Evento que é realizado em cerca de 200 cidades, em 15 países, será realizado pela primeira vez na Lapa. Público poderá prestigiar acervo do Museu do Rock da Lapa, participar de mesa redonda e curtir muita música boa, nos shows musicais de acontecem de 7 a 9 de março, no centro histórico.
O primeiro final de semana de março de 2014 será especial para os amantes de rock na Lapa e região. Nesta data acontece o primeiro Lapa Grito Rock, que trará em sua programação desde apresentação de bandas locais, regionais e internacionais, até a exposição de parte do acervo do Museu do Rock da Lapa, que reúne cerca de dez mil objetos relacionados à história do rock na Lapa, Brasil e mundo.
GRITO – O FESTIVAL
O Festival Grito Rock, ou apenas Grito Rock, é um festival de rock realizado em cerca de 200 cidades em 15 países. É realizado de forma simultânea desde 2007 e antes acontecia apenas na cidade de Cuiabá, Mato Grosso. Desde o início, o Grito Rock é produzido de forma colaborativa e criado como uma alternativa ao carnaval em Cuiabá.
Além de fomentar o cenário musical, o Grito Rock propõe possibilidades diversas de integração com outras linguagens artísticas. As infinitas rotas e circuitos formados entre os eventos provoca a circulação de produtores culturais, midialivristas, artistas e formadores de opinião. Nesses 12 anos de realização do festival, milhares de bandas já circularam e no último ano 1500 shows já foram realizados.
A iniciativa foi idealizada pelo coletivo Espaço Cubo em 2003 e, com a criação do Fora do Eixo em 2005, o projeto se ampliou de forma conceitual e geográfica. A cada edição ganha ainda mais repercussão e espaço nas cidades onde acontece, como em São Carlos (SP), onde o evento foi inserido no calendário oficial da cidade, e em diversas outras onde já construiu histórico e público. Através do festival, produtores de todo Brasil e mundo desenvolvem ações de fomento à música e criam possibilidades para implementação de um sistema de trocas de serviços, tecnologias e experiências.
As edições internacionais começaram tímidas e hoje já chegam a 40 países, tendo edições em 16 países da América Latina, ponto marcado na Europa e África e novas edições na Ásia e Oceania.
NA LAPA
O evento reunirá diversos músicos, entre talentos locais, regionais e internacionais. Toda a programação é gratuita, regada a muito rock e feira de alimentação
Na sexta-feira, 7 de março, às 20h, acontece a abertura da exposição do Museu do Rock da Lapa, com acervo de Mario Ozzy Bianchini e show de Ganso Nogueira e convidados. Vale a pena conferir os objetos que contam um pouco da história do rock na Lapa, no Brasil e no mundo. Mário Ozzy levará à Casa da Música cerca de 80 de seus objetos de coleção, entre discos de vinil, fitas K7, com gravações demo de bandas da região, cartazes, ingressos de shows, revistas de rock e muita coisa boa para conhecer um pouco mais sobre este estilo musical e de vida.
No sábado, 8 de março, às 10h, na Casa de Música, acontece a mesa redonda sobre produção cultural, bandas e festivais, com presença de Fundação Cultural de Curitiba e Fora do Eixo.
Ainda no dia 8, das 14h às 22h, na Alameda David Carneiro, o público poderá prestigiar o show das seguintes bandas: Projeto Alternativo (Lapa), Erno – O Colono (Araucária), Banda Ph7 Rock (São Mateus do Sul), Banda Doble A (Bolívia), Banda Damesse (Lapa), Banda Cinese (Lapa), Banda Fuga da Alma (Lapa), Banda Radio Play (Lapa), Banda Liss (Rio do Sul), e Banda El Parche (Bolívia).
No domingo, 9, também das 14h às 22h, na Alameda David Carneiro, mais música. Dessa vez com as bandas: Lamparina; Monges da Lapa; Netúnia; Over Loud; banda Fake Melody; Captação Acústica; Killer Jack; e 5 Graus (Curitiba).
O evento é uma promoção da Prefeitura da Lapa, através do Departamento de Cultura, e tem como principal objetivo proporcionar um final de semana diferenciado para os fãs de rock da cidade e região.
MUSEU DO ROCK
O Museu do Rock da Lapa partiu da ideia de seu idealizador, Mario Ozzy Bianchini, que desde 1980 colecionava Lps de rock e MPB. Mario foi baterista da primeira banda de rock da Lapa, o Raio X, ainda nos anos 80, e lá pelos anos 90 montou a loja de discos, fitas e cds Trekos e Tarekos, que sempre apoiou os músicos e bandas da cidade, não só de rock. Com o tempo, frequentando vários shows nacionais e internacionais, colecionando ingressos e fotos com artistas de várias bandas internacionais e nacionais, surgiu a ideia de organizar o acervo do museu do rock, que já teve diversas visitas ilustres como da banda Made In Brasil e várias bandas nacionais. Hoje o museu faz parte da história musical da Lapa, divulgando e apoiando a cena local. Localizado na casa de Mário, o acervo conta com mais de 1.500 LPs, 3.000 CDs e 1.000 DVDs contando a história do rock, sem falar nos ingressos de shows, revistas, fotos, cartazes e muitos outros objetos raros e especiais. Entre as raridades estão o ingresso do 1º Rock in Rio (de 1985) e a réplica do ingresso original do Festival de Woodstock de 1969. Também há ingressos originais de outros shows como Rolling Stones, AC/DC, U2, B.B. King, Eric Clapton, Kiss, Iron Maiden, Black Sabbath, Ozzy, e fotos com artistas e membros de bandas famosas como Nazareth, Deep Purple, Black Sabbath, Rainbow, Mr. Big e Bee Gees.
O acervo tem aproximadamente 10 mil objetos. Desses, apenas cerca de 80 serão levados à exposição de sexta-feira. Portanto, há possibilidade de realização de, pelo menos, mais cinco exposições, sem repetir o acervo. Uma ótima pedida para que curte história do rock.
LAMPARINA
Em 2014, 20 anos de formação da Banda Lamparina, que fez sua estreia para o público lapeano no Festival Rock in Rancho, em abril de 1994. Além de clássicos do rock, traz em seu repertório composições próprias.
Lamparina se apresenta no domingo, 9 de março, às 14h no Lapa Grito Rock e fará uma homenagem aos músicos precursores do rock lapeano dos anos 80, tocando a Canção para um Hippie, do grupo Zepelim de Chumbo. Dentre as músicas próprias da banda, o público poderá curtir Jorge Tadeu, O Último Trem e Loucos Delírios – Calafrios e Medo, considerada pela crítica a melhor música em 2011. Vale a pena prestigiar!
O ROCK FESTA DO MONGE
Na Lapa é a primeira vez que o Grito Rock acontece. No entanto, esta não é a primeira iniciativa dos amantes do rock para fomentar o cenário musical na Lapa. Em abril de 1991 o empresário Orley Ozires Silva e a equipe AVED-C tiveram a iniciativa de promover o que seria o primeiro Rock Festa do Monge. O evento aconteceria no dia 14 de abril de 1991 em frente à Lanchonete Ermitão, dentro do Parque Estadual, com o intuito de agitar o final de semana dos amantes da música, lapeanos e turistas. O evento divulgaria a Lapa a cidades vizinhas, agitaria os meios mais jovens e movimentaria o comércio local.
No entanto, o festival não ocorreu por conta da impertinência do funcionário público Osmar Ceabra, que se intitulava diretor de turismo do Parque à época. A atitude do cidadão frustrou os planos dos jovens lapeanos e o possível show virou caso de polícia, mesmo tendo cumprido todos os requisitos legais para a realização. Na data o evento, o organizador Orley foi impedido pela Polícia Militar de levar adiante o show. Segundo consta, Osmar teria procurado Orley quando soube da organização do evento e exigido dele o pagamento de cem mil cruzeiros para permitir a realização do festival. Como a propina não foi paga (pois inconstitucional), Ceabra usou de suas influências para proibir a realização do Rock Festa do Monge. No dia do evento, policiais militares chegaram ao parque e impediram que ônibus de turistas, convidados e músicos entrassem no Monge. Revistaram carros e o coletivo, impedindo a entrada de instrumentos musicais e todos tiveram que retornar sem realizar a apresentação. O festival havia sido divulgado em âmbito estadual, através de rádios de grande audiência e iria contar com um bom público, movimentando a cidade da Lapa.

