de o poder público tomar atitude e impedir o tráfego no local? Se não fizer isso, ao menos será preciso realizar campanhas educativas, que não estão acontecendo.

Está na hora de parar de brincar no trânsito. Isso vale tanto para as autoridades como para os cidadãos.

Afinal, qual é a cidade que queremos?

 

Aramizinho é editor deste jornal e membro do Conselho Municipal de Trânsito.

    Normal  0      21      false  false  false    PT-BR  X-NONE  X-NONE                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

Please follow and like us: