O que fazer com os terrenos baldios?!

       

 

Tornar o espaço tomado pelo mato em espaço útil é uma das soluções para deixar a cidade mais bonita e agradável e, ainda, diminuir os locais onde bandidos e vândalos possam se esconder, gerando insegurança para moradores.

 

Nas edições 1781 e 1782 a Tribuna Regional trouxe à tona o problema da falta de manutenção e limpeza das ruas do município da Lapa. Além da necessidade, por parte do poder público, realizar a devida limpeza, também foi questionado o que está sendo feito, por parte da fiscalização municipal, para exigir providências dos proprietários de imóveis que estão tomados pelo mato.

Em diversos municípios a própria população toma a iniciativa e dá destinação útil ao espaço, seja plantando pés de milho, seja mantendo o local roçado e cercado. Isto, frise-se, sem a necessidade de intervenção do poder público aplicando multas ou oferecendo benefícios fiscais.

Recentemente, o Globo Rural divulgou uma notícia a respeito da mudança da paisagem urbana no município de Diadema (SP). Tudo ocorreu por conta da plantação de hortas em terrenos baldios da cidade.

Com a iniciativa da Prefeitura, mais de 140 famílias foram cadastradas no programa de segurança alimentar em 26 áreas antes abandonadas na periferia da cidade da Grande São Paulo.

Isso ocorreu há dez anos em um dos municípios mais densamente povoados do país, Diadema, na Grande São Paulo, e modificou o cenário com a produção de alimentos em hortas urbanas comunitárias. Terrenos antes utilizados para o descarte de lixo e entulhos, além de atraírem usuários de drogas, hoje produzem alimentos como hortaliças, melancia, morango e até milho. Além da prevenção ao mau uso dos espaços, as hortas, que fazem parte de um programa da prefeitura chamado Agricultura Urbana, ajudam moradores na geração de renda e na preservação do meio ambiente.

“Inicialmente, a intenção era justamente produzir alimentos naturais onde há carência, como as partes periféricas da cidade. Hoje, a produção de hortaliças orgânicas não só reflete na renda da família do participante, como também aumenta a oferta desse tipo de produto nas imediações da região”, diz o técnico agrícola George Franklin, da prefeitura do município.

O programa foi impulsionado por linhas de financiamento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em 2003, mas, nos últimos três anos foi intensificado. Além das hortas, os espaços também abrigam programas ocupacionais e educacionais.

No total, Diadema conta hoje com 26 hortas ativas, totalizando 12 mil metros de área cultivada com produção de aproximadamente 12 toneladas mensais – uma média de um quilo de alimento por metro quadrado.

No início, uma equipe do governo procurava possíveis terrenos para a implantação das hortas, com a limpeza do terreno, cerca, adubação e plantio de mudas. Hoje, a população já faz os pedidos para a criação de novos espaços. Quinze hortas ainda estão na lista de espera para serem implantadas. A prefeitura reconhece que a demanda é grande e tem dificuldades para atender todas as famílias cadastradas.

Mesmo assim, o coordenador operacional do programa, José Antoniel Gomes, diz que até o final do atual governo mais 100 hortas devem ser implantadas. “Pretendemos utilizar todos os espaços que não tenham um aproveitamento correto para implantar novas hortas. Uma vez que a implantação feita, é possível mudar o visual da cidade e principalmente o pensamento das pessoas”.

Alguns horticultores já tinham convívio e algum conhecimento em cultivo, mas a maioria era formada por trabalhadores da indústrias ou comércio com uma cultura urbana, sem qualquer contato com a agricultura. Para apoiar os iniciantes, o programa conta com uma equipe de 15 pessoas que circulam pelas hortas diariamente orientando a população sobre os cuidados na manutenção dos canteiros, além de fornecer mão de obra e produtos como sementes e mudas.

 

GERAÇÃO DE RENDA

As hortas não utilizam agrotóxicos, o que impede o risco de contaminação do solo, nascentes, animais e trabalhadores. A produção, além de adequada à tendência da busca por alimentos saudáveis, está alterando sifnificativamente a vida dos moradores.

As donas de casa Maria Oliveira Urbano e Lucimara Rodrigues Silva, que sofriam de depressão, participam do programa na modalidade ocupacional, cujo objetivo é ajudar os moradores no tratamento da saúde. “Antes, eu vivia em hospitais. Quando iniciou o programa em minha comunidade, comecei a trabalhar no cultivo e minha saúde e alimentação melhoraram. Para mim, está sendo uma terapia”, conta Maria. Lucimara também teve melhora na saúde, e viu a da filha, de 9 anos, beneficiada com a boa alimentação.

Além do consumo próprio, os moradores vendem o excedente ou doam o produto a entidades sociais em quantidades que variam. Também não há um valor absoluto sobre a venda das hortaliças. Alguns moradores obtêm um complemento de renda que pode chegar a R$ 700 por mês. Nas hortas, um pé de alface pode custar até R$ 2,00, sendo que em feiras e supermercados o produto orgânico sai por cerca de R$ 3,50.

 

NA LAPA

Quando haverá uma iniciativa para criar a cultura na população de que o terreno que não está ocupado não deve gerar prejuízo ou perigo para a comunidade?

Há diversos caminhos para modificar a mentalidade. É óbvio que isto não acontece da noite para o dia. Mas, é preciso ser feito. Mudar a realidade não é impossível.

 

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